Cláudia Linhares Sanz | 28.nov.2011
Às vezes uma fotografia nasce pela força de futuro, outras vezes pela insistência do presente: existo, existo, existo – resisto. Há, no entanto, fotografias que surgem porque o que já não existe persiste como fantasma, do mesmo modo que a estrela que, separada pelos milhões de anos luz – só encontra sua imagem quando já silenciada. A estrela sobrevive na imagem graças ao impulso de um passado que deseja viver no futuro e que pressiona em direção a ele. Ela, no entanto, só pode ser vista (e existir) por um
Leia Mais Ronaldo Entler | 22.nov.2011
A memória representa uma sobrevivência simbólica que joga um papel bastante efetivo no destino do mundo. Mas o poder é pragmático e, às vezes, prefere não aguardar a atuação da memória: antes de descansar em paz, o corpo já inanimado do líder pode ser convocado a demonstrar suas possibilidades de sobrevivência. A fotografia cumpre o papel de uma taxidermia que permite a esse corpo resistir ao apodrecimento para permanecer na batalha.
Leia Mais Mauricio Lissovsky | 14.nov.2011
Por meio do duplo a fotografia interroga-se sobre sua história e a respeito do papel que lhe cabe no mundo. Uma das formas recorrentes do duplo fotográfico é colocar em cena as relações entre a fotografia e outros modos de aparecer das imagens. Em 15/02/1937, a página 9 da revista Life estampou uma das fotos mais famosas de Margaret Bourke-White: diante de um outdoor onde a família branca sorridente viaja de férias em seu carro, uma fila de homens e mulheres negros, refugiados das enchentes em Louisville (naquele ano, as
Leia Mais Ronaldo Entler | 7.nov.2011
Entre os gregos antigos, o herói precisava ter seus feitos cantados pelos poetas para merecer essa denominação. Isso quase sempre lhe custava a vida ainda jovem: a condição de seu heroísmo era a própria imagem idealizada de sua morte, tal e qual viria a ser desenhada pelo mito. A “bela morte” (kalòs thánatos) é, como sugere o historiador Jean-Pierre Vernant, um dos temas centrais da Ilíada de Homero (Vernant, “A bela morte e o cadáver ultrajado”).
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