Tema: Crítica

Chacal vs Capitão Nascimento

Ronaldo Entler | 15.nov.2010

Na semana passada, fui ver Carlos (2010), filme de Olivier Assayas que se apresenta como “ficção baseada em pesquisas jornalísticas”, e que conta a história do legendário terrorista venezuelano conhecido como Chacal. Produzido como minissérie pelo “Canal Plus”, rede francesa de TV, foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, assim como em Cannes, em sessões de quase seis horas de duração. Na semana anterior, havia assistido também a Tropa de Elite II (2010), de José Padilha, que dispensa apresentações. Ambos tratam da complexa relação entre política, corrupçãoLeia Mais

Rodtchenko e o estranhamento

Rubens Fernandes Junior | 8.nov.2010

O Instituto Moreira Salles, do Rio de Janeiro, realiza em parceria com a Pinacoteca do Estado de São Paulo a exposição Aleksandr Rodtchenko – revolução na fotografia. Este texto sintetiza minha apresentação no Seminário realizado na última semana, que reuniu pesquisadores, críticos e curadores para discutir a obra de Rodtchenko. Aleksandr Rodtchenko (1891–1956) foi o grande protagonista do construtivismo, movimento estético fundado por Vladimir Tátlin, em 1913, que tornou cosmopolita a arte russa, que passa a dialogar com a experiência abstrata européia que Kandisnsky iniciara em 1910. Rodtchenko foi oLeia Mais

Incubadora

Ronaldo Entler | 12.out.2010

Nesta quinta, dia 14/10, começaremos na Galeria Olido a exposição do Projeto Incubadora, do qual participo junto com Felipe Russo, gUi Mohallem, Breno Rotatori, Pio Figueiroa, Lua Cruz e Lucas Simões. Do que se trata? Quem estiver lá nesse dia, verá uma montagem inacabada de três trabalhos: Welcome Home, do gUi, Sopro, do Breno, e Borda, do Felipe. Também estaremos lá para um bate-papo. A exposição deverá se reconfigurar e, no dia 28/10, haverá uma nova abertura. A principal interface do projeto é um blog, onde se pode acompanhar o desenvolvimentoLeia Mais

Um momento especial para a fotografia

Rubens Fernandes Junior | 4.out.2010

Nunca na história da fotografia, nacional e internacional, vivemos um momento tão intenso como este. Pelo fato da fotografia passar por uma nova consolidação de seu suporte tecnológico, tem provocado uma atenção especial à sua produção. Sua legitimidade como manifestação artística e cultural é indiscutível e podemos assistir agora em São Paulo uma verdadeira explosão fotográfica de qualidade inquestionável. É possível acessar exposições em que a fotografia, moderna e contemporânea, ocupa espaços nobres da cidade e provoca nossa imaginação. O século XX possibilitou a consolidação da fotografia graças aos artistasLeia Mais
Três posts abaixo, eu falava da sobrevivência de um “valor de culto” na fotografia, emprestando de Barthes e Didi-Huberman a comparação com o Sudário de Turim, como forma de expressar um aspecto misterioso e sagrado que existe em algumas fotos. Zapeando a TV dias depois, parei num programa do Discovery Channel que falava extamente sobre o Sudário (na última experiência que tive com esse canal, aprendi muito sobre os possíveis resultados do duelo entre um urso polar e uma morsa). Nesses pseudo-documentários as coisas sempre adquirem um aspecto espetacular, comLeia Mais

Muita fotografia e vídeo na Bienal

Ronaldo Entler | 19.set.2010

Fui procurar saber o que haveria de fotografia na 29a Bienal de São Paulo: Guy Veloso, Jonathas de Andrade, Rochelle Costi, Rosangela Rennó, Miguel Rio Branco, Alice Miceli, Alfredo Jaar, Nan Goldin são nomes que consigo identificar na lista oficial de participantes. Certamente, há outros fotógrafos que não conheço, e artistas menos óbvios que eventualmente podem se aproximar dessa linguagem. Já se insinuou que a intensa presença da fotografia e do vídeo nas Bienais coincidia com a escassez de obras consagradas e com o fim dos “núcleos históricos”, sintomas deLeia Mais

Revista Nacional

Rubens Fernandes Junior | 13.set.2010

Sou um apaixonado por revistas. Tenho uma coleção das mais diversas. Do começo do século passado gosto da Kosmos, da Illustracao Brasileira, da Frou Frou, Brazil Magazine, entre outras revistas ilustradas que buscavam mostrar o Brasil do ponto de vista político, social e cultural. Depois disso guardo alguns exemplares da revista O Cruzeiro, a coleção da Revista S. Paulo, os primeiros cinco anos da revista Senhor e a coleção da Realidade. Ah, também tenho alguns exemplares da revista Bondinho. Além disso, as revistas especificas sobre fotografia. Mas confesso: a RevistaLeia Mais

Invisibilidades, recalques e revelações

Ronaldo Entler | 29.ago.2010

Na semana passada, tivemos no Senac Consolação o evento Estética do (In)visível, com a presença de Evgen Bavcar. Ele realizou uma palestra e integrou a exposição do projeto Alfabetização Visual, coordenado por João Kulcsár, que envolve deficientes visuais num trabalho de arte-educação com fotografia. Participei também da programação num debate com Fernando Fogliano. A provocação era falar do “invisível na fotografia”,  aí vai (mais ou menos) o que foi a minha fala. O acaso como espaço de descoberta de um olhar descentralizado A fotografia está marcada por um potencial comLeia Mais

Henri Cartier-Bresson – O século moderno

Rubens Fernandes Junior | 22.ago.2010

A editora Cosac Naify, num raro senso de oportunidade, publica o livro Henri Cartier-Bresson: o século moderno, simultaneamente à exposição que está em exibição no Museu de Arte Moderna de Nova York neste momento, dando nova visibilidade à importância da parceria estabelecida entre a editora e o MOMA. O livro, organização de Peter Galassi, que também assina a curadoria da mostra, permite-nos ter acesso não apenas às imagens de Cartier-Bresson (1908 – 2004), um dos nomes mais emblemáticos da fotografia produzida no século passado, como possibilita ampliar significativamente sua esferaLeia Mais

Luiz Braga – ruptura e contemplação

Rubens Fernandes Junior | 15.ago.2010

Luiz Braga é um fotógrafo diferenciado dentro da produção visual contemporânea brasileira. Primeiro, porque basicamente trabalha apenas na sua cidade, Belém, e no entorno; e depois, porque ao longo de mais de trinta anos, desenvolveu uma fotografia com características próprias, totalmente diversas daquela produzida em outras regiões do país. Suas raízes e seu conhecimento da cidade viabilizaram uma fotografia marcante, centrada na cor e na luz, elementos determinantes na construção de sua sintaxe. Ele acredita que o território do olhar é o seu espaço interior e isto potencializa sua fotografiaLeia Mais
Há 20 anos, fui processado pela universidade em que estudava, a PUC-SP, por causa de algumas fotos que fiz. Mais precisamente, porque eles queriam essas fotos. Eu estava numa aula, no meu último ano do curso de jornalismo, quando correu a notícia de que um grupo de alunos ocuparia a reitoria em protesto contra o aumento das mensalidades. Fotografei tudo: a articulação do grupo, o arrombamento da porta, a entrada dos alunos que ficaram ali acampados durante 16 dias, com direito a show do Tom Zé. Vendi algumas imagens eLeia Mais

Gabinete de Curiosidades

Rubens Fernandes Junior | 12.jul.2010

A exposição Apreensões, de Bob Wolfenson, no Centro Universitário Maria Antonia, me surpreendeu. Por inúmeras razões, que tentarei colocar em discussão, mas principalmente pela força das imagens que me tocaram tão profundamente. Como sabemos, Bob Wolfenson tem inegável reconhecimento na produção fotográfica associada à Moda, ao Retrato e ao Comportamento, com qualidade e originalidade incomuns. Mas, desde sua primeira exposição Minhas Amigas do Peito, realizada na Galeria Fotóptica, em 1989, demonstra uma disposição criativa para ampliar sua esfera de atuação. Para isso, basta lembrar suas últimas exposições – A CaminhoLeia Mais
Nesta copa, me chamou a atenção a performance dos jogadores que sofrem falta. São incríveis as quedas: com a potência de uma corrida, um pequeno toque do adversário pode gerar um salto acrobático, uma cambalhota no ar, ou um vôo com braços e pernas projetados, terminando com uma sequência incrível de rolamentos no chão. Claro, também o grito e a expressão de dor no rosto e, por algum tempo, a contorção ou a agitação desesperada. Talvez tenha sido sempre assim no futebol, a diferença está na nas tecnologias disponíveis, nasLeia Mais

Desorientações momentâneas ou estranhas serenidades

Rubens Fernandes Junior | 20.jun.2010

Na contemporaneidade, quando tudo parece conhecido e banalizado, o fotógrafo A. Saggese propõe uma nova reflexão sobre a imagem fotográfica. Ao contrário dos seus trabalhos anteriores, quando a discussão era sobre uma fotografia tecnicamente precisa e exageradamente perfeita, exigência de sua visão binocular, imperfeita, agora ele trabalha a partir de uma imagem digital gravada na memória da câmera. Isto significa que o registro não tem mais o compromisso com o referente. Saggese especula sobre a possibilidade da imagem representar mais do que nela está registrado. Relaciona intencionalmente natureza e belezaLeia Mais
Acompanhamos nas últimas semanas o debate em torno das restrições para exposição e publicação de obras de artistas importantes como Volpi, Lygia Clark e Hélio Oiticica, impostas por seus herdeiros. Nos bastidores, descobrimos ainda que as autorizações, quando dadas, podem incluir condições a respeito dos textos e debates que discutem os artistas. Vale lembrar também de restrições que instituições culturais privadas impõem à pesquisa de seus acervos, mesmo quando são adquiridos por meio de renúncia fiscal e, portanto, com dinheiro público. Esbarrei em algo parecido quando tentei publicar minha teseLeia Mais

Futebol e fotografia

Rubens Fernandes Junior | 6.jun.2010

Em semana de Copa do Mundo é inevitável falar de futebol. Há algumas semanas, fiz um comentário sobre Teatro e Fotografia, quando defendi que o fotógrafo tem uma participação diminuta na construção da imagem fotográfica teatral, já que há a direção de cena, a iluminação, a expressão corporal, entre outras variáveis que não são de seu controle e responsabilidade. No caso de um jogo de futebol, em que supostamente predomina a imprevisibilidade, a atenção do fotógrafo é fundamental para o registro do instante decisivo e efêmero da partida. Afora oLeia Mais

O que é fotográfico na fotografia?

Rubens Fernandes Junior | 24.maio.2010

[Publicado no Sabático, do jornal O Estado de São Paulo, em 17 de abril de 2010] Mesmo que tardia, a publicação do livro Estética da Fotografia – Perda e Permanência (1998), de François Soulages (Senac, 384 págs., R$ 75,00, tradução de Iraci D. Poleti e Regina Salgado Campos), é contribuição extraordinária para aqueles que se dedicam à pesquisa e à reflexão da fotografia no Brasil. O principal objetivo do autor, foi, independentemente do gênero – retrato, paisagem, fotografia de reportagem, nu, entre outros –, dar relevância tanto ao processo deLeia Mais

Multimídia tensa e multimídia relaxada

Ronaldo Entler | 18.abr.2010

Na semana passada tive uma boa conversa com o pessoal do Garapa, Leo Caobelli, Paulo Fehlauer e Rodrigo Marcondes. Eles contaram que, numa apresentação de seus trabalhos, alguém esbravejou afirmando que o que eles faziam não era multimídia, era apenas vídeo. A arte e a comunicação têm vivido nas últimas décadas um momento muito fértil, que convida a atravessar as fronteiras que separam uma linguagem da outra, uma técnica da outra. Daí vem a vocação para as produções que chamamos de multimídia. Reconheço nesse processo dois momentos distintos, um que tem aLeia Mais

"Pixo" na Bienal

Ronaldo Entler | 15.abr.2010

(… entre um post e outro, um pensamento em voz alta, mesmo deslocado dos nossos temas…) Mônica Bergamo noticiou na Folha Ilustrada de segunda-feira que o grupo de “pixadores” que fez um protesto na 28a Bienal de São Paulo foi convidado a integrar a 29a edição do evento. Naquela ocasião, o curador Ivo Mesquita criticou duramente a ação. Deixo aqui algumas dúvidas. O gesto de Moacir dos Anjos, atual curador, pode ser lido de modo ambíguo: pode representar a abertura do evento a manifestações não institucionalizadas, ou pode ser umaLeia Mais
Estereótipos Até ver sua exposição na semana passada (Espelho de Sombra e Luz, na Caixa Cultural da Sé, SP), eu mal tinha idéia de quem era Irina Ionesco. Em geral, isso não é problema, temos um mapa de experiências históricas que nos permite situar bem um artista, mesmo quando é desconhecido. Tentamos captar na obra o espírito de seu tempo, coisas que transpiram no estilo, na composição, no tratamento do tema, no uso de certas técnicas e materiais. Às vezes isso funciona, às vezes não. Quem chega como eu desavisadoLeia Mais