Terça-feira, Setembro 21, 2004

Síria

Salah malek pra voces! Primeiro quero mandar um beijo pro meu pai, praminha mae, pro Lula e pra todo mundo que esta lendo esse blog.

Estou em Damasco, escrevendo diretamente do eixo do mal. Nao encontrei ninguem da Al Qaeda e nem armas de destruicao em massa por aqui. Apenas uma salada que comi que me deixou de cama um dia. E tirando motoristas de taxi e empresas de onibus, o povo e' do bem. Dizem welcome o tempo todo e fazem questao de que voce seja bem recebido.

A viagem do Lula a Siria me ajudou em duas ocasioes, numa uma mulher me ajudou a comprar passagem de onibus, perguntou de onde era, depois de saber disse "we are friends, we are friends" e comentou da viagem do nosso presidente. Depois ela so' faltou viajar comigo, fez tudo pra que eu chegasse ao meu destino. Na outra , um policial ao ver meu passaporte disse "we love brazilian people" e tambem comentou do Lula. O cara me levou ate' onde precisava comprar o bilhete, fez tudo pra me ajudar.

Viajar pela Siria e' muito complicado. Pra comprar uma mera passagem de onibus e' preciso passaporte. Nao entendi como funcionava, as vezes "apenas" precisava mostrar meu passaporte pra comprar o bilhete, as vezes antes tinha que ir a um posto policial, pegar uma otorizacao com uma otoridade.

Alem disso, em algumas cidades quase ninguem fala ingles. Pior sao aqueles que acham que falam e nao falam nada, vc pergunta se vai chover e respondem que o Palmeiras perdeu o jogo, e isso em centros de informacao do governo para turistas. Aqui deu pra sofrer.

Mas viajar independente tem seu lado bom, a interacao com as pessoas. Fui ate um castelo das cruzadas: depois de pegar um onibus, dois mini-oninus eandar 4 km, cheguei no tal castelo. Na volta, num mini-onibus, conversava com um cara, ao descer na rodoviaria estava tocando musica arabe e comentei que gostava. Na mesma hora ele me deu dois cds de musica arabe, nao e' demais?! Isso e' a viagem, o castelo e' um pretexto.

No geral, um pais arabe e' igual ao nosso. Ha novelas iguais as do Globo, so' que com todo mundo vestido de arabe. Tem gibi do Pato Donald, so' que ele nao esta vestido de arabe, alias ele continua bem indecente para os padroes daqui. Uma diferenca e' que mostrar a sola do pe para alguem ofende, estava de pernas cruzadas e um cara gentimente me chamou a atencao.

Tenho um milhao de historias, vou deixar as melhores pra quando formos tomar cerveja. Vou contar so' a pior. Fui de Homs pra Palmyra, num onibus que parecia meu onibus escolar dos anos 70, so' que todo colorido e enfeitado. E' a mesma estrada que vai pro Iraque, isso nao tem nada demais, apenas ha um monte de postos militares no caminho. No onibus os militares usavam o revolver na cintura, parecia coisa de bandido, causou uma impressao estranha. Palmyra vale todo o esforco, o melhor lugar pra visitarna Siria. Sao umas ruinas no deserto, que sensacao maravilhosa andar por la. Ja que estava la, tive a ideia de girico de ir pra Deir El Zur, apenas a 30km da fronteira com Iraque. So' pra conhecer o rio Eufrates e ver como estavam as coisas. Essa parte da historia agora e' muito importante, espero que oBush esteja lendo. No onibus, o cara do banco da frente reclinou a poltrona, bateu no meu joelho e se desculpou. Vendo que era estrangeiro, perguntou de onde era, disse Brasil e ele ficou todo contente. Fez questao de me cumprimentar e mostrar o passaporte pra provar que era iraquiano.Falava ingles mais ou menos, estava voltando pro Iraque pra ver os pais. Olha, ja viajei de onibus nos EUA e essa preocupacao que ele teve em reclinar o banco nao existe la. Viu seu Bush, o que voce esta fazendo com esse povo?! O cara fez tudo pra me ajudar tambem. Cheguei em Dir Ez Zor, nunca me senti tao tenso em minha vida. TODO MUNDO olhava pra mim. Algumas pessoas vinham conversar e de novo, falar que era do Brasil ajudava. Tive que passar por uma rua onde havia umas pessoas com metralhadora na mao, acreditem. Nao estavam vestidos de policiais, na verdade eles guardavam uma casa que devia ser de alguem importante, nao tinha a menor ideia e tambem nao quis saber. Cheguei ao Rio Eufrates, mas nem deu pra relaxar, voltei meia hora depois, apos ser assediado a cada dois minutos.

Bom, amanha vou pra Jordania, onde espero continuar levando minha mensagem de paz aos povos do oriente medio.

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