{"id":9196,"date":"2016-02-18T18:52:50","date_gmt":"2016-02-18T18:52:50","guid":{"rendered":"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/?p=9196"},"modified":"2016-05-28T14:52:43","modified_gmt":"2016-05-28T14:52:43","slug":"a-diversidade-das-coisas-que-sao-as-mesmas-andrey-zignnatto-e-vincent-mauger","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/a-diversidade-das-coisas-que-sao-as-mesmas-andrey-zignnatto-e-vincent-mauger\/","title":{"rendered":"A diversidade das coisas que s\u00e3o as mesmas: Andrey Zignnatto e Vincent Mauger"},"content":{"rendered":"<p>A <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2016\/02\/1739895-artista-frances-acusa-brasileiro-andrey-zignnatto-de-plagiar-suas-esculturas.shtml\" target=\"_blank\">Folha de S. Paulo repercutiu\u00a0a pol\u00eamica envolvendo o jovem artista brasileiro Andrey Zignnatto<\/a>, que foi acusado pelo cr\u00edtico Maxence Alcalde de plagiar obras do franc\u00eas Vincent Mauger (&#8220;<a href=\"http:\/\/osskoor.com\/2015\/12\/16\/lepineuse-question-du-plagiat-dans-lart-contemporain\/\" target=\"_blank\">A espinhosa quest\u00e3o do pl\u00e1gio na arte contempor\u00e2nea<\/a>&#8220;). A conclus\u00e3o se baseia numa semelhan\u00e7a desconcertante e numa quest\u00e3o de cronologia: Mauger fez antes, Zignnatto fez depois. O texto n\u00e3o traz nenhum fato que demonstre que um artista conhecia a obra do outro. N\u00e3o conhe\u00e7o Zignnatto e n\u00e3o posso dizer de onde v\u00eam suas refer\u00eancias. Talvez se trate mesmo de pl\u00e1gio. Mesmo assim, acho que cabe deixar o espa\u00e7o para a d\u00favida, n\u00e3o tanto em benef\u00edcio do artista, mas em respeito \u00e0s exig\u00eancias do of\u00edcio da cr\u00edtica.<\/p>\n<div id=\"attachment_9198\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-9198\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-9198\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/8eff14_07dc8f467c764ccb9e716c40776a2e54-674x379.jpg\" alt=\"Andrey Zignnatto\" width=\"674\" height=\"379\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/8eff14_07dc8f467c764ccb9e716c40776a2e54-674x379.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/8eff14_07dc8f467c764ccb9e716c40776a2e54-360x202.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/8eff14_07dc8f467c764ccb9e716c40776a2e54-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/8eff14_07dc8f467c764ccb9e716c40776a2e54.jpg 840w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><p id=\"caption-attachment-9198\" class=\"wp-caption-text\">Andrey Zignnatto<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_9201\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-9201\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-9201\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/p10197671-1-674x506.jpg\" alt=\"Vincent Mauger\" width=\"674\" height=\"506\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/p10197671-1-674x506.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/p10197671-1-360x270.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/p10197671-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/p10197671-1.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><p id=\"caption-attachment-9201\" class=\"wp-caption-text\">Vincent Mauger<\/p><\/div>\n<p>Se h\u00e1 semelhan\u00e7a, h\u00e1 tamb\u00e9m na trajet\u00f3ria do artista brasileiro \u2013 que j\u00e1 trabalhou como ajudante de pedreiro \u2013 uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com o material que utiliza. Aquilo \u00e9 tijolo, antes de ser obra de arte. E esse tijolo, destacado como um tanto espec\u00edfico do\u00a0ponto de vista europeu \u2013 \u00e9 nosso corriqueiro \u201ctijolo baiano\u201d, aquele que\u00a0vemos todos os dias nas casas definitivamente inacabadas que comp\u00f5em nossa paisagem. A dissolu\u00e7\u00e3o de materiais que deveriam ser s\u00f3lidos e estruturantes \u00e9 algo que aparece no trabalho de muitos artistas, al\u00e9m de Mauger e Zignnatto, e chega mesmo a constituir um estilo da arquitetura que foi chamado de descontrutivismo. Antes dessas leituras eruditas, essas formas j\u00e1 estavam ao nosso redor, em tantas edifica\u00e7\u00f5es que j\u00e1 nasceram como ru\u00ednas.<\/p>\n<div id=\"attachment_9202\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-9202\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-9202\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/7c35bf1a-1b48-4fd3-82a4-ea612cfe1478-2060x1236-674x404.jpg\" alt=\"Frank Gehry. Edif\u00edcio, Dr. Chau Chak Wing, Austr\u00e1lia.\" width=\"674\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/7c35bf1a-1b48-4fd3-82a4-ea612cfe1478-2060x1236-674x404.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/7c35bf1a-1b48-4fd3-82a4-ea612cfe1478-2060x1236-360x216.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/7c35bf1a-1b48-4fd3-82a4-ea612cfe1478-2060x1236-768x461.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/7c35bf1a-1b48-4fd3-82a4-ea612cfe1478-2060x1236.jpg 1430w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><p id=\"caption-attachment-9202\" class=\"wp-caption-text\">Frank Gehry. Edif\u00edcio, Dr. Chau Chak Wing, Austr\u00e1lia.<\/p><\/div>\n<p>Quantas vezes, vendo trabalhos de alunos e de outros jovens artistas, reconhecemos aproxima\u00e7\u00f5es desconcertantes com trabalhos j\u00e1 consagrados. E, ent\u00e3o, j\u00e1 era? Ao contr\u00e1rio, o recado tem de ser: estude, confronte-se com essa produ\u00e7\u00e3o e encontre seu pr\u00f3prio lugar. Caso contr\u00e1rio, cederemos r\u00e1pido demais \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o \u2013 e ao chav\u00e3o \u2013 de que tudo j\u00e1 foi feito. Mas, \u00e9 verdade, continua sendo responsabilidade do artista buscar no mundo as experi\u00eancias com as quais, por acaso ou n\u00e3o, consciente ou inconscientemente, sua produ\u00e7\u00e3o dialoga. Antes da acusa\u00e7\u00e3o de pl\u00e1gio, essa tem que ser a bronca.<\/p>\n<p>Se lermos os coment\u00e1rios que se seguem ao post no blog de Alcade, veremos que um leitor comenta uma pol\u00eamica que envolveu o pr\u00f3prio artista franc\u00eas: ele pr\u00f3prio foi acusado de ter plagiado, em alguma de suas obras, o espanhol Miquel Barcelo, que tamb\u00e9m trabalhou com tijolos deformados. Isso n\u00e3o redimiria Zignnatto. Mas demonstra o quanto essa conversa pode n\u00e3o ter fim.<\/p>\n<div id=\"attachment_9197\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-9197\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-9197\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Miquel-Barcelo-exposa-Ceret_ARAIMA20130619_0176_3-1-674x519.jpg\" alt=\"Terra Ignis, de Miquel Barcelo\" width=\"674\" height=\"519\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Miquel-Barcelo-exposa-Ceret_ARAIMA20130619_0176_3-1-674x519.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Miquel-Barcelo-exposa-Ceret_ARAIMA20130619_0176_3-1-360x277.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Miquel-Barcelo-exposa-Ceret_ARAIMA20130619_0176_3-1-768x591.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Miquel-Barcelo-exposa-Ceret_ARAIMA20130619_0176_3-1.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><p id=\"caption-attachment-9197\" class=\"wp-caption-text\">Terra Ignis, de Miquel Barcelo<\/p><\/div>\n<p>Em <em>A transfigura\u00e7\u00e3o do lugar comum<\/em>, o fil\u00f3sofo Arthur Danto se imagina no papel de um curador, organizando uma exposi\u00e7\u00e3o que inclui uma s\u00e9rie de telas vermelhas de mesmo formato, realizadas por v\u00e1rios artistas. Com a devida seguran\u00e7a, ele identifica essas obras\u00a0como exemplares muito distintos da abstra\u00e7\u00e3o, de algumas linhagens da figura\u00e7\u00e3o, da apropria\u00e7\u00e3o, reconhece tamb\u00e9m uma tela inacabada e at\u00e9 mesmo um objeto de valor art\u00edstico duvidoso. Segundo Danto sugere em sua anedota, coisas\u00a0id\u00eanticas podem constituir obras muito distintas. E, antes disso, podem ou n\u00e3o constituir obras de arte. Porque tal\u00a0condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o cabe totalmente em sua mat\u00e9ria e em sua apar\u00eancia. \u00c9 justamente isso que permite a surpresa mesmo quando tudo parece j\u00e1 ter sido feito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Folha de S. 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