{"id":8703,"date":"2015-12-18T14:59:57","date_gmt":"2015-12-18T14:59:57","guid":{"rendered":"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/?p=8703"},"modified":"2022-12-04T13:50:59","modified_gmt":"2022-12-04T13:50:59","slug":"primeiras-licoes-de-hidrologia-e-outras-observacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/primeiras-licoes-de-hidrologia-e-outras-observacoes\/","title":{"rendered":"Primeiras li\u00e7\u00f5es de hidrologia &#8211; e outras observa\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_8723\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/IMG_0124.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8723\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8723 size-large\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/IMG_0124-674x506.jpg\" alt=\"IMG_0124\" width=\"674\" height=\"506\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/IMG_0124-674x506.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/IMG_0124-360x270.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/IMG_0124-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8723\" class=\"wp-caption-text\">O livro de Adelaide Iv\u00e1nova, &#8220;Erste Lektionen in Hydrologie (und andere Bemerkungen)&#8221;<\/p><\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/vodcabarata.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Adelaide Iv\u00e1nova<\/a> escreve. Escreve com tanta frequ\u00eancia, produz tanto, que, penso, escreve at\u00e9 mais do que vive. Seu texto \u00e9 urgente, imediato. Sempre com um gosto de uma conversa impulsiva. Suas palavras me chegam radiosas, incontrol\u00e1veis; ora machucadas, arranhadas, escapulidas de uma ebuli\u00e7\u00e3o qualquer.<\/p>\n<p>Mas este post aqui, na verdade, \u00e9 sobre um outro matiz de seu trabalho, um livro de fotografias recentemente publicado. <a href=\"http:\/\/adelaideivanova.com\/projects\/erste-lektionen-in-hydrologie-und-andere-bemerkungen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Primeiras li\u00e7\u00f5es de<\/em> <em>hidrologia &#8211; e outras observa\u00e7\u00f5es<\/em><\/a> \u00e9, ao mesmo tempo, um \u00e1lbum de fam\u00edlia e um guia cr\u00edtico do Recife. Adelaide mostra uma cidade atual impregnada por imagens que foram feitas bem antes de ela pr\u00f3pria nascer. E essa pesquisa hist\u00f3rica inclui fotografias de seu pai, a quem retrata pela reconstru\u00e7\u00e3o da trama que a constituiu afetivamente. Um autorretrato que abarca um antes, um tempo quando ela ainda n\u00e3o tinha maturidade para perceber-se, mas j\u00e1 experimentava as a\u00e7\u00f5es desse tecer. O trabalho \u00e9 atrevido e po\u00e9tico. Gesto art\u00edstico que se soma \u00e0 intelig\u00eancia indel\u00e9vel do olhar de uma filha sobre a hist\u00f3ria herdada. Narrativa fotogr\u00e1fica t\u00e3o contundente quanto a escrita de uma artista que volta \u00e0 vida no exerc\u00edcio de burilar-se.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_02.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8706 size-large\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_02-674x583.jpg\" alt=\"foto_02\" width=\"674\" height=\"583\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_02-674x583.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_02-360x312.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_02-768x665.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_02.jpg 1488w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No embate que, pessoalmente, travo com a fotografia, resta-me uma mem\u00f3ria sobre aquilo que n\u00e3o tive plenamente. A fotografia tem essa natureza. Cria m\u00e1gicas e soma coisas que costumamos tratar por separadas. Faz unir, em uma \u00fanica via de experimenta\u00e7\u00e3o, o que somos e aquilo a que renunciamos; o que testemunhamos e inventamos; o que seria a nossa vontade sempre t\u00e3o negada pelas nossas a\u00e7\u00f5es. A paix\u00e3o \u2013 ou depend\u00eancia \u2013 que tenho da fotografia \u00e9 a possibilidade de me confrontar comigo mesmo, com Juca (com quem sou casado), com os meus e todos e tudo o que amo, como finitos, como imagem. Falar de nossas vidas \u00e9, sobretudo, confirmar que a vida \u00e9 uma hist\u00f3ria<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Passei um tempo pensando e afirmando a fotografia como objeto. <em>Fotografar a fotografia <\/em>me perseguia como uma grande m\u00e1xima. Mas se \u00e9 para manter tal dicotomia, se \u00e9 para falar sobre n\u00f3s e o mundo como polos de um \u201centre\u201d onde as coisas acontecem, me sinto tentado a inverter os pap\u00e9is: a fotografia \u00e9 sujeito, pois eu mesmo sou objeto dela. A inquieta\u00e7\u00e3o posta em cena por essa linguagem chega com a consci\u00eancia de que s\u00f3 conseguimos ter alguma experi\u00eancia via imagem. E aqui falo tanto daquela que se cria em n\u00f3s, por mem\u00f3ria ou imagina\u00e7\u00e3o, quanto da imagem t\u00e9cnica, pela qual compartilho o impulso de fabricar realidades por um aparato que se compromete com o impreciso.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma ideia central que capto do livro de Adelaide: seu olhar \u00e9 um \u201cver-se\u201d, no sentido de ter uma vis\u00e3o externa de si e do Recife, um imaginar-se a partir de um recanto profundo, particular. A escritora que remonta viv\u00eancias imediatas, flagrantes mesmos dos dias, agora chega com uma fotografia mais suspensa, produtora de sentidos e de esquecimentos, sob uma edi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o perde o humor, a autoironia, mas se organiza como t\u00e9cnica de resguardar aquilo que a forma eticamente. Quando, agora, leio os seus textos, me vem um certo espa\u00e7o est\u00e9tico com composi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e satura\u00e7\u00e3o naturalista, como suas fotografias. E a fotografia suscita palavras que parecem procurar o percurso de um texto qualquer j\u00e1 escrito por ela.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_011.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8711 size-full\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Foto_08.jpg\" alt=\"Foto_08\" width=\"1483\" height=\"766\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Foto_08.jpg 1483w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Foto_08-360x186.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Foto_08-768x397.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Foto_08-674x348.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Foto_08-679x350.jpg 679w\" sizes=\"(max-width: 1483px) 100vw, 1483px\" \/><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8720 size-full\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_011.jpg\" alt=\"foto_01\" width=\"1484\" height=\"931\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_011.jpg 1484w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_011-360x226.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_011-768x482.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_011-674x423.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_011-280x177.jpg 280w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/foto_011-440x276.jpg 440w\" sizes=\"(max-width: 1484px) 100vw, 1484px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Adelaide Iv\u00e1nova escreve. E agora o texto se forma daquilo que bradam as fotografias. Palavras flutuando entre imagens que s\u00e3o concisas, como pedras repousadas em um leito, de fei\u00e7\u00e3o arredonda, trabalhadas pelo tempo, pela \u00e1gua. Leio-a para invocar uma voz art\u00edstica, as novidades que remontam. Em um tempo no qual a realidade n\u00e3o se deixa atravessar, nos resta ouvir os artistas desbravarem novos sentidos sobre aquilo que at\u00e9 j\u00e1 tem significado, mas por procedimentos que fazem surgir excessos, criam novas possibilidades, deixam o mundo denso, mas perme\u00e1vel. De onde \u00e9 poss\u00edvel, a\u00ed sim, se banhar nas \u00e1guas do real.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ivi.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8717 size-full\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ivi.jpg\" alt=\"ivi\" width=\"1000\" height=\"995\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ivi.jpg 1000w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ivi-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ivi-360x358.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ivi-768x764.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ivi-674x671.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/ivi-100x100.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma forma de conhecer o livro \u00e9 no\u00a0Vimeo de Joerg Colberg, o editor do site <a href=\"http:\/\/www.jmcolberg.com\/weblog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conscientious<\/a>:\u00a0<a href=\"https:\/\/vimeo.com\/133290131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/vimeo.com\/133290131<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Essa \u00e9 uma ideia que encontro em Bourdieu, \u201cfalar em hist\u00f3ria de vida \u00e9 pelo menos pressupor \u2013 e isso n\u00e3o \u00e9 pouco \u2013 que a vida \u00e9 uma hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adelaide Iv\u00e1nova escreve. 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