{"id":8603,"date":"2015-07-20T13:47:51","date_gmt":"2015-07-20T13:47:51","guid":{"rendered":"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/?p=8603"},"modified":"2022-12-04T13:49:19","modified_gmt":"2022-12-04T13:49:19","slug":"ao-vo-manoel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/ao-vo-manoel\/","title":{"rendered":"Ao v\u00f4 Manoel"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, 24 de junho de 2015.<\/p>\n<p>Oi v\u00f4,<\/p>\n<p>nesta carta, \u00e9 a voc\u00ea que quero expressar minha percep\u00e7\u00e3o sobre uma pesquisa recente que comp\u00f5e a exposi\u00e7\u00e3o Ver do Meio.<\/p>\n<p>Sinto que voc\u00ea desenhou a minha vida desde que deixou Jurema, fugido pelas disc\u00f3rdias na pol\u00edtica. Em Gravat\u00e1, para onde levou a fam\u00edlia, sua filha \u2013 minha m\u00e3e \u2013 conheceu meu pai. Meu pai descendente de italianos: Cal\u00e1bria Lapenda. Eu nasci em Recife. Adulto, parti para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Devo falar aqui sobre migra\u00e7\u00e3o e lembrei da gente. Em mim mora uma alma contaminada por diversas migra\u00e7\u00f5es e, em uma delas, est\u00e1 voc\u00ea. Esse trabalho que que tem a curadoria do professor Nelson Brissac e no qual tenho a companhia de mais dois fot\u00f3grafos, Arnaldo Pappalardo e Mauro Restiffe, tem tudo a ver, para mim, com o lado da sua migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_8605\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/X9A1244_80x120.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8605\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8605 size-large\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/X9A1244_80x120-674x449.jpg\" alt=\"_X9A1244_80x120\" width=\"674\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/X9A1244_80x120-674x449.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/X9A1244_80x120-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/X9A1244_80x120-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/X9A1244_80x120-90x60.jpg 90w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8605\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e3o Paulo<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_8606\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/X9A6347_60x90.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8606\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8606 size-large\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/X9A6347_60x90-674x449.jpg\" alt=\"_X9A6347_60x90\" width=\"674\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/X9A6347_60x90-674x449.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/X9A6347_60x90-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/X9A6347_60x90-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/X9A6347_60x90-90x60.jpg 90w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8606\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e3o Paulo<\/p><\/div>\n<p>Falar sobre movimentos migrat\u00f3rios em S\u00e3o Paulo \u00e9 desafiador. Essa cidade se constitui de vidas oriundas de lugares diversos. O mundo migra para c\u00e1 desde sempre. Ali\u00e1s, essa ideia de \u201csempre\u201d em S\u00e3o Paulo \u00e9 peculiar, pois aqui as coisas t\u00eam uma din\u00e2mica que deixam facilmente transparecer o que se percebe como provis\u00f3rio. Nas rela\u00e7\u00f5es, nas tradi\u00e7\u00f5es. A vida aqui se d\u00e1 num movimento que por vezes parece se anular: de t\u00e3o veloz, perde a forma. E o que entendemos por <em>sempre<\/em> n\u00e3o tem mais tanto valor de hist\u00f3ria, mas de intensidade, de mobilidade, de rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Numa conversa r\u00e1pida, v\u00f4, quero relacionar dois veios de migra\u00e7\u00f5es, e s\u00e3o aqueles que encontro facilmente dentro de mim. Dois lados que envolvem a minha natureza, j\u00e1 que descendo por voc\u00ea dos sert\u00f5es e pela minha av\u00f3 paterna da It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Ora me sinto filho de uma migra\u00e7\u00e3o que vejo enganosamente como her\u00f3ica, constitu\u00edda de uma cultura espec\u00edfica que ajudou a definir a maior e mais intensa cidade brasileira. Aqui falo de minha origem pelo vi\u00e9s daqueles que, como parte de mim, vieram pela Europa.<\/p>\n<p>Mesmo que esses europeus tenham aqui chegado por fuga, mesmo que um dia tenham sido v\u00edtimas, hoje, talvez, refletem bem sucedidos nomes em meio a uma cidade que tanto acumula derrotas. Um \u00edmpeto me faz enxergar mais imediatamente o meu lado europeu como facilitador nas regras que definem a sociabilidade na cidade em que vivo.<\/p>\n<p>J\u00e1 em voc\u00ea, v\u00f4 &#8211; ou com voc\u00ea em mim -, encontro uma outra face de migra\u00e7\u00e3o com a qual lido tamb\u00e9m. Voc\u00ea lembra outra face de imigrantes aqui de S\u00e3o Paulo. Aqueles que vieram do meio, do interior. Os que chegaram na cidade vindos do pr\u00f3prio Brasil. Desceram dos nordestes. Esses t\u00eam a fei\u00e7\u00e3o de uma migra\u00e7\u00e3o que muitas vezes \u00e9 percebida como menos her\u00f3ica, como se eles tivessem vindo por menos. Muitos deles servem como trabalhadores poucos capacitados. Trazem no sangue a marca dos mais nativos, aqueles explorados pelos colonizadores de nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Confesso, sinto-me ao meio, e vejo o protagonismo \u00f3bvio nas duas hist\u00f3rias que me constituem essencialmente. Trago nessa carta, v\u00f4, essas duas formas figuradas de migra\u00e7\u00e3o. Minha descend\u00eancia \u00e9 italiana, como tamb\u00e9m sou das primeiras gera\u00e7\u00f5es urbanas da fam\u00edlia. Meus pais tiveram o privil\u00e9gio de sair do interior para estudar no Recife. Dali, pulei para S\u00e3o Paulo, pois essa cidade, somente a cidade que acesso, delimitada pela zona oeste, prometia mais do que a minha capital natural. Aqui sou um tipo espec\u00edfico, meu sotaque \u00e9 cativante, me receberam bem. Moro h\u00e1 vinte anos, meus filhos aqui nasceram e vivemos, quase que exclusivamente, em apenas meia d\u00fazia de bairros, os que comp\u00f5em o centro expandido.<\/p>\n<p>Mas vejo muito voc\u00ea por aqui, v\u00f4, quando ando pela cidade ou acesso a periferia. Vejo voc\u00ea na maioria. Amo perceb\u00ea-lo. Tenho saudade da sua for\u00e7a, sua lida com o mato, com os bichos, sua ci\u00eancia de artes\u00e3o e a forma de se emocionar. Seu pouco, muito digno, vivido.<\/p>\n<div id=\"attachment_8612\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/IMG_9774_110x165.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8612\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8612 size-large\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/IMG_9774_110x165-674x449.jpg\" alt=\"IMG_9774_110x165\" width=\"674\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/IMG_9774_110x165-674x449.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/IMG_9774_110x165-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/IMG_9774_110x165-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/IMG_9774_110x165-90x60.jpg 90w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8612\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e3o Paulo<\/p><\/div>\n<p>Sou um fot\u00f3grafo com muitos anos de pr\u00e1tica na rua, na constru\u00e7\u00e3o de cenas que obrigam minha presen\u00e7a. Encontro pessoas com hist\u00f3rias densas. Essas pessoas me levam a outras e, assim, venho montando uma cadeia de encontros. Ultimamente, tenho caminhado por Heli\u00f3polis, Jardim Pantanal, Jardim Lapenna (Lapenda, como meu pai), Jardim Helena. E no centro de S\u00e3o Paulo, tenho visitado haitianos rec\u00e9m chegados, sul-americanos e africanos. Toda essa gente que vive \u00e0s margens dessa hist\u00f3ria que, no pa\u00eds, firma-se na exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Existe algo no ato de me aproximar bruscamente de um assunto, do qual sou dependente. Me fascina o desconforto da aproxima\u00e7\u00e3o sendo ela \u00edntima ou recente. Um olhar mais imediato que tende a se bastar pelo momento, aquilo que s\u00f3 irromper\u00e1 da poesia se a carne tocar a cena. E aqui, v\u00f4, mobilizo voc\u00ea em uma fotografia que mistura a mim, o fot\u00f3grafo, ao assunto. \u00c9 como dizer que fotografar \u00e9 um ato \u00edntimo, particular, uma a\u00e7\u00e3o, um gesto. Lentes curtas na escala de um caminhante e as imagens aparecem no embate de corpo, como pr\u00e1tica do vivido, contaminada pelas tens\u00f5es do risco que \u00e9 viver. E estou fotografando essas pessoas de uma forma que a luz daquele momento apare\u00e7a tamb\u00e9m como personagem na imagem.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da aproxima\u00e7\u00e3o com o tema, considero que sempre percebo a luz que irei imprimir, a que enxergo nas cenas. Mat\u00e9ria ou ferramenta, n\u00e3o sei ao certo. Mas a luz \u00e9 sempre presente como forma, como corpo que d\u00e1 um filtro po\u00e9tico ou expressivo. E, como o tema que venho fotografando \u00e9 socialmente comprometido (tento evitar transformar essa rela\u00e7\u00e3o entre luz e sombra como definidora de uma simbologia exata de sentidos &#8211; como vis\u00edvel ou invis\u00edvel, \u00f3bvio ou escondido, lembrado ou esquecido), a pergunta que me fa\u00e7o nessas caminhadas, v\u00f4, \u00e9: como gerar uma luz errante e ao mesmo tempo po\u00e9tica nas fotografias dessas pessoas? Como constituir esses retratos sociais impregnados por uma inten\u00e7\u00e3o que mobiliza a luz como mat\u00e9ria, colocando-a como parte do assunto fotografado?<\/p>\n<p>Como se direciona uma luz que se apresenta a mim quando estou numa favela, ou nos corti\u00e7os que abrigam imigrantes negros ou sul-americanos? E como dou corpo, materialidade a essa luz, n\u00e3o pela harmonia das formas, simplesmente, mas por uma disson\u00e2ncia pretendida? \u00c9 jogar no quadro um grito, criar um manifesto fotogr\u00e1fico, fazendo uso de algo irredut\u00edvel \u00e0 linguagem: a presen\u00e7a da luz ou, ainda, os matizes de sua aus\u00eancia.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>A luz \u00e9 como a \u00e1gua \u2014 respondi. (\u2026) Mergulharam como tubar\u00f5es mansos por baixo dos m\u00f3veis e das camas e resgataram do fundo da luz as coisas que durante anos\u00a0tinham-se perdido na escurid\u00e3o&#8221;.\u00a0<\/em><em>&#8211;<\/em> Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, em Doze Contos Peregrinos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m do assunto, da pessoa, a pr\u00f3pria luz do ambiente se torna mat\u00e9ria definidora, presente em excesso, \u00e0 frente como v\u00e9u ou, de fundo, deixando marcas de sua exist\u00eancia como t\u00e9cnica de express\u00e3o. E, v\u00f4, lembro da luz do interior de Pernambuco. Do choque que era romper da sombra \u00e0 luz naquela geografia extrema. Lembro de um mundo que se percebia no contraluz, de fechar parte dos olhos por n\u00e3o aguentar o excesso. Lembro que domin\u00e1-la era suportar as horas que demandava te acompanhar. Do alpendre \u00e0 horta existia uma fronteira a ser vencida, a de chegar ao sol.<\/p>\n<p>Identifico formalmente algo entre a luz e a sombra que me permite expressar uma rela\u00e7\u00e3o menos harm\u00f4nica, dissonante. Um espa\u00e7o no qual existe uma luz exagerada, um escuro impenetr\u00e1vel, ou mesmo uma luminosidade branda cortada por algum elemento que acende o quadro. E isso se torna presente nas fotografias como gr\u00e3o, ru\u00eddo de pixel, refra\u00e7\u00e3o, ou pequenas aberra\u00e7\u00f5es crom\u00e1ticas. Muitas vezes, o extremo da exposi\u00e7\u00e3o constitui uma materialidade sobre um arquivo digital que n\u00e3o suporta tal experimento. E, se h\u00e1 ru\u00eddos, \u00e9 para expressar que respeito os contrastes, dou a eles a autonomia de se somarem pelos atritos.<\/p>\n<div id=\"attachment_8610\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/20070614PF0072.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8610\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8610 size-large\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/20070614PF0072-674x449.jpg\" alt=\"\" width=\"674\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/20070614PF0072-674x449.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/20070614PF0072-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/20070614PF0072-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/20070614PF0072-90x60.jpg 90w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/20070614PF0072.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8610\" class=\"wp-caption-text\">Pernambuco<\/p><\/div>\n<p>V\u00f4, tenho algo que n\u00e3o se une facilmente. Tenho duas migra\u00e7\u00f5es dentro de mim. Eu tendo a ser muito mais uma que a outra. J\u00e1 as fotografias que produzo, essas que mostro aqui no <em>Ver do Meio<\/em>, imprimem um outro lado. E nelas aparece voc\u00ea.<\/p>\n<p>Nessa exposi\u00e7\u00e3o, te trouxe um pouco comigo. Calado, fazendo sem falar. Voc\u00ea \u00e9 o que entendo pela palavra for\u00e7a. Lembro, voc\u00ea morreu em 1994 e ali eu come\u00e7ava minha intensa jornada na fotografia. Quando li o texto de Nelson Brissac sobre <em>Ver do Meio<\/em>, s\u00f3 pensei em ver de dentro. E consegui mesmo foi pensar no espa\u00e7o que habitas em mim.<\/p>\n<div id=\"attachment_8613\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Screen-Shot-2015-07-15-at-2.37.06-PM.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8613\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8613 size-large\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Screen-Shot-2015-07-15-at-2.37.06-PM-674x447.jpg\" alt=\"Screen Shot 2015-07-15 at 2.37.06 PM\" width=\"674\" height=\"447\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Screen-Shot-2015-07-15-at-2.37.06-PM-674x447.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Screen-Shot-2015-07-15-at-2.37.06-PM-360x239.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Screen-Shot-2015-07-15-at-2.37.06-PM-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Screen-Shot-2015-07-15-at-2.37.06-PM-90x60.jpg 90w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Screen-Shot-2015-07-15-at-2.37.06-PM.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8613\" class=\"wp-caption-text\">Pernambuco<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Este texto foi elaborado\u00a0para\u00a0uma fala em uma das atividades da exposi\u00e7\u00e3o Ver do Meio, no Instituto Tomie Ohtake.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, 24 de junho de 2015. Oi v\u00f4, nesta carta, \u00e9 a voc\u00ea que quero expressar minha percep\u00e7\u00e3o sobre uma pesquisa recente que comp\u00f5e a exposi\u00e7\u00e3o Ver do Meio. Sinto que voc\u00ea desenhou a minha vida desde que deixou Jurema, fugido pelas disc\u00f3rdias na pol\u00edtica. Em Gravat\u00e1, para onde levou a fam\u00edlia, sua filha \u2013 minha m\u00e3e \u2013 conheceu meu pai. Meu pai descendente de italianos: Cal\u00e1bria Lapenda. Eu nasci em Recife. Adulto, parti para S\u00e3o Paulo. Devo falar aqui sobre migra\u00e7\u00e3o e lembrei da gente. 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