{"id":8529,"date":"2015-06-09T12:39:52","date_gmt":"2015-06-09T12:39:52","guid":{"rendered":"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/?p=8529"},"modified":"2016-05-28T13:17:22","modified_gmt":"2016-05-28T13:17:22","slug":"sobre-fantasmas-e-nomenclaturas-parte-3-fotolivros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/sobre-fantasmas-e-nomenclaturas-parte-3-fotolivros\/","title":{"rendered":"Sobre fantasmas e nomenclaturas [parte 3]: fotolivros"},"content":{"rendered":"<p>Nunca entendi exatamente porque passamos a chamar os livros de fotografia de fotolivros. Foi na ocasi\u00e3o do <i>I Forum Latinoamericano de Fotografia<\/i> (Itaucultural, 2007) que ouvi o termo pela primeira vez, quando se esbo\u00e7ava a pesquisa que culminaria na publica\u00e7\u00e3o de <i>Fotolivros latino americanos<\/i> (Organiza\u00e7\u00e3o de Hor\u00e1cio Fernandez. Cosac Naify, 2011). Esse levantamento \u00e9 por si mesmo uma conquista. Depois disso, a movimenta\u00e7\u00e3o que se criou no Brasil em torno da ideia do fotolivro foi incrivelmente produtiva. Discutiu-se mais do que nunca a import\u00e2ncia da edi\u00e7\u00e3o na fotografia, surgiram tamb\u00e9m editoras, eventos, editais, mostras e pr\u00eamios dedicados aos livros de fotografia. Criou-se uma teia que conectou fot\u00f3grafos, editores, escritores, diretores de arte. E, neste exato momento, autores e pequenas editoras pressionam todas as pontas desse mercado (das gr\u00e1ficas \u00e0s distribuidoras) para ampliar o acesso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e a circula\u00e7\u00e3o das obras publicadas. Ou seja, junto com o termo <i>fotolivro<\/i> gestava-se uma cadeia de acontecimentos que j\u00e1 mostrou seus efeitos.<\/p>\n<div id=\"attachment_8532\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/fotolivros-latino-americanos.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8532\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-8532\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/fotolivros-latino-americanos-674x374.jpg\" alt=\"Fotolivros Latino Americanos (frame do v\u00eddeo do Est\u00fadio Madalena: https:\/\/vimeo.com\/85957014)\" width=\"674\" height=\"374\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/fotolivros-latino-americanos-674x374.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/fotolivros-latino-americanos-360x200.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/fotolivros-latino-americanos-768x426.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/fotolivros-latino-americanos.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8532\" class=\"wp-caption-text\">Fotolivros Latino Americanos, de Hor\u00e1cio Fernandes (org.). Frame do <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/85957014\">v\u00eddeo do Est\u00fadio Madalena<\/a>.<\/p><\/div>\n<p>Palavras n\u00e3o s\u00e3o neutras (este \u00e9 o pressuposto desta s\u00e9rie intitulada \u201cSobre fantasmas e nomenclaturas\u201d, que j\u00e1 abordou os termos \u201c<a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/sobre-fantasmas-e-nomenclaturas-parte-1-ensaio-autoral\/\" target=\"_blank\">ensaio autoral<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/sobre-fantasmas-e-nomenclaturas-parte-2-portfolio\/\" target=\"_blank\">portf\u00f3lio<\/a>\u201d). Palavras t\u00eam a for\u00e7a de um gesto capaz de transformar nossa rela\u00e7\u00e3o com aquilo que denominam. Elas demarcam aquilo que desejam representar mas, seja pelo que afirmam em demasia, seja pelo que denegam, invocam tamb\u00e9m alguns fantasmas. Reconhecidas todas as conquistas dos fotolivros, vale pensar alguns riscos que esse gesto traz consigo.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O termo <i>fotolivro<\/i> chega para n\u00f3s, povavelmente, como tradu\u00e7\u00e3o do ingl\u00eas <i>photobook<\/i> que, em outros pa\u00edses, j\u00e1 caracterizava o esfor\u00e7o de popularizar a produ\u00e7\u00e3o de livros de fotografia, em princ\u00edpio, sem discernir entre os projetos elaborados por artistas e os \u00e1lbuns em formato brochura voltados para o consumo popular. Essa indistin\u00e7\u00e3o ainda assombra aqueles que investem no campo mais erudito e estetizado do fotolivro: basta colocar <i>photobook<\/i> no Google para ver que o termo ainda atende ao mercado da fotografia de viagens, anivers\u00e1rios, casamentos, batizados.<\/span><\/p>\n<p>Independentemente disso, \u00e9 insuficiente justificar a ado\u00e7\u00e3o do termo pela conveni\u00eancia de traduzi-lo de outra l\u00edngua. J\u00e1 t\u00ednhamos no portugu\u00eas uma boa denomina\u00e7\u00e3o: livro de fotografia, termo consolidado, acolhedor,\u00a0e que j\u00e1 apontava para uma produ\u00e7\u00e3o que nunca deixou de nos interessar.<\/p>\n<p>De fato, o s\u00e9culo XX construiu uma bel\u00edssima hist\u00f3ria com os livros de fotografia, abarcando tamb\u00e9m muita pesquisa e experimenta\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica. O\u00a0novo termo se porta de forma acolhedora diante\u00a0dessa hist\u00f3ria mas, ainda assim, parece haver uma invers\u00e3o de autoridade.\u00a0Uma par\u00e1bola: certa vez Marcelo Tas, no papel do rep\u00f3rter Ernesto Varela, entrou de penetra numa festa do Congresso Nacional. Ele \u00a0abordava os pol\u00edticos diante das c\u00e2meras dizendo: \u201cSenador, Ministro, obrigado por ter vindo ao lan\u00e7amento do meu programa\u201d. Na d\u00favida, os congressistas agradeciam e felicitavam o rep\u00f3rter (<i><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=o6gGctV1U3E\" target=\"_blank\">O mundo no ar<\/a><\/i>, 1986, TV Manchete). Se passar por anfitri\u00e3o de uma festa alheia foi uma \u00f3tima piada. Eis que um dia, sem cerim\u00f4nias,\u00a0come\u00e7amos a falar de <em>Os Americanos<\/em>, esse bel\u00edssimo fotolivro que Robert Frank realizou em 1958<i>.<\/i><\/p>\n<p>Sem demarcar claramente qualquer distin\u00e7\u00e3o est\u00e9tica quanto aos bons e velhos livros de fotografia, e sem motivos para renegar essa tradi\u00e7\u00e3o, resta o esfor\u00e7o de dar uma hist\u00f3ria retroativa ao fotolivro, isto \u00e9, de fazer com que ele abarque tamb\u00e9m uma experi\u00eancia que j\u00e1 havia demonstrado sua for\u00e7a muito antes e independentemente desse termo.<\/p>\n<p>H\u00e1 o argumento de que \u00e9 importante distinguir o \u201clivro de fotografia\u201d do \u201clivro sobre fotografia\u201d ou do \u201clivro com fotografias\u201d. Mas essa distin\u00e7\u00e3o sempre foi suficientemente clara: h\u00e1 quase um s\u00e9culo a fotografia pensa a p\u00e1gina do livro como um de seus lugares de exist\u00eancia, e n\u00e3o apenas como um espa\u00e7o para que seja comentada. Por mais que a fotografia nunca tenha deixado de negociar sua conviv\u00eancia com as outras artes, \u00e9 ineg\u00e1vel que, no s\u00e9culo XX, ela se identificou mais com a p\u00e1gina impressa do que com a \u201cforma-quadro\u201d (uma forma pensada para a parede da galeria ou do museu), como diz Jean-Fran\u00e7ois Chevrier (<i>Une autre objectivit\u00e9<\/i>, 1989).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 for\u00e7oso imaginar que o fotolivro surge para atender \u00e0 demanda recalcada de experimenta\u00e7\u00e3o com o formato livro. A hist\u00f3ria do livro deu mostras suficientes de que \u00e9 capaz de acolher um universo muito amplo de experimenta\u00e7\u00f5es. Desde o s\u00e9culo XIX, o <i>Lance de dados<\/i>(1857), de Mallarm\u00e9, \u00a0j\u00e1 convidava a pensar a p\u00e1gina e a impress\u00e3o gr\u00e1fica como elemento constituinte do poema. Com o projeto inacabado de seu <i>Livre<\/i>, ele imaginou uma performance de leitura que envolvia a recombina\u00e7\u00e3o das p\u00e1ginas e um complexa estrat\u00e9gia de rearticula\u00e7\u00e3o do texto. Al\u00e9m da forma tradicional do <i>c\u00f3dice <\/i>(o texto encadernado), o livro j\u00e1 foi desconstru\u00eddo e reconstru\u00eddo de muitos modos: \u00e0s vezes ele \u00e9 dobradura, \u00e0s vezes ele \u00e9 caixa, pacote, escultura, tela eletr\u00f4nica etc.<\/p>\n<div id=\"attachment_8542\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Mallarme-Livre2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8542\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8542\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Mallarme-Livre2.jpg\" alt=\"Notas preparat\u00f3rias para o Livre, de Stephan Mallarm\u00e9. \" width=\"650\" height=\"474\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Mallarme-Livre2.jpg 650w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Mallarme-Livre2-360x263.jpg 360w\" sizes=\"(max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8542\" class=\"wp-caption-text\">Notas preparat\u00f3rias para o Livre, de Stephan Mallarm\u00e9.<\/p><\/div>\n<p>Por volta da d\u00e9cada de 1960, os artistas passaram a acolher mais sistematicamente o livro como forma final de seus trabalhos. O livro de artista \u00e9, por si mesmo, efeito de um momento de transgress\u00f5es que permitiram aos artistas explorar formatos e linguagens diversas, sem a necessidade de se justificar perante da\u00a0tradi\u00e7\u00e3o de cada uma delas. Assim, encontramos exemplos c\u00e9lebres de livros de artista baseados em fotografias feitos por criadores que nunca estiveram preocupados em se denominar fot\u00f3grafos. Poder\u00edamos\u00a0ter tomado\u00a0essa abertura como o fim dos embates entre arte e fotografia mas, ao contr\u00e1rio, demoramos algumas d\u00e9cadas para incorporar essas experi\u00eancias a uma \u201chist\u00f3ria da fotografia\u201d. \u00c9 verdade que o termo <i>livro de artista<\/i> soa pedante e reivindica explicitamente a reauratiza\u00e7\u00e3o de um objeto que se identifica profundamente com a cultura de massa. Algumas experi\u00eancias com o fotolivro se aproximam do car\u00e1ter objetual do livro de artista mas, em geral, se identifica mais com o potencial de circula\u00e7\u00e3o do livro convencional. Para dar conta da rela\u00e7\u00e3o entre fotografia, livro de artista e fotolivro, vale conhecer a pesquisa\u00a0de Fernanda Grigolin, <i><a href=\"http:\/\/fernandagrigolin.com\/pesquisalivros\/#.VXRPilxVikp\" target=\"_blank\">Experi\u00eancias de artistas: aproxima\u00e7\u00f5es entre a fotografia e o livro<\/a><\/i>, e o artigo de Let\u00edcia Lapert, <i><a href=\"http:\/\/www.dobrasvisuais.com.br\/2015\/06\/fotolivro-ou-livro-de-artista-eis-a-questao-por-leticia-lampert\/\" target=\"_blank\">Fotolivro ou livro de artista: eis a quest\u00e3o<\/a> <\/i>(apresentadas, respectivamente, na convocat\u00f3ria do III e do IV Encontro Pensamento\u00a0e Reflex\u00e3o\u00a0na Fotografia, em 2014 e 2015).<\/p>\n<div id=\"attachment_8533\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/429.2008.a-bbbS.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8533\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-8533\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/429.2008.a-bbbS-674x408.jpg\" alt=\"Ed Ruscha. Every building on the Sunset Strip (livro de artista), 1966.\" width=\"674\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/429.2008.a-bbbS-674x408.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/429.2008.a-bbbS-360x218.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/429.2008.a-bbbS-768x465.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/429.2008.a-bbbS-440x266.jpg 440w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/429.2008.a-bbbS.jpg 991w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8533\" class=\"wp-caption-text\">Ed Ruscha. Every building on the Sunset Strip (livro de artista), 1966.<\/p><\/div>\n<p>At\u00e9 aqui, entre as incertezas sobre aquilo que o fotolivro\u00a0quer distinguir\u00a0e a\u00a0produ\u00e7\u00e3o de grande valor que essa palavra\u00a0denomina, resta um saldo positivo. Mas existem ainda\u00a0alguns fantasmas a exorcizar.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O termo parece ser parte de um esfor\u00e7o de demarcar, dentro da produ\u00e7\u00e3o editorial ou art\u00edstica, um espa\u00e7o pr\u00f3prio da fotografia. O movimento do fotolivro &#8211; movimento n\u00e3o no sentido est\u00e9tico, mas de esfor\u00e7o conjunto \u2013 ajuda a dar visibilidade aos livros de fotografia, mas \u00e9 sintoma da mesma cis\u00e3o que nos faz, ainda hoje, pensar que h\u00e1 uma \u201chist\u00f3ria da arte\u201d e uma \u201chist\u00f3ria da fotografia\u201d, uma \u201ccr\u00edtica de arte\u201d e uma \u201ccr\u00edtica de fotografia\u201d, \u201cmostras de arte\u201d e \u201cmostras de fotografia\u201d, \u201ceventos de arte\u201d e \u201ceventos de fotografia\u201d. Quando digo sintoma, quero dizer que isso n\u00e3o \u00e9 necessariamente consciente. De um modo ou de outro, n\u00e3o vejo ganho nenhum em demarcar um lugar para o fotolivro face a grande inser\u00e7\u00e3o que o livro \u2013 o velho livro, que pode ser de literatura, de arte ou de fotografia \u2013 tem na nossa cultura.<\/span><\/p>\n<p>Penso que teria sido mais interessante se os esfor\u00e7os se concentrassem em fazer a fotografia transitar com mais flu\u00eancia num mercado editorial amplo, nos eventos liter\u00e1rios que j\u00e1 come\u00e7am a discutir a presen\u00e7a da imagem nos livros, no mercado da arte contempor\u00e2nea por onde o livro de artista j\u00e1 transita h\u00e1 d\u00e9cadas. Foi importante debater o fotolivro, mas foi uma pena t\u00ea-lo transformado numa pauta espec\u00edfica dos eventos de fotografia. O livro sempre foi um territ\u00f3rio de grande liberdade e de intera\u00e7\u00e3o entre linguagens. Mais do que explorar esse potencial, conduzimos toda essa movimenta\u00e7\u00e3o como uma esp\u00e9cie de causa (no sentido sindical do termo), como a defesa de uma classe profissional, como exlta\u00e7\u00e3o\u00a0de uma certa arte face \u00e0s outras artes.<\/p>\n<p>Num ambiente art\u00edstico mais amplo, o fotolivro continua sendo \u201cessa coisa do pessoal da fotografia\u201d com a qual outros p\u00fablicos e outros artistas pouco se identificam. De fato, as publica\u00e7\u00f5es alavancadas por toda essa movimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegaram \u00e0s livrarias dos museus ou das Bienais, e os fot\u00f3grafos continuam sendo os grandes consumidores de fotolivros. S\u00e3o os pr\u00f3prios fot\u00f3grafos os que mais se empolgam com as novas publica\u00e7\u00f5es, s\u00e3o essencialmente\u00a0eles que estouram seus or\u00e7amentos para comprar os livros dos amigos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, \u00e9 muito produtivo o esfor\u00e7o de pequenas editoras e de artistas independentes em colocar seus produtos em feiras culturais que simplesmente n\u00e3o distinguem entre fotolivros, livros de artista, zines, produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria independente, e um universo de objetos que se mostram capazes de dialogar com a produ\u00e7\u00e3o editorial. Ali, talvez, um p\u00fablico maior tome contato com os fotolivros na mesma medida em que ignoram esse termo.<\/p>\n<div id=\"attachment_8531\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/feiraplana.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8531\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-8531\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/feiraplana-674x321.jpg\" alt=\"Feira Plana, MIS-SP, 2015. Foto de Igor Arume\" width=\"674\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/feiraplana-674x321.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/feiraplana-360x171.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/feiraplana-768x365.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/feiraplana.jpg 1112w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8531\" class=\"wp-caption-text\">Feira Plana, MIS-SP, 2015. Foto de Igor Arume<\/p><\/div>\n<p>No artigo j\u00e1 mencionado, Leticia Lampert diz: \u201carrisco dizer que o melhor fotolivro que passou pelas minhas m\u00e3os nos \u00faltimos tempos foi <i>Palomar<\/i>, de \u00edtalo Calvino\u201d. Lembro tamb\u00e9m que, numa palestra de Cristiano Mascaro, algu\u00e9m na plateia lhe perguntou que leitura recomendaria para algu\u00e9m que estava come\u00e7ando na fotografia. Mascaro respondeu: Machado de Assis. H\u00e1 nessas falas provocativas uma li\u00e7\u00e3o: assim como dever\u00edamos nos concentrar em levar o livro de fotografia para outros tantos lugares, al\u00e9m daqueles frequentados pelos fot\u00f3grafos, dever\u00edamos ter nos eventos de fotografia um pouco mais de espa\u00e7o para os livros de arte, de literatura, de filosofia.<\/p>\n<p>O interesse crescente\u00a0pelos\u00a0livros de fotografia n\u00e3o \u00e9 um acontecimento\u00a0ef\u00eamero, porque h\u00e1 de fato qualidade no que se produz. Exatamente por isso, essa experi\u00eancia merece ultrapassar o territ\u00f3rio demasiadamente demarcado que fomentou sua efervesc\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 saud\u00e1vel respeitar os dialetos que se formam espontaneamente em cada lugar, mas sempre existe o risco de fazer da celebra\u00e7\u00e3o de um idioma um instrumento de isolamento. Em contrapartida, se a capacidade de\u00a0di\u00e1logo for reconquistada, a\u00ed sim, tanto faz se chamaremos de fotolivros ou livros de fotografia. Mais uma par\u00e1bola, na voz de Fred Astaire e Ginger Rogers&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/130150560\" width=\"480\" height=\"360\" frameborder=\"0\" title=\"Let&#039;s Call the Whole Thing Off (Fred Astaire &amp; Ginger Rogers)\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h5><strong>Let&#8217;s call the whole thing off<\/strong> (George and Ira Gershwin, 1937)<\/h5>\n<h5>Things have come to a pretty pass,<br \/>\nOur romance is growing flat,<br \/>\nFor you like this and the other<br \/>\nWhile I go for this and that.<br \/>\nGoodness knows what the end will be;<br \/>\nOh, I don&#8217;t know where I&#8217;m at&#8230;<br \/>\nIt looks as if we two will never make\u00a0one,<br \/>\nSomething must be done&#8230;<\/h5>\n<h5>You say either and I say either<br \/>\nYou say neither and I say neither<br \/>\nEither, either, neither, neither<br \/>\nLet&#8217;s call the whole thing off<\/h5>\n<h5>You eat potato and I eat potato<br \/>\nYou say tomato, I say tomato<br \/>\nPotato, potato, tomato, tomato<br \/>\nLet&#8217;s call the whole thing off<\/h5>\n<h5>But oh, if we call the whole thing off then we must part<br \/>\nAnd oh, if we ever part then that might break my heart<\/h5>\n<h5>So, if you like\u00a0pajamas and I like\u00a0pajamas<br \/>\nI&#8217;ll wear pajamas and give up pajamas<br \/>\nFor we know we need eachother so we<br \/>\nBetter call the calling off, off<br \/>\nOh, let&#8217;s call the whole thing off<\/h5>\n<h5>You say laughter and I say laughter<br \/>\nYou say after and I say after<br \/>\nLaughter, laughter, after, after,<br \/>\nLet&#8217;s call the whole thing off<\/h5>\n<h5>You like\u00a0havana and I like\u00a0havana<br \/>\nYou eat banana and I eat banana<br \/>\nHavana, Havana, banana, banana<br \/>\nLet&#8217;s call the whole thing off<\/h5>\n<h5>But oh, if we call the whole thing off then we must part<br \/>\nAnd oh, if we ever part then that might break my heart<\/h5>\n<h5>So, if you like\u00a0oysters and I like\u00a0oysters<br \/>\nI&#8217;ll take\u00a0oysters and give up oysters<br \/>\nFor we know we need eachother so we<br \/>\nBetter call the calling off, off<br \/>\nOh, let&#8217;s call the whole thing off<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca entendi exatamente porque passamos a chamar os livros de fotografia de fotolivros. Foi na ocasi\u00e3o do I Forum Latinoamericano de Fotografia (Itaucultural, 2007) que ouvi o termo pela primeira vez, quando se esbo\u00e7ava a pesquisa que culminaria na publica\u00e7\u00e3o de Fotolivros latino americanos (Organiza\u00e7\u00e3o de Hor\u00e1cio Fernandez. Cosac Naify, 2011). Esse levantamento \u00e9 por si mesmo uma conquista. Depois disso, a movimenta\u00e7\u00e3o que se criou no Brasil em torno da ideia do fotolivro foi incrivelmente produtiva. Discutiu-se mais do que nunca a import\u00e2ncia da edi\u00e7\u00e3o na fotografia, surgiram tamb\u00e9m editoras, eventos, editais, mostras e pr\u00eamios dedicados aos livros de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8531,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[835,834],"tags":[1017,342,485,1016,1018],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8529"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8529"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8529\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8548,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8529\/revisions\/8548"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8531"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}