{"id":8369,"date":"2015-04-06T11:48:22","date_gmt":"2015-04-06T11:48:22","guid":{"rendered":"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/?p=8369"},"modified":"2016-05-28T13:16:12","modified_gmt":"2016-05-28T13:16:12","slug":"o-sal-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/o-sal-da-terra\/","title":{"rendered":"O Sal da Terra: sincronizar a imagem e a voz de um drama"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/122442246\" width=\"1024\" height=\"576\" frameborder=\"0\" title=\"O SAL DA TERRA trailer\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>O Sal da Terra<\/em> (2014) n\u00e3o \u00e9 um filme sobre fotografia, \u00e9 um filme sobre um fot\u00f3grafo. \u00c9 a homenagem a Sebasti\u00e3o Salgado conduzida\u00a0pelo filho, Juliano Salgado, em parceria com Wim Wenders. O document\u00e1rio \u00e9 pontuado por depoimentos de familiares e por coment\u00e1rios de Wenders, mas est\u00e1 essencialmente centrado na prosa bem articulada de Sebasti\u00e3o Salgado. Ele fala das viagens, dos cen\u00e1rios dram\u00e1ticos que conheceu, da rela\u00e7\u00e3o com alguns personagens e do contexto social e pol\u00edtico dos conflitos a que assistiu.<\/p>\n<div id=\"attachment_8371\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/w964.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8371\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8371 size-large\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/w964-674x439.jpg\" alt=\"w964\" width=\"674\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/w964-674x439.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/w964-360x235.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/w964-768x500.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/w964-90x60.jpg 90w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/w964.jpg 964w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8371\" class=\"wp-caption-text\">Wim Wenders e Sebasti\u00e3o Salgado, em O Sal da Terra<\/p><\/div>\n<p>As fotos\u00a0est\u00e3o l\u00e1, com sua exuber\u00e2ncia potencializada pela tela grande. Mas n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para discutir o modo como Salgado pensa a fotografia, como constr\u00f3i sua linguagem, como opera sua t\u00e9cnica. Wim Wenders se refere a ele como artista, Salgado prefere falar de seu trabalho como reportagens. Mas as imagens simplesmente\u00a0surgem prontas. N\u00e3o sabemos como seus projetos s\u00e3o planejados, n\u00e3o vemos de que modo as fotos s\u00e3o escolhidas, editadas, expostas, como elas se inserem no mercado e onde s\u00e3o publicadas, para al\u00e9m dos livros que encerram cada grande projeto.\u00a0Quando Salgado aponta diretamente para alguma delas, \u00e9 do lugar e dos personagens que quer falar, nunca propriamente da imagem. Um coment\u00e1rio de ordem est\u00e9tica aparece de forma incidental, durante a graciosa apari\u00e7\u00e3o de um urso que obriga o fot\u00f3grafo e sua equipe a se trancar numa cabana. Sussurrando, ele explica porque o animal, visto assim de perto pela janela, n\u00e3o render\u00e1 uma boa foto: \u201cvoc\u00ea tem um documento do urso mas n\u00e3o tem uma foto&#8230; n\u00e3o tem nada atr\u00e1s para compor a foto, para ajudar no quadro\u201d.<\/p>\n<p>Uma introdu\u00e7\u00e3o biogr\u00e1fica, acompanhada de imagens de arquivo, fala de sua juventude, seu casamento com L\u00e9lia, a ida para a Fran\u00e7a, sua aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 fotografia e o nascimento dos filhos. E, ao longo do filme, temos um pouco de sua performance com a c\u00e2mera, em passagens breves, mas suficientes para mostrar o cuidado que tem\u00a0nessa tarefa de se aproximar de comunidades esquecidas\u00a0e fragilizadas. Com todas as dist\u00e2ncias implicadas, ele parece\u00a0se fazer acolher por\u00a0aqueles que fotografa. Empatia! \u00c9 disso que o filme trata e \u00e9 atrav\u00e9s disso que cativa seu\u00a0p\u00fablico.\u00a0Mas o document\u00e1rio\u00a0deixa um abismo entre\u00a0a ideia por tr\u00e1s de\u00a0cada projeto\u00a0e o gesto de tomada de uma foto. A fotografia continua sendo apenas essa arte da boa composi\u00e7\u00e3o, dos bons instantes e das intui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se explicam. Nessa arte sem processo, quando queremos enxergar o fazer de um autor, o que resta \u00e9 uma curiosidade sobre sua\u00a0performance: como se veste, quais as express\u00f5es de seu rosto, como ele observa a cena, como segura a c\u00e2mera, como caminha, como se porta diante das coisas. O filme sacia essa curiosidade com uma movimenta\u00e7\u00e3o\u00a0extravagante: Salgado com a c\u00e2mera em punho, rolando e serpenteando no ch\u00e3o com agilidade e discri\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o assustar o grupo de morsas que quer registrar.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio \u00e9 feito para o grande p\u00fablico, um p\u00fablico muito maior do que o dos fot\u00f3grafos, maior tamb\u00e9m do que o dos cin\u00e9filos que acompanharam a trajet\u00f3ria mais experimental de Wim Wenders. N\u00f3s \u2013 que fazemos ou pesquisamos a imagem\u00a0\u2013 temos que conferir o que o nome mais celebrado da fotografia brasileira tem a dizer, mas podemos levar nossos amigos, filhos, tios. \u00c9 para eles que o fot\u00f3grafo fala. Desde <em>Buena Vista Social Club <\/em>(1999), pelo menos, Wenders se dedica a projetos documentais voltados para um p\u00fablico amplo. Se nos encantamos com <em>Pina<\/em> (2011), \u00e9 exatamente porque ele evitou falar para especialistas em dan\u00e7a. Ali, n\u00f3s \u00e9ramos apenas\u00a0os amigos, filhos, tios de algu\u00e9m que entendia da coisa. Aprendemos um pouco sobre dan\u00e7a contempor\u00e2nea, e nos sentimos acolhidos num tema distante da nossa rotina. Assim \u00e9 <em>O Sal da Terra<\/em> para o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Mesmo assim, em <em>Pina<\/em>, o modo como <a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/pina-3d-as-profundidades-do-cinema\/\" target=\"_blank\">o filme emula na tela o espa\u00e7o do palco da dan\u00e7a<\/a> \u00e9 mais rico do que a mimetiza\u00e7\u00e3o entre fotografia e cinema que vemos aqui: com alguma frequ\u00eancia, as cenas captadas para o filme reproduzem o preto e branco dram\u00e1tico de Salgado; em contrapartida, para transformar imagens est\u00e1ticas em cinema, os diretores acrescentam a elas uma sonoplastia quase did\u00e1tica, com sons de f\u00e1bricas, bichos, pessoas. O di\u00e1logo mais forte entre o cinema e a fotografia est\u00e1 no retrato de Salgado: uma face branca, com cabelos raspados e sobrancelhas espessas, que flutua contra um fundo preto enquanto fala, e que ajuda a dar ao fot\u00f3grafo uma aura mon\u00e1stica.<\/p>\n<div id=\"attachment_8376\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Sebastiao_Potrait.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8376\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8376 size-large\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Sebastiao_Potrait-674x376.jpg\" alt=\"Sebastiao_Potrait\" width=\"674\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Sebastiao_Potrait-674x376.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Sebastiao_Potrait-360x201.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Sebastiao_Potrait-768x429.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Sebastiao_Potrait-679x380.jpg 679w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Sebastiao_Potrait.jpg 1272w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8376\" class=\"wp-caption-text\">Sebasti\u00e3o Salgado em fotograma do filme O Sal da Terra<\/p><\/div>\n<p>Se o filme n\u00e3o \u00e9 pensado para especialistas, \u00e9 menos ainda para uma gera\u00e7\u00e3o de fot\u00f3grafos\u00a0que precisaram se libertar dos mestres para se colocar em di\u00e1logo com a arte contempor\u00e2nea. Salgado se encontra hoje numa posi\u00e7\u00e3o ingrata: \u00e9 cl\u00e1ssico demais para inspirar os jovens artistas, \u00e9 atuante demais para ser visto como hist\u00f3ria. Na dificuldade de afirmar de modo assertivo o que \u00e9 a fotografia contempor\u00e2nea, com frequ\u00eancia, apelamos para esses mestres para tentar defini-la por oposi\u00e7\u00e3o: a fotografia contempor\u00e2nea recusa o culto ao instante de Cartier-Bresson, recusa o humanismo dram\u00e1tico de Sebasti\u00e3o Salgado. E houve tempos em que, para afirmar uma ideia de fotografia constru\u00edda, recusou radicalmente qualquer tipo de apelo documental. Essa denega\u00e7\u00e3o mostra o quanto nosso discurso ainda paga seu tributo aos cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p>Pessoalmente, gosto do projeto\u00a0<em>\u00caxodo<\/em>, n\u00e3o exatamente pelas\u00a0imagens, mas pela\u00a0tese que o livro traz sobre a globaliza\u00e7\u00e3o: os deslocamentos das popula\u00e7\u00f5es t\u00eam mais a ver com ex\u00edlio do que com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo sem fronteiras. Acompanhei seus outros trabalhos, e foi com algum esfor\u00e7o que percorri <em>G\u00eanesis<\/em>, sua \u00faltima exposi\u00e7\u00e3o. Mas, para al\u00e9m de minhas predile\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso reconhecer a import\u00e2ncia desse autor. As d\u00favidas que colocamos sobre sua fotografia pertence\u00a0ao debate mais ou menos herm\u00e9tico\u00a0que estabelecemos com a\u00a0arte contempor\u00e2nea. Mas a fotografia n\u00e3o nos pertence. Ela est\u00e1 nas paredes das casas, nos jornais e revistas, nos \u00e1lbuns de fam\u00edlia, nas redes sociais e, agora, nas salas de cinema. O p\u00fablico amador \u2013 que se comove com o filme e que j\u00e1 coloca sobre a mesa da sala seus primeiros \u201cfotolivros\u201d \u2013 \u00e9 parte leg\u00edtima de uma cultura fotogr\u00e1fica ampla da qual os artistas contempor\u00e2neos tamb\u00e9m se alimentam.<\/p>\n<p>Como t\u00edtulo, <em>O Sal da Terra<\/em> n\u00e3o \u00e9 apenas um trocadilho com um sobrenome. Refere-se a uma passagem do Novo Testamento (Mateus, 5:13) que, somada ao vocabul\u00e1rio b\u00edblico que nomeia os projetos (<em>\u00caxodo<\/em>, <em>G\u00eanesis<\/em>), empresta ao fot\u00f3grafo certo\u00a0car\u00e1ter messi\u00e2nico. Nessa\u00a0passagem o evangelho, Jesus se refere ao homem perseguido e injusti\u00e7ado como aquele a quem pertence o reino do c\u00e9us e como o sal\u00a0que d\u00e1 sabor \u00e0 terra. Mas Jesus aponta tamb\u00e9m o risco desse sal tornar-se ins\u00edpido e ser descartado. A fala de Sebasti\u00e3o Salgado percorre par\u00e1bola semelhante. Seu trabalho como fot\u00f3grafo come\u00e7a como uma \u201chomenagem ao homem\u201d e culmina com o desencanto pela esp\u00e9cie: \u201co homem \u00e9 um animal terr\u00edvel\u201d, conclui ele. H\u00e1 de se buscar uma reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_8378\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/03.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8378\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-8378\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/03-674x493.jpg\" alt=\"Sebasti\u00e3o Salgado, G\u00eanesis,  2004\" width=\"674\" height=\"493\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/03-674x493.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/03-360x263.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/03-768x562.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/03.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8378\" class=\"wp-caption-text\">Sebasti\u00e3o Salgado, G\u00eanesis, 2004<\/p><\/div>\n<p>Essa \u00e9 a hora de Salgado voltar para sua casa, de recompor e reflorestar a paisagem da fazenda em que nasceu (por meio do \u201cInstituto Terra\u201d, criado\u00a0por sua esposa). \u00c9 tamb\u00e9m o momento de buscar a origem da vida (<em>G\u00eanesis<\/em>); cantos imaculados do planeta que permitam enxergar os tra\u00e7os de um para\u00edso\u00a0que foi perdido na hist\u00f3ria do homem. Nesses cen\u00e1rios, o fot\u00f3grafo percebe que descendemos das mesmas formas\u00a0primitivas de vida que deram origem a todos esses animais que permanecem puros. Como sugere, somos \u201cprimos\u201d daquela tartaruga de Gal\u00e1pagos. Se eles vivem em harmonia, tamb\u00e9m podemos. A mesma linguagem \u2013 a fotografia \u2013 que mostra a crueza da esp\u00e9cie, \u00e9 capaz de reencontrar a beleza de que somos originalmente feitos. Nas tartarugas, nos le\u00f5es marinhos, nas baleias, Salgado reencontra a mesma cordialidade dos habitantes da Guin\u00e9-Papua, dos Andes e da Eti\u00f3pia. Em nenhum desses lugares, a presen\u00e7a da c\u00e2mera imp\u00f5e algum tipo de conflito. Enquanto nos mostra os imaculados \u00edndios Zo\u2019e compondo sua pose, ou o gorila curioso com seu pr\u00f3prio reflexo na lente, o filme parece construir a tese de que os seres vivos t\u00eam uma disposi\u00e7\u00e3o inata para oferecer sua imagem \u00e0queles que v\u00eam em paz.<\/p>\n<p>Quem vai ao cinema ver <em>O Sal da Terra<\/em>\u00a0provavelmente j\u00e1 se comoveu um dia com algumas dessas imagens. A compet\u00eancia\u00a0do document\u00e1rio\u00a0est\u00e1 em encontrar em Salgado um rosto e uma voz perfeitamente modulados a esse sentimento. O filme\u00a0n\u00e3o ir\u00e1 afetar a afinidade\u00a0que j\u00e1 constru\u00edmos\u00a0ou\u00a0a paci\u00eancia que j\u00e1 perdemos\u00a0com\u00a0esse tipo discurso dram\u00e1tico.\u00a0E se n\u00e3o encontrarmos ali\u00a0o trabalho mais marcante de Wim Wenders, se\u00a0Salgado n\u00e3o for\u00a0nosso fot\u00f3grafo preferido, ainda assim, haver\u00e1 algumas boas\u00a0hist\u00f3rias para escutar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sal da Terra (2014) n\u00e3o \u00e9 um filme sobre fotografia, \u00e9 um filme sobre um fot\u00f3grafo. \u00c9 a homenagem a Sebasti\u00e3o Salgado conduzida\u00a0pelo filho, Juliano Salgado, em parceria com Wim Wenders. O document\u00e1rio \u00e9 pontuado por depoimentos de familiares e por coment\u00e1rios de Wenders, mas est\u00e1 essencialmente centrado na prosa bem articulada de Sebasti\u00e3o Salgado. Ele fala das viagens, dos cen\u00e1rios dram\u00e1ticos que conheceu, da rela\u00e7\u00e3o com alguns personagens e do contexto social e pol\u00edtico dos conflitos a que assistiu. As fotos\u00a0est\u00e3o l\u00e1, com sua exuber\u00e2ncia potencializada pela tela grande. 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