{"id":8242,"date":"2014-12-16T20:59:26","date_gmt":"2014-12-16T20:59:26","guid":{"rendered":"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/?p=8242"},"modified":"2016-05-28T13:18:31","modified_gmt":"2016-05-28T13:18:31","slug":"benjamin-barthes-aura-punctum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/benjamin-barthes-aura-punctum\/","title":{"rendered":"Benjamin, Barthes. Aura, Punctum."},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_8244\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/benjamin-barthes.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8244\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8244 size-large\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/benjamin-barthes-674x451.jpg\" alt=\"benjamin-barthes\" width=\"674\" height=\"451\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/benjamin-barthes-674x451.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/benjamin-barthes-360x241.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/benjamin-barthes-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/benjamin-barthes-90x60.jpg 90w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/benjamin-barthes.jpg 771w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8244\" class=\"wp-caption-text\">Walter Benjamin | Roland Barthes<\/p><\/div>\n<p>Muitas vezes ficamos tentados a comparar os pensamentos de Benjamin e Barthes sobre a fotografia*. Uma primeira identifica\u00e7\u00e3o entre eles est\u00e1 na for\u00e7a\u00a0po\u00e9tica de seus textos, com passagens t\u00e3o bem resolvidas em suas formas\u00a0quanto inesgot\u00e1veis em seus sentidos.\u00a0<em>A pequena hist\u00f3ria da fotografia<\/em> (Benjamin, 1931) e <em>A c\u00e2mara clara <\/em>(Barthes, 1980) transitam entre a cr\u00f4nica e a teoria, porque suas an\u00e1lises se constroem a partir de viv\u00eancias muito rentes \u00e0s imagens que discutem. Num artigo chamado \u201cA c\u00e2mara clara: outra pequena hist\u00f3ria da fotografia\u201d (2008), Geoffrey Batchen observa que ambos os textos demarcam o lugar e a import\u00e2ncia de um olhar amador sobre a fotografia, recusam as pretens\u00f5es de uma narrativa totalizante e prop\u00f5em, em lugar disso,\u00a0 falar da hist\u00f3ria da fotografia a partir de algumas poucas imagens que atravessam suas subjetividades.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o cit\u00e1-lo diretamente, sabemos que Barthes leu Benjamin (cf. <a href=\"http:\/\/theconversant.org\/?p=8017\" target=\"_blank\">Russel Stephens<\/a>). Parte das imagens que aparecem em <em>A c\u00e2mara clara<\/em>\u00a0foi retirada de uma edi\u00e7\u00e3o especial do jornal \u201cL\u2019Observateur\u201d (nov.\/1977), que traz tamb\u00e9m uma tradu\u00e7\u00e3o de <em>A pequena hist\u00f3ria da fotografia<\/em>, sob o t\u00edtulo de \u201cOs analfabetos do futuro\u201d.<\/p>\n<p>Parece haver, sobretudo, um espa\u00e7o comum\u00a0entre os conceitos de <em>aura<\/em>, que Benjamin constr\u00f3i de modo fragment\u00e1rio ao longo de\u00a0v\u00e1rios textos, e de <em>punctum<\/em>, que Barthes introduz justamente em <em>A c\u00e2mara clara<\/em>. Sobre isso, compartilho\u00a0algumas intui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ambos t\u00eam a ver com o reconhecimento de uma manifesta\u00e7\u00e3o\u00a0singular na imagem: o \u201c\u00fanico\u201d (Benjamin), o \u201cisso\u201d (Barthes); ambos se referem a um fen\u00f4meno que depende do acaso: \u201ca pequena centelha do acaso, do aqui e agora, com a qual a realidade chamuscou a imagem\u201d (Benjamin), \u201cesse acaso que, nela [a foto], me punge\u201d (Barthes).<\/p>\n<p>Constituem ainda um gesto que parte das pr\u00f3prias coisas: a experi\u00eancia de ser visado pelo objeto (Benjamin, <em>Sobre alguns temas em Baudelaire<\/em>); e de ser tocado pelo objeto (Barthes).\u00a0 Nesse sentido, Benjamin e Barthes se identificam profundamente com a \u201cmem\u00f3ria involunt\u00e1ria\u201d de Proust, autor que ambos citam e conhecem em profundidade.<\/p>\n<p>A <em>aura<\/em> e o\u00a0<em>punctum<\/em>\u00a0revelam\u00a0uma temporalidade complexa que sobrep\u00f5e um\u00a0evento ocorrido\u00a0e suas pot\u00eancias: \u201co lugar impercept\u00edvel em que o futuro se aninha ainda hoje em minutos \u00fanicos, h\u00e1 muito extintos\u201d (Benjamin), \u201cisso ser\u00e1 e isso foi\u201d (Barthes).<\/p>\n<p>Ambos\u00a0sugerem tamb\u00e9m uma tens\u00e3o entre &#8220;proximidade&#8221; e &#8220;dist\u00e2ncia&#8221;. Mas, quanto a isso, \u00e9 preciso resguardar a diferen\u00e7a que persiste nessa semelhan\u00e7a. A pista j\u00e1 est\u00e1 em Benjamin, quando distingue aura e rastro: \u201co rastro \u00e9 a apari\u00e7\u00e3o de uma proximidade, por mais long\u00ednquo esteja aquilo que o deixou. A aura \u00e9 a apari\u00e7\u00e3o de algo long\u00ednquo, por mais pr\u00f3ximo que esteja aquilo que a evoca. No rastro, apoderamo-nos da coisa; na aura, ela se apodera de n\u00f3s\u201d (Benjamin, <em>Passagens<\/em>).<\/p>\n<p>Pela <em>aura<\/em>, abre-se na superf\u00edcie do objeto uma fissura que conduz o olhar a\u00a0um lugar distante: a imagem est\u00e1 ali, diante dos olhos, mas aquilo que nela se materializa parece pertencer a outro espa\u00e7o, metaf\u00edsico, no caso dos objetos sagrados; ou parece pertencer a outro tempo, \u00e0 hist\u00f3ria, no caso dessa aura que sobrevive a um\u00a0uso laico das imagens. \u00a0Pelo <em>punctum<\/em>, a imagem restitui a sensa\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a, portanto, de proximidade de um ser e um tempo distantes. No caso de Barthes, \u201capoderar-se da coisa\u201d n\u00e3o significa ter controle\u00a0do <em>punctum<\/em>,\u00a0mas recuperar por meio de sua ocorr\u00eancia um\u00a0espa\u00e7o de uma conv\u00edvio intenso\u00a0com aquilo que est\u00e1\u00a0ausente (sua m\u00e3e).<\/p>\n<p>S\u00e3o movimentos que se identificam\u00a0mais por serem espelhados do que semelhantes. Em todo caso, os riscos apenas aumentam quando\u00a0acreditamos que esses autores podem se explicar reciprocamente. Quanto mais\u00a0pedimos socorro a um para tentar escavar os\u00a0enigmas do outro, mais\u00a0camadas acrescentamos ao problema que esperamos\u00a0resolver.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p>* Os riscos aqui s\u00e3o meus, mas as inquieta\u00e7\u00f5es para essa aproxima\u00e7\u00e3o nascem da escuta recente de Maur\u00edcio Lissovsky, Olg\u00e1ria Matos, Leda Ten\u00f3rio, e das conversas com Filipe Barrocas, no contexto do ciclo de palestras \u201cE agora, fotografia?\u201d, realizado no Sesc Belenzinho e no Sesc Consola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas vezes ficamos tentados a comparar os pensamentos de Benjamin e Barthes sobre a fotografia*. 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