{"id":8214,"date":"2014-10-06T17:53:29","date_gmt":"2014-10-06T17:53:29","guid":{"rendered":"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/?p=8214"},"modified":"2017-03-01T12:24:37","modified_gmt":"2017-03-01T12:24:37","slug":"portrait-gallery-os-rostos-e-os-nomes-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/portrait-gallery-os-rostos-e-os-nomes-da-historia\/","title":{"rendered":"Portrait Gallery: os rostos e os nomes da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_8233\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/2014_Paris__5418.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8233\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-8233\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/2014_Paris__5418-674x449.jpg\" alt=\"National Portrait Gallery, Londres. Foto: Isis Gasparini, 2014\" width=\"674\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/2014_Paris__5418-674x449.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/2014_Paris__5418-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/2014_Paris__5418-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/2014_Paris__5418-90x60.jpg 90w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8233\" class=\"wp-caption-text\">National Portrait Gallery, Londres. Foto: Isis Gasparini, 2014<\/p><\/div>\n<p>Dentro da tradi\u00e7\u00e3o das academias de arte, o retrato sempre teve um lugar relativamente digno, um pouco abaixo da pintura de cenas hist\u00f3ricas, mas acima da paisagem e da natureza morta. Distante da concep\u00e7\u00e3o institucionalizada de arte que resultou nessa hierarquiza\u00e7\u00e3o, o retrato tinha tamb\u00e9m uma fun\u00e7\u00e3o utilit\u00e1ria: era parte de rituais que permitiam dar ao sujeito uma posi\u00e7\u00e3o social de destaque e gerir a mem\u00f3ria que seria deixada para a posteridade. \u00c9 o mesmo ritual que a fotografia veio a popularizar\u00a0no s\u00e9culo XIX, dando ao pequeno burgu\u00eas a chance de pleitear a condi\u00e7\u00e3o de sujeito de pequenas narrativas que mereceriam ser lembradas. Hoje, reconhecemos ainda na fotografia esse car\u00e1ter utilit\u00e1rio do retrato: um \u00e1lbum de fam\u00edlia ou as fotos compartilhadas nas redes ainda fazem parte de um esfor\u00e7o de mem\u00f3ria. J\u00e1\u00a0na pintura, o retrato parece ter migrado\u00a0definitivamente para o territ\u00f3rio da arte, onde a\u00a0representa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, a obra tem prioridade sobre o personagem retratado.<\/p>\n<p>A National Portrait Gallery de\u00a0Londres \u00e9, sem d\u00favida, um museu que se organiza como institui\u00e7\u00e3o de arte. Fundada em 1856, essa institui\u00e7\u00e3o\u00a0resiste a pensar o retrato fora de sua fun\u00e7\u00e3o de registro, de documento, de agenciamento da narrativa hist\u00f3rica. A principal evid\u00eancia disso \u00e9 que as obras s\u00e3o identificadas primeiro pelos personagens retratados e, em seguida, pelos autores. Na se\u00e7\u00e3o dedicada aos Tudors (s\u00e9culos XV a XVII), por exemplo, podemos dar\u00a0rosto a muitos nomes que aprendemos\u00a0nas aulas de hist\u00f3ria (Henrique V, Henrique VIII, Elizabeth I&#8230;)\u00a0gra\u00e7as a\u00a0pinturas cujos autores n\u00e3o chegaram a\u00a0merecer qualquer registro. Isso significa que o que se praticava ali era um protocolo oficial, executada por um funcion\u00e1rio do reino. N\u00e3o se trata de arte, no sentido moderno do termo.<\/p>\n<p>Visitando o museu em julho de 2014, encontrei concess\u00f5es em dois pequenos nichos do espa\u00e7o expositivo, um dedicado \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de uma obra do alem\u00e3o Holbein, outro, ao \u00fanico autorretrato do pintor flamengo\u00a0Van Dyck, adquirido recentemente pelo museu gra\u00e7as a uma campanha que mobilizou contribui\u00e7\u00f5es de empresas e cidad\u00e3os. Nesses casos, todo\u00a0o\u00a0destaque recai sobre os pintores. Mas vale lembrar que esses dois artistas\u00a0passaram parte de sua vida profissional na Inglaterra e se tornaram personagens\u00a0de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<div id=\"attachment_8224\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Anthony-Van-Dyck-oil-on-canvas-circa-1640.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8224\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-8224\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Anthony-Van-Dyck-oil-on-canvas-circa-1640-360x440.jpg\" alt=\"Anthony Van Dyck, autorretrato, 1640\" width=\"360\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Anthony-Van-Dyck-oil-on-canvas-circa-1640-360x440.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Anthony-Van-Dyck-oil-on-canvas-circa-1640.jpg 654w\" sizes=\"(max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8224\" class=\"wp-caption-text\">Anthony Van Dyck, autorretrato, 1640<\/p><\/div>\n<p>Nas exposi\u00e7\u00f5es permanentes da Portrait Gallery, os retratos s\u00e3o organizados em grandes grupos cronol\u00f3gicos e, dentro de cada per\u00edodo, eventualmente separados por temas: reis e suas fam\u00edlias (sempre situados em suas respectivas dinastias), nobres, militares, cientistas, pensadores, artistas etc. O que encontramos l\u00e1 \u00e9, num primeiro momento, a hist\u00f3ria do Reino Unido, uma hist\u00f3ria um tanto oficial, \u00e9 verdade, contada pelos personagens que tiveram autoridade suficiente para garantir a produ\u00e7\u00e3o e a sobreviv\u00eancia de seus retratos. H\u00e1 muitos rostos insignificantes para o p\u00fablico, mas devidamente nomeados e identificados com sua\u00a0patentes e compet\u00eancias, e h\u00e1 rar\u00edssimos an\u00f4nimos. Nesse investimento um tanto ufanista, temos uma oportunidade interessante de pensar a imagem fora da autonomia reivindicada pela nossa no\u00e7\u00e3o de arte. Esse\u00a0museu \u00e9, sem d\u00favida, a celebra\u00e7\u00e3o de um g\u00eanero pict\u00f3rico, mas tamb\u00e9m, da \u201cgrande linhagem\u201d que forma essa na\u00e7\u00e3o. Navegando pelo site, vejo que est\u00e1 agora\u00a0em cartaz a exposi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria <em>Royals: then &amp; now<\/em>, que se prop\u00f5e a atualizar a hist\u00f3ria da fam\u00edlia real com retratos de seus membros mais recentes.\u00a0N\u00e3o sou capaz de fazer esse julgamento, mas fico pensando sobre o espa\u00e7o\u00a0que pode existir\u00a0nesse\u00a0discurso institucional para\u00a0as tens\u00f5es hist\u00f3ricas de um reino que se tornou &#8220;unido&#8221; \u00e0s custas de guerras que, ainda hoje, exibem suas\u00a0cicatrizes.<\/p>\n<div id=\"attachment_8218\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Queen-Elizabeth-I-circa-1588.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8218\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-8218\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Queen-Elizabeth-I-circa-1588-360x455.jpg\" alt=\"Rainha Elizabeth I, autor desconhecido, c. 1588\" width=\"360\" height=\"455\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8218\" class=\"wp-caption-text\">Rainha Elizabeth I, autor desconhecido, c. 1588<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_8222\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Prince-William-Duke-of-Cambridge-Prince-Harry-by-Nicola-Jane-Philipps-2009.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8222\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-8222\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Prince-William-Duke-of-Cambridge-Prince-Harry-by-Nicola-Jane-Philipps-2009-360x335.jpg\" alt=\"Pr\u00edncipe William e Pr\u00edncipe Harry, por Nicola Jane Philipps, 2009\" width=\"360\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Prince-William-Duke-of-Cambridge-Prince-Harry-by-Nicola-Jane-Philipps-2009-360x335.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Prince-William-Duke-of-Cambridge-Prince-Harry-by-Nicola-Jane-Philipps-2009-768x715.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Prince-William-Duke-of-Cambridge-Prince-Harry-by-Nicola-Jane-Philipps-2009-674x628.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Prince-William-Duke-of-Cambridge-Prince-Harry-by-Nicola-Jane-Philipps-2009.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8222\" class=\"wp-caption-text\">Pr\u00edncipe William e Pr\u00edncipe Harry, por Nicola Jane Philipps, 2009. Obra da exposi\u00e7\u00e3o <em>Royals: Then &amp; Now<\/em><\/p><\/div>\n<p>O museu abriga uma cole\u00e7\u00e3o paralela \u00a0de 250 mil negativos e impress\u00f5es\u00a0fotogr\u00e1ficas originais, mas as fotografias\u00a0que fazem parte daquilo que chamam de &#8220;cole\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria&#8221; seguem\u00a0a mesma l\u00f3gica: no acervo dispon\u00edvel para consulta no site, encontramos autores importantes como Fox Talbot, a dupla David Octavius Hill e Robert Adamson, Man Ray, Cecil Beaton, Lucia Moholy, Gis\u00e8le Freund, representados ali n\u00e3o tanto pelos\u00a0trabalhos que fazem deles autores, mas por imagens encomendadas que\u00a0mostram sempre rostos not\u00e1veis. Personagens an\u00f4nimos aparecem apenas quando est\u00e3o ao lado de figuras importantes (\u201cFulano de tal e outros dois\u201d). Em contrapartida, h\u00e1 tamb\u00e9m muitos retratos feitos por \u201cfot\u00f3grafos desconhecidos\u201d. Na visita ao site,\u00a0um personagem me chamou aten\u00e7\u00e3o: Sidney James Webb (1859-1947), o Bar\u00e3o de Passfield, fundador da London School of Economy. Ele aparece em uma centena de retratos desse acervo &#8211; feitos por fot\u00f3grafos identificados ou n\u00e3o -, em poses muito variadas, \u00e0s vezes tomadas em sequencia. Vemos\u00a0nesse conjunto um esfor\u00e7o consciente do retratado\u00a0de negociar sua condi\u00e7\u00e3o de celebridade, assim seu lugar nos discursos da hist\u00f3ria.<\/p>\n<div id=\"attachment_8221\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Sidney-James-Webb-Baron-Passfield-by-Unknown-photographer-1930s.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8221\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-8221\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Sidney-James-Webb-Baron-Passfield-by-Unknown-photographer-1930s-360x472.jpg\" alt=\"Sidney James Webb, fot\u00f3grafo desconhecido, c. 1930\" width=\"360\" height=\"472\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Sidney-James-Webb-Baron-Passfield-by-Unknown-photographer-1930s-360x472.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Sidney-James-Webb-Baron-Passfield-by-Unknown-photographer-1930s.jpg 610w\" sizes=\"(max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8221\" class=\"wp-caption-text\">Sidney James Webb, fot\u00f3grafo desconhecido, c. 1930<\/p><\/div>\n<p>A no\u00e7\u00e3o moderna\u00a0de arte n\u00e3o deixa de pressionar a l\u00f3gica curatorial do\u00a0museu. Na medida em que avan\u00e7amos para o s\u00e9culo XX, a liberdade conquistada pelos artistas come\u00e7a a perturbar o car\u00e1ter informativo dos retratos. Um certo tipo de tra\u00e7o, de t\u00e9cnica, de uso da cor come\u00e7am a se impor mais do que o nome dos personagens. Nesse momento, ainda encontramos sempre figuras importantes, todos com seus nomes devidamente\u00a0identificados, mas \u00e0s vezes j\u00e1 com seus rostos um tanto desfigurados nas imagens.<\/p>\n<div id=\"attachment_8220\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Alan-Rawsthorne-by-Isabel-Rawsthorne-oil-on-canvas-1966.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8220\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-8220\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Alan-Rawsthorne-by-Isabel-Rawsthorne-oil-on-canvas-1966-360x288.jpg\" alt=\"Alan Rawsthorne, por Isabel Rawsthorne, 1966\" width=\"360\" height=\"288\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8220\" class=\"wp-caption-text\">Alan Rawsthorne (compositor), por Isabel Rawsthorne, 1966<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_8219\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Herbert-Read-by-Patrick-Heron-oil-on-canvas-1950.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8219\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-8219\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Herbert-Read-by-Patrick-Heron-oil-on-canvas-1950-360x433.jpg\" alt=\"Herbert Read, por Patrick Heron, 1950\" width=\"360\" height=\"433\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8219\" class=\"wp-caption-text\">Herbert Read (cr\u00edtico de arte), por Patrick Heron, 1950<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_8217\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/David-Bowie-by-Stephen-Finer-oil-on-canvas-1994.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8217\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-8217\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/David-Bowie-by-Stephen-Finer-oil-on-canvas-1994-360x445.jpg\" alt=\"David Bowie, por Stephen Finer, 1994\" width=\"360\" height=\"445\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8217\" class=\"wp-caption-text\">David Bowie (cantor), por Stephen Finer, 1994<\/p><\/div>\n<p>Foi apenas numa exposi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, dedicada a obras muito recentes, a edi\u00e7\u00e3o deste ano da BP Portrait Award (julho de 2014), que pude ver os retratados cedendo o destaque\u00a0aos nomes dos autores. Aqui encontramos o retrato despido de sua utilidade hist\u00f3rica para disputar a possibilidade de uma aura art\u00edstica, que ser\u00e1 garantida por esse que se autodenomina o mais importante\u00a0pr\u00eamio de retratos do mundo. E \u00e9 ali que encontramos, ent\u00e3o, rostos de personagens quaisquer, na imagem e no t\u00edtulo: <em>Mulher sentada<\/em>, Pa<em>dre, Cigano com olhos de louco, Retrato em azul e dourado, M\u00e3e, 31 anos&#8230;<\/em> E outras tantas pessoas an\u00f4nimas, brit\u00e2nicas ou n\u00e3o, mesmo quando identificadas com nomes que n\u00e3o reivindicam seu lugar na hist\u00f3ria: <em>Markus, Tony, Eddy pela manh\u00e3, Meu garoto Adam, Os g\u00eameos Lee e Jason, Andrea e Murta<\/em>&#8230;<\/p>\n<div id=\"attachment_8223\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Andrea-and-Myrtle-by-Simon-Davis-2013.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8223\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-8223\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Andrea-and-Myrtle-by-Simon-Davis-2013-336x500.jpg\" alt=\"Andrea and Myrtle, por Simon Davis, 2013\" width=\"336\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Andrea-and-Myrtle-by-Simon-Davis-2013-336x500.jpg 336w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Andrea-and-Myrtle-by-Simon-Davis-2013-768x1143.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Andrea-and-Myrtle-by-Simon-Davis-2013-605x900.jpg 605w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Andrea-and-Myrtle-by-Simon-Davis-2013.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8223\" class=\"wp-caption-text\">Andrea and Myrtle, por Simon Davis, 2013<\/p><\/div>\n<p>Ao tensionar arte e hist\u00f3ria (a hist\u00f3ria de um reino, n\u00e3o necessariamente a hist\u00f3ria da arte), a\u00a0Portrait Gallery tem o m\u00e9rito de nos lembrar que a\u00a0imagem cumpre fun\u00e7\u00f5es diversas na cultura, para al\u00e9m da arte (Hans Belting diria que a hist\u00f3ria da arte \u00e9 apenas um cap\u00edtulo da hist\u00f3ria das imagens). Recobrada essa consci\u00eancia, resta pensar\u00a0que a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 feita apenas dos\u00a0grandes acontecimentos e personagens que s\u00e3o celebrizados pelas narrativas oficiais. \u00c9 isso que a fotografia nos lembra todos os dias. Em sua voca\u00e7\u00e3o para aquilo\u00a0que muitas vezes consideramos vulgar e excessivo, ela\u00a0insiste na sobreviv\u00eancia dos sujeitos an\u00f4nimos\u00a0da\u00a0hist\u00f3ria. E, vez ou outra, gra\u00e7as \u00e0s pequenas cole\u00e7\u00f5es, ela encontra olhares que se dedicam \u00e0 singularidade de cada rosto\u00a0mais\u00a0do que ao peso de um nome.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentro da tradi\u00e7\u00e3o das academias de arte, o retrato sempre teve um lugar relativamente digno, um pouco abaixo da pintura de cenas hist\u00f3ricas, mas acima da paisagem e da natureza morta. 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