{"id":8129,"date":"2014-08-11T15:53:02","date_gmt":"2014-08-11T15:53:02","guid":{"rendered":"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/?p=8129"},"modified":"2016-05-28T13:19:15","modified_gmt":"2016-05-28T13:19:15","slug":"expor-uma-colecao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/expor-uma-colecao\/","title":{"rendered":"A parede: traduzir as incertezas de uma cole\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vista_geral.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-8133\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vista_geral-674x439.jpg\" alt=\"vista_geral\" width=\"674\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vista_geral-674x439.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vista_geral-360x235.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vista_geral-768x500.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vista_geral-90x60.jpg 90w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.lamaisonrouge.org\/\">La\u00a0Maison Rouge<\/a> \u00e9 um espa\u00e7o de exposi\u00e7\u00f5es em Paris criado por um colecionador de arte, Antoine de\u00a0Galbert. Assemelha-se ao que seria para n\u00f3s uma galeria de grande porte, mas n\u00e3o est\u00e1 diretamente dedicada \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de obras. Como outras tantas institui\u00e7\u00f5es culturais privadas da cidade, abriga exposi\u00e7\u00f5es importantes, mas passa despercebida \u00e0 grande maioria dos turistas. S\u00e3o lugares relativamente discretos, aparecem apenas nos roteiros culturais mais especializados e, para quem passa na rua, n\u00e3o s\u00e3o muito vis\u00edveis como espa\u00e7os de visita\u00e7\u00e3o. Cobram ingresso para as exposi\u00e7\u00f5es e, com tudo isso, ainda alcan\u00e7am um n\u00famero significativo de visitantes. Coisa que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel numa cidade que tem efetivamente um p\u00fablico cotidiano para a arte contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Neste momento, a Maison Rouge abriga a exposi\u00e7\u00e3o <em>Le Mur<\/em> (<em>A Parede<\/em>), com obras da cole\u00e7\u00e3o de Galbert, seu fundador. Pelo que vemos ali e pelo que encontramos no hist\u00f3rico da Maison, entendemos que eles t\u00eam se dedicado a pensar o estatuto das cole\u00e7\u00f5es privadas de arte contempor\u00e2nea, trazendo sele\u00e7\u00f5es de colecionadores diversos. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil explicar: mais do que partir dessas cole\u00e7\u00f5es para produzir suas curadorias, a proposta \u00e9 tomar a din\u00e2mica das cole\u00e7\u00f5es como quest\u00e3o curatorial. Ficaria tentado a dizer que se trata de um esfor\u00e7o de mostrar \u201ccrit\u00e9rios de colecionismo\u201d, mas a pr\u00f3pria Maison insinua nos textos sua desconfian\u00e7a \u00e0 respeito desses crit\u00e9rios, que s\u00e3o muitas vezes intuitivos, inconstantes, inapreens\u00edveis. Talvez, o que se busca mostrar ali s\u00e3o \u201cefeitos de conjunto\u201d, resultados de escolhas, sem d\u00favida, mas tamb\u00e9m de oportunidades e conting\u00eancias. Trata-se de\u00a0traduzir\u00a0numa paisagem o percurso um tanto incerto de uma cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Maison Rouge foi inaugurada em 2004 com uma exposi\u00e7\u00e3o intitulada <em>L&#8217;Intime,\u00a0le collectionneur derrier la porte<\/em> (<em>O \u00edntimo, o colecionador atr\u00e1s da porta<\/em>), simulando ambientes das casas de 16 colecionadores e reproduzindo o modo como suas obras s\u00e3o expostas em suas paredes. Para comemorar seus dez anos, a Maison Rouge traz em <em>Le mur<\/em> mais de 1200 obras de 500 artistas que est\u00e3o na cole\u00e7\u00e3o de Galbert. Na pr\u00e1tica, quase toda a cole\u00e7\u00e3o de Galbert ou, pelo menos quase tudo que poderia ser suportado por uma \u201cparede\u201d: pinturas, desenhos, fotografias, alguns objetos (optaram por deixar de fora v\u00eddeos, esculturas, instala\u00e7\u00f5es). O resultado \u00e9 estranho, um tanto desconfort\u00e1vel num primeiro momento: um quebra-cabe\u00e7as que ocupa, do ch\u00e3o ao teto, 278 metros lineares de parede.<\/p>\n<div id=\"attachment_8132\" style=\"width: 666px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/intime.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8132\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8132 size-full\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/intime.jpg\" alt=\"\" width=\"656\" height=\"497\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/intime.jpg 656w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/intime-360x273.jpg 360w\" sizes=\"(max-width: 656px) 100vw, 656px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8132\" class=\"wp-caption-text\">Registro da exposi\u00e7\u00e3o &#8220;L&#8217;intime&#8221;, 2004<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_8138\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/DSC01905.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8138\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8138 size-large\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/DSC01905-674x152.jpg\" alt=\"DSC01905\" width=\"674\" height=\"152\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8138\" class=\"wp-caption-text\">Panor\u00e2mica da exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Le mur&#8221;, 2014<\/p><\/div>\n<p>Esse tipo de paisagem de obras n\u00e3o \u00e9 nova. Era assim que as pinturas ocupavam as paredes de alguns antigos pal\u00e1cios, tamb\u00e9m dos tradicionais <em>salons<\/em> franceses de arte e mesmo os ateli\u00eas de alguns artistas. Na medida em que a ideia do \u201ccubo branco\u201d se afirma no s\u00e9culo XX, a estrat\u00e9gia foi substitu\u00edda por ocupa\u00e7\u00f5es mais lineares e limpas. Reaparece por raz\u00f5es distintas em curadorias de arte contempor\u00e2nea mas, ainda assim, o ac\u00famulo proposto pela Maison Rouge \u00e9 bastante peculiar.<\/p>\n<div id=\"attachment_8130\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/e-Salon-de-1824-Fran\u00e7ois-Joseph-Heim.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8130\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8130 size-large\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/e-Salon-de-1824-Fran\u00e7ois-Joseph-Heim-674x434.jpg\" alt=\"Fran\u00e7ois-Joseph Heim, Le Salon de 1824, 1826.\" width=\"674\" height=\"434\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8130\" class=\"wp-caption-text\">Fran\u00e7ois-Joseph Heim, Le Salon de 1824, 1826.<\/p><\/div>\n<p>Algo que reafirma a ideia de expor um \u201cefeito de conjunto\u201d \u00e9 o fato de que a identifica\u00e7\u00e3o das obras e autores saem de cena. E certamente, n\u00e3o por falta de nomes importantes. Para quem desejar, essas informa\u00e7\u00f5es podem ser recuperadas em reprodu\u00e7\u00f5es de cada parede dispon\u00edveis em algumas telas interativas espalhadas pela exposi\u00e7\u00e3o ou em p\u00e1ginas que podem ser acessadas por tablets e celulares.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/telas_interativas.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-8134\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/telas_interativas-674x500.jpg\" alt=\"telas_interativas\" width=\"674\" height=\"500\" \/><\/a><\/p>\n<p>Turistas e pesquisadores empenhados em ampliar seu repert\u00f3rio em arte acabam cultivando certo apego \u00e0s etiquetas de identifica\u00e7\u00e3o. Temos que admitir: quando nos deparamos com grandes acervos ou com uma agenda intensa de exposi\u00e7\u00f5es, s\u00e3o essas informa\u00e7\u00f5es \u2013 os nomes, sobretudo \u2013 que definem o que merece ou n\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o do nosso olhar. Em casos extremos de pressa ou pregui\u00e7a a que todos n\u00f3s estamos sujeitos, uma exposi\u00e7\u00e3o pode ser vista prioritariamente por meio de suas etiquetas.<\/p>\n<p>Nesse sentido, \u00e9 libert\u00e1rio se descobrir diante de centenas de obras sem qualquer identifica\u00e7\u00e3o. Assumimos de antem\u00e3o que vamos ver apenas uma parte delas. Perambulamos pelo espa\u00e7o deixando que o olhar sinalize seus momentos de sedu\u00e7\u00e3o, determinando a dist\u00e2ncia e o tempo dedicado a cada obra. Um al\u00edvio. O que resta \u00e9 a experi\u00eancia de constru\u00e7\u00e3o de uma cole\u00e7\u00e3o dentro de uma cole\u00e7\u00e3o: assumindo sem ansiedade os saltos e as lacunas que invariavelmente restam, reunimos nosso pr\u00f3prio conjunto de imagens. O caminho e a dist\u00e2ncia s\u00e3o definidos mais pela intensidade das rela\u00e7\u00f5es que certas obras constroem com o olhar, mais do que pelo lugar que elas ocupam dentro de uma l\u00f3gica previamente estabelecida.<\/p>\n<p>As perguntas v\u00e3o surgindo. O que \u00e9 isso? Quem \u00e9 esse? Para responder, os totens com telas interativas est\u00e3o l\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, um pouco burocr\u00e1ticas, como balc\u00f5es de informa\u00e7\u00f5es. Mas resta uma grande pergunta: como \u2013 com que crit\u00e9rio \u2013 se consegue empilhar 1200 obras numa sequ\u00eancia de paredes? \u00a0Logo abaixo do t\u00edtulo, o texto traz uma informa\u00e7\u00e3o inusitada: \u201cCurador: <strong><span style=\"color: #545454;\">G = E (g<\/span><span style=\"color: #545454;\">(<\/span><span style=\"color: #545454;\">X<\/span><span style=\"color: #545454;\">)) = \u222b\u00a0<\/span><span style=\"color: #545454;\">g<\/span><span style=\"color: #545454;\">\u00a0(<\/span><span style=\"color: #545454;\">x<\/span><span style=\"color: #545454;\">) \u0192x (<\/span><span style=\"color: #545454;\">x<\/span><span style=\"color: #545454;\">) dx<\/span><\/strong>\u201d. Em seguida, entendemos de maneira direta o que isso significa: as obras foram dispostas aleatoriamente. Esse c\u00f3digo \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o do algoritmo que est\u00e1 na base de um aplicativo de computador desenvolvido especialmente para desenhar essa expografia, sem nenhuma premissa est\u00e9tica, considerando apenas as dimens\u00f5es das obras.<\/p>\n<div id=\"attachment_8131\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vista_geral3.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8131\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-8131\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vista_geral3-674x449.jpg\" alt=\"Le mur, 2014\" width=\"674\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vista_geral3-674x449.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vista_geral3-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vista_geral3-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vista_geral3-90x60.jpg 90w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8131\" class=\"wp-caption-text\">Le mur, 2014<\/p><\/div>\n<p>Galbert conta que a op\u00e7\u00e3o pelo acaso teve como inspira\u00e7\u00e3o uma outra cole\u00e7\u00e3o: sua biblioteca de livros de arte, organizada conforme a ordem alfab\u00e9tica dos sobrenomes dos artistas. Um crit\u00e9rio que lhe permite encontrar sempre o t\u00edtulo que precisa, mas que resulta em rela\u00e7\u00f5es absurdas: \u201cSophie Calle com Caravaggio, Brueggel com Marcel Broodhaers\u201d (<a href=\"http:\/\/www.dailymotion.com\/video\/x20dm7a_le-mur-oeuvres-de-la-collection-antoine-de-galbert-documentaire_creation?start=9\"><em>making of<\/em> da exposi\u00e7\u00e3o<\/a>). Ele sugere que esse arranjo acidental permite, no entanto, escapar temporariamente de distin\u00e7\u00f5es definidas por \u201cnotoriedade, valor art\u00edstico, financeiro, hist\u00f3rico, formal&#8230;\u201d. Mas ele sugere que, tanto em sua biblioteca quanto na exposi\u00e7\u00e3o, essas rela\u00e7\u00f5es acidentais resultam em di\u00e1logos produtivos, que o respeito \u00e0s categorias tradicionais de organiza\u00e7\u00e3o e valora\u00e7\u00e3o da arte n\u00e3o permitiriam alcan\u00e7ar. Galbert parece experimentar por acidente alguns efeitos daquilo\u00a0que o historiador da arte Aby Warburg chamou de \u201clei da boa vizinhan\u00e7a\u201d, que tamb\u00e9m lhe permitia relacionar livros de \u00e9pocas e temas\u00a0distintos.<\/p>\n<p>Em vez de usar uma ret\u00f3rica rebuscada para reivindicar a autoridade de seu <em>feeling<\/em> de colecionador, Galbert alegoriza suas pr\u00f3prias incertezas: uma cole\u00e7\u00e3o \u00e9 feita sem d\u00favida de buscas, de roteiros, mas tamb\u00e9m de encontros e descaminhos. Em certa medida, talvez a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da arte esteja sujeita ao acaso, na elei\u00e7\u00e3o que faz dos nomes que s\u00e3o lembrados ou esquecidos em suas narrativas e explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Apenas as duas obras que abrem a exposi\u00e7\u00e3o escaparam da curadoria aleat\u00f3ria e foram escolhidas para estar ali: de um lado, <em>The Gathering<\/em>, de Norbert H. Kox e Thomas Thompson, uma representa\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo final; de outro, <em>Painting of light<\/em>, de Hans-Peter Feldmann, um ret\u00e2ngulo de parede vazia demarcado apenas pela luz que se projeta do teto. Sem aprofundamentos, o texto apresenta essa escolha como uma esp\u00e9cie de coment\u00e1rio autocr\u00edtico \u00e0 cole\u00e7\u00e3o. Essa combina\u00e7\u00e3o entre julgamento supremo e vazio tocam uma esp\u00e9cie de m\u00edstica que atravessa a hist\u00f3ria da arte. O que permite a uma obra ser tocada pela promessa de eternidade? Uma b\u00ean\u00e7\u00e3o misteriosa, inapreens\u00edvel, para a qual s\u00f3 nos resta buscar explica\u00e7\u00f5es posteriores.<\/p>\n<p>Lembro da tese de Blaise Pascal, fil\u00f3sofo do s\u00e9culo XVII que havia estudado profundamente a teoria dos jogos antes de se dedicar \u00e0 teologia. Segundo ele, n\u00e3o nos \u00e9 poss\u00edvel programar ou garantir nossa salva\u00e7\u00e3o, porque a obten\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a divina n\u00e3o depende apenas de nossos esfor\u00e7os, ela tem sempre um elemento contingente, arbitr\u00e1rio. Assim tamb\u00e9m parece aquilo que ser\u00e1 aben\u00e7oado pelas cole\u00e7\u00f5es e por outras narrativas sobre a arte, algo que se d\u00e1 entre o rigor de um ju\u00edzo e o exerc\u00edcio quase l\u00fadico de uma autoridade que, vez ou outra, nos surpreende apontando sua luz para um fragmento de coisa qualquer. N\u00e3o se trata de dizer que a hist\u00f3ria \u201cescreve certo por linhas tortas\u201d. Sabiamente, ela incorpora em si a indetermina\u00e7\u00e3o que permite reinventar a gram\u00e1tica de sua pr\u00f3xima narrativa, bem como abrir novas entrelinhas naquilo que j\u00e1 estava escrito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La\u00a0Maison Rouge \u00e9 um espa\u00e7o de exposi\u00e7\u00f5es em Paris criado por um colecionador de arte, Antoine de\u00a0Galbert. Assemelha-se ao que seria para n\u00f3s uma galeria de grande porte, mas n\u00e3o est\u00e1 diretamente dedicada \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de obras. Como outras tantas institui\u00e7\u00f5es culturais privadas da cidade, abriga exposi\u00e7\u00f5es importantes, mas passa despercebida \u00e0 grande maioria dos turistas. S\u00e3o lugares relativamente discretos, aparecem apenas nos roteiros culturais mais especializados e, para quem passa na rua, n\u00e3o s\u00e3o muito vis\u00edveis como espa\u00e7os de visita\u00e7\u00e3o. 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