{"id":8041,"date":"2014-06-10T12:18:46","date_gmt":"2014-06-10T12:18:46","guid":{"rendered":"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/?p=8041"},"modified":"2016-05-28T13:19:37","modified_gmt":"2016-05-28T13:19:37","slug":"poderes-provisorios-imagens-impertinentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/poderes-provisorios-imagens-impertinentes\/","title":{"rendered":"Poderes provis\u00f3rios, imagens impertinentes"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_8057\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/img_97792.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8057\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8057\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/img_97792.jpg\" alt=\"Poder Provis\u00f3rio (registro da exposi\u00e7\u00e3o), curadoria de Eder Chiodetto\" width=\"674\" height=\"452\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/img_97792.jpg 720w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/img_97792-360x242.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/img_97792-674x452.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/img_97792-90x60.jpg 90w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8057\" class=\"wp-caption-text\">Poder Provis\u00f3rio (registro da exposi\u00e7\u00e3o), curadoria de Eder Chiodetto<\/p><\/div>\n<p><em>Poder Provis\u00f3rio<\/em> \u00e9 um projeto com v\u00e1rias\u00a0camadas de pensamento: convidado a pensar a presen\u00e7a da\u00a0fotografias no acervo do MAM-SP, Eder Chiodetto elegeu um recorte que evidencia a transitoriedade das for\u00e7as \u2013 sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas \u2013 que, em determinados momentos, se mostram hegem\u00f4nicas. Reunindo um conjunto muito heterog\u00eaneo de imagens, ele aproveita para tensionar os poderes implicados numa institui\u00e7\u00e3o de arte e no trabalho de um curador.<\/p>\n<p>Chiodetto &#8211; junto com\u00a0uma\u00a0equipe que sempre nomeia &#8211; tem uma assinatura autoral que se imp\u00f5e. Esse \u00e9 ao mesmo tempo seu m\u00e9rito e seu risco. Sua fala evidencia uma engenharia minuciosa de produ\u00e7\u00e3o de sentidos: a escolha e a edi\u00e7\u00e3o das fotos, obviamente, mas tamb\u00e9m a disposi\u00e7\u00e3o das paredes, a ilumina\u00e7\u00e3o, o alinhamento das imagens, a dist\u00e2ncia entre elas, o skyline que formam, o design do cat\u00e1logo e a forma de intera\u00e7\u00e3o que prop\u00f5e ao leitor. Tamb\u00e9m o texto, n\u00e3o apenas pelo pensamento que explicita, mas pela performance das palavras, pelo modo como ocupam as paredes, pela sonoridade que criam quando lidas (formando uma ladainha, como ele mesmo explica).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 esse controle justamente\u00a0o exerc\u00edcio do poder de um curador? Isso tamb\u00e9m n\u00e3o lhe escapa. Ao contr\u00e1rio, somos logo alertados por uma s\u00e9rie de provoca\u00e7\u00f5es que traz em seu texto. S\u00e3o perguntas, mas s\u00e3o muito assertivas nas fissuras que abrem nos poderes representados nas imagens e implicados na pr\u00f3pria exposi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote><p>Quem diz o que pode e o que n\u00e3o pode entrar no acervo do Museu? Quem tem o poder de legitimar o que \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 arte? Quanto o mercado de arte pode lucrar com uma exposi\u00e7\u00e3o que pontua doen\u00e7as cr\u00f4nicas do capital? O qu\u00e3o leg\u00edtima pode ser a cr\u00edtica de um curador ao poder, se a pr\u00f3pria curadoria \u00e9 tamb\u00e9m um exerc\u00edcio de poder?<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_8081\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/planta.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8081\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-8081\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/planta-674x381.jpg\" alt=\"Projeto da exposi\u00e7\u00e3o Poder Provis\u00f3rio, curadoria de Eder Chiodetto\" width=\"674\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/planta-674x381.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/planta-360x204.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/planta-768x435.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8081\" class=\"wp-caption-text\">Projeto da exposi\u00e7\u00e3o Poder Provis\u00f3rio, curadoria de Eder Chiodetto<\/p><\/div>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 no dom\u00ednio de todas essas vari\u00e1veis que est\u00e1 o maior valor desse projeto. Discutir a autoridade ali investida seria apenas uma forma perversa de cinismo, um duplo exerc\u00edcio de poder (o de fazer e o de dizer), se a exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o demonstrasse tamb\u00e9m alguma brecha nos dispositivos de controle que envolvem essas imagens. H\u00e1 um discurso muito seguro, mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma leitura que permanece aberta. No di\u00e1logo promovido pelo MAM entre Felipe Chaimovich, Ivana Bentes e Fabiana Bruno, Eder Chiodetto encontrou outras tantas perguntas al\u00e9m daquelas que ele mesmo prop\u00f5e em seu texto. Foi uma conversa densa. Mais do que o dom\u00ednio que uma institui\u00e7\u00e3o ou um curador exerce sobre as imagens, \u00e9 dos descaminhos de um acervo \u2013 ou dos descaminhos da pr\u00f3pria hist\u00f3ria das imagens \u2013 que trata a exposi\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a cr\u00edtica de Poder Provis\u00f3rio reside na capacidade de jogar com os lapsos, as lacunas, os desencaixes da hist\u00f3ria institucional que produziu esse conjunto de fotografias, aquilo que tamb\u00e9m p\u00f5e em evid\u00eancia a provisoriedade dos poderes que ali tamb\u00e9m atuaram. \u00c9 um desses descaminhos que quero discutir.<\/p>\n<div id=\"attachment_8043\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/A-dan\u00e7a-do-poder.-Pal\u00e1cio-do-Planalto.-1981.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8043\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8043\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/A-dan\u00e7a-do-poder.-Pal\u00e1cio-do-Planalto.-1981.jpg\" alt=\"Orlando Brito. A dan\u00e7a do poder, 1981\" width=\"674\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/A-dan\u00e7a-do-poder.-Pal\u00e1cio-do-Planalto.-1981.jpg 567w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/A-dan\u00e7a-do-poder.-Pal\u00e1cio-do-Planalto.-1981-360x250.jpg 360w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8043\" class=\"wp-caption-text\">Orlando Brito. A dan\u00e7a do poder, 1981<\/p><\/div>\n<p>O que Orlando Brito faz no acervo do MAM? Poderia tomar outros exemplos, mas vou peg\u00e1-lo para Cristo, e n\u00e3o s\u00f3 porque \u00e9 o autor com maior n\u00famero de imagens na exposi\u00e7\u00e3o: ele representa bem um g\u00eanero da fotografia que tivemos que crucificar para construir uma no\u00e7\u00e3o de fotografia contempor\u00e2nea, e que, de tempos em tempos, demonstra sua capacidade de ressurrei\u00e7\u00e3o. Brito \u00e9 um fot\u00f3grafo importante, podemos contar parte da hist\u00f3ria do pa\u00eds por meio de suas imagens. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil enxergar o modo como seu trabalho se identifica com o que temos visto nesse museu. Reconhecemos o di\u00e1logo f\u00e9rtil entre arte e documento, valorizamos as matizes e sobreposi\u00e7\u00f5es entre uma coisa e outra. Mas estamos falando ali de um abismo que separa o fotojornalismo cotidiano dos caminhos trilhados pela arte moderna e contempor\u00e2nea, que t\u00eam sido o foco desse museu e que est\u00e3o bem representados nessa exposi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o imagens impertinentes, no duplo sentido: de <em>n\u00e3o pertencimento<\/em> e de <em>rebeldia<\/em>.<\/p>\n<p>Como Orlando Brito foi parar no MAM, eu n\u00e3o sei. Pode ter sido uma aquisi\u00e7\u00e3o desatenta ou movida por raz\u00f5es muito circunstanciais. Pode representar uma mudan\u00e7a tempor\u00e1ria de rumo ou o esfor\u00e7o de conferir ao fotojornalismo o status de arte. Ou pode ter sido uma decis\u00e3o corajosa e precoce de ignorar fronteiras estabelecidas entre os g\u00eaneros da fotografia. Ou pode ser que eu simplesmente esteja fazendo uma leitura precipitada, confundindo os crit\u00e9rios de exibi\u00e7\u00e3o com o s crit\u00e9rios de aquisi\u00e7\u00e3o do museu. Fato \u00e9 que essas imagens poderiam passar toda a eternidade ali sepultadas no acervo, sem jamais retornar \u00e0 luz do espa\u00e7o expositivo.<\/p>\n<p>Eder Chiodetto lembra que, neste mesmo ano, por sua indica\u00e7\u00e3o, o M\u00eddia Ninja passou a integrar o acervo do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM. Decis\u00e3o incomum e bastante questionada, mas n\u00e3o lhe faltaram argumentos: as imagens s\u00e3o boas, os lugares da fotografia est\u00e3o mudando e o papel dos museus tamb\u00e9m (Felipe Chaimovich, representando o MAM no debate, falou bastante sobre isso). Ao ser convidado para olhar o acervo, Chiodetto j\u00e1 estava munido da abertura necess\u00e1ria para lidar com a presen\u00e7a supostamente desconfort\u00e1vel de Orlando Brito. Ele foi um pouco al\u00e9m, fez desse estranhamento a estrat\u00e9gia mesma de sua exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_8058\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/351659-970x600-12.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8058\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-8058\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/351659-970x600-12.jpeg\" alt=\"M\u00eddia Ninja. Ruas de Junho, 2013\" width=\"674\" height=\"417\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/351659-970x600-12.jpeg 720w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/351659-970x600-12-360x223.jpeg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/351659-970x600-12-674x417.jpeg 674w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8058\" class=\"wp-caption-text\">M\u00eddia Ninja. Ruas de Junho, 2013<\/p><\/div>\n<p>O acervo de um museu \u00e9 sem d\u00favida um dispositivo de poder (isso est\u00e1 colocado no texto do curador). Primeiro, \u00e9 preciso dinheiro para fazer aquisi\u00e7\u00f5es ou for\u00e7a institucional para atrair doa\u00e7\u00f5es. Segundo, \u00e9 em lugares como esse que se constr\u00f3i a parte da hist\u00f3ria da arte que ser\u00e1 narrada. Mas, assim como Benjamin convida a fazer com a hist\u00f3ria, pode-se escovar um acervo a contrapelo, para fazer saltar suas impurezas, dando a perceber as aus\u00eancias e as sobras que as narrativas mais oficiais e aparentes tendem a minimizar.<\/p>\n<p>Ivana Bentes ressaltou a diferen\u00e7a entre poder e pot\u00eancia. Vale tomar emprestados esse conceitos. \u00c9 na capacidade de produzir discursos uniformes e legitimadores que est\u00e1 o poder do acervo. \u00c9 na lacuna, no esquecimento, na contradi\u00e7\u00e3o \u2013 nesse \u201cmal de arquivo\u201d, e como diz Derrida \u2013 que germinam suas potencialidades. A diferen\u00e7a entre uma hist\u00f3ria oficializada e a mem\u00f3ria \u00e9 que a primeira quer impor certa coes\u00e3o do discurso, a segunda, tira proveito de suas hesita\u00e7\u00f5es e cacofonias. \u00c9 porque esteve sempre sob o risco do esquecimento, e porque exp\u00f5e o esgar\u00e7amento &#8211; ou a amplitude &#8211; das pr\u00f3prias pol\u00edticas de aquisi\u00e7\u00e3o, que Orlando Brito traz for\u00e7a cr\u00edtica \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sozinho, sem d\u00favida, mas com todos os outros olhares de quem se aproxima ou se afasta.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata usar o poder do museu para canoniz\u00e1-lo como artista, aparando as arestas dessa conviv\u00eancia estranha. Ao contr\u00e1rio, parte-se daquilo que permanece tenso e vivo nas imagens de Orlando Brito, para explorar, sob forma de provoca\u00e7\u00e3o, outros conflitos latentes que qualquer acervo pode conter. Mais do que construir monumentos a um her\u00f3i do passado, o projeto convoca Orlando Brito a lutar ao lado do M\u00eddia Ninja e de outros tantos olhares marginais que ajudaram a corroer os poderes. Lutar, sen\u00e3o exatamente pela mesma causa pol\u00edtica, ao menos, por uma causa est\u00e9tica de que agora compartilham.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o situa muitos matizes entre as categorias da arte e do documento, certamente? Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. N\u00e3o vejo aqui as mesmas quest\u00f5es colocadas pelo curador em outra de suas exposi\u00e7\u00f5es, <em><a href=\"http:\/\/ederchiodetto.com.br\/documental-imaginario-texto-do-curador-2\/\" target=\"_blank\">Documental Imagin\u00e1rio <\/a><\/em>(2012), que traz trabalhos constru\u00eddos numa fronteira j\u00e1 bastante borrada entre esses territ\u00f3rios. Em Poder Provis\u00f3rio, acho que vale a pena resguardar os saltos, os solavancos. Sem isso, correr\u00edamos o risco de partir das diferen\u00e7as e das contradi\u00e7\u00f5es para buscar uma nova condi\u00e7\u00e3o de uniformidade, de coes\u00e3o, de apaziguamento. Para haver transgress\u00e3o, ainda \u00e9 preciso haver fronteira, para haver di\u00e1logo, \u00e9 preciso haver distin\u00e7\u00e3o de vozes (sobre isso, vale ler <a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/o-territorio-sem-distancias-das-imagens-contemporaneas-e-a-teimosia-dos-estados-fotograficos\/\" target=\"_blank\">um post de Cl\u00e1udia Linhares<\/a>). No debate, Fabiana Bruno referiu-se \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o como \u201csism\u00f3grafo\u201d, esse medidor de tens\u00f5es liberadas abruptamente que desestabilizam o terreno em que nos apoiamos. Met\u00e1fora muito rica.<\/p>\n<p>Hans Belting tem uma tese que pode ajudar a nomear umas s\u00e9rie de problemas que se evidenciam nestes tempos em que a fotografia e o museu se repensam. Para ele, a hist\u00f3ria da arte imp\u00f4s \u00e0 cultura a ordem de seu m\u00e9todo e de sua narrativa, apropriou-se de imagens de tempos e contextos muito variados que estavam longe de dialogar com aquilo que especifica nossa compreens\u00e3o moderna de arte. Segundo ele, estamos novamente diante da evid\u00eancia de que h\u00e1 uma hist\u00f3ria da imagem mais ampla, da qual a arte \u00e9 apenas um de seus epis\u00f3dios (O fim da hist\u00f3ria da arte). Poder Provis\u00f3rio n\u00e3o convida apenas a pensar uma no\u00e7\u00e3o mais alargada de arte, capaz de amenizar todo estranhamento, de acolher todos os g\u00eaneros da fotografia. Convida a pensar o quanto algumas imagens, por sua pr\u00f3pria rebeldia e independentemente de nossos dispositivos de controle, podem se infiltrar nas paredes s\u00f3lidas que demarcam o lugar da arte para lembr\u00e1-la dos embates mais amplos que produzem dentro da cultura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poder Provis\u00f3rio \u00e9 um projeto com v\u00e1rias\u00a0camadas de pensamento: convidado a pensar a presen\u00e7a da\u00a0fotografias no acervo do MAM-SP, Eder Chiodetto elegeu um recorte que evidencia a transitoriedade das for\u00e7as \u2013 sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas \u2013 que, em determinados momentos, se mostram hegem\u00f4nicas. Reunindo um conjunto muito heterog\u00eaneo de imagens, ele aproveita para tensionar os poderes implicados numa institui\u00e7\u00e3o de arte e no trabalho de um curador. Chiodetto &#8211; junto com\u00a0uma\u00a0equipe que sempre nomeia &#8211; tem uma assinatura autoral que se imp\u00f5e. 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