{"id":7986,"date":"2014-05-19T15:24:27","date_gmt":"2014-05-19T15:24:27","guid":{"rendered":"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/?p=7986"},"modified":"2016-05-28T14:03:10","modified_gmt":"2016-05-28T14:03:10","slug":"o-selfie-de-derrida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/o-selfie-de-derrida\/","title":{"rendered":"O <i>selfie<\/i> de Derrida"},"content":{"rendered":"<p>Numa tentativa \u2013 tardia e dif\u00edcil \u2013 de aproxima\u00e7\u00e3o ao pensamento de Jacques Derrida, encontrei este document\u00e1rio em que o fil\u00f3sofo franco-argelino fala de sua rela\u00e7\u00e3o com a fotografia: ele justifica porque, at\u00e9 certo momento de sua vida, n\u00e3o permitia a divulga\u00e7\u00e3o de sua imagem.<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/player.vimeo.com\/video\/95653869\" width=\"480\" height=\"340\" frameborder=\"0\" title=\"Derrida e a fotografia\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h6><i>Derrida<\/i>, 2002. Document\u00e1rio dirigido Kirby Dick e Amy Ziering [<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=CtcpwJCC6Co\" target=\"_blank\">document\u00e1rio integral dispon\u00edvel no You Tube<\/a>]<\/h6>\n<p>Nesse fragmento, ele explica que aquilo que escreve a respeito da literatura prop\u00f5e \u201cconduzir \u00e0 desfetichiza\u00e7\u00e3o do autor, principalmente, do autor tal e qual ele aparece nos c\u00f3digos de uma fotografia p\u00fablica\u201d. Mesmo que, em certo sentido, \u201cpublicar seja aparecer\u201d, ele completa, \u201cescrever \u00e9 se retirar\u201d.<\/p>\n<p>Suponho haver na base dessa op\u00e7\u00e3o de Derrida duas heran\u00e7as ou, ao menos, duas afinidades.\u00a0Primeiro, a tend\u00eancia iconoclasta que marca toda uma linhagem de intelectuais franceses de sua gera\u00e7\u00e3o, a exemplo de Guy Debord e Jean Baudrillard, que identificam na crescente valoriza\u00e7\u00e3o da imagem os riscos de um esvaziamento de sentido pela fetichiza\u00e7\u00e3o, pela espetaculariza\u00e7\u00e3o e por certa usurpa\u00e7\u00e3o do real. Cabe dizer que, apesar de assimilar tal\u00a0desconfian\u00e7a, Derrida nunca compartilhou do repert\u00f3rio marxista em que se apoiam as cr\u00edticas desses autores.<\/p>\n<p>Segundo, Derrida foi leitor e interlocutor de dois pensadores que se empenharam em desconstruir\u00a0a no\u00e7\u00e3o do autor: Barthes, com o ensaio <a href=\"http:\/\/ufba2011.com\/A_morte_do_autor_barthes.pdf\" target=\"_blank\"><i>A morte do autor<\/i><\/a>, de 1968, e Foucault, com a confer\u00eancia <a href=\"http:\/\/fido.rockymedia.net\/anthro\/foucault_autor.pdf\" target=\"_blank\"><i>O que \u00e9 um autor?<\/i><\/a>, de 1969. O primeiro observa a dist\u00e2ncia entre o escritor e o pensamento\u00a0construtor da obra liter\u00e1ria: \u201co autor entra na sua pr\u00f3pria morte, a escrita come\u00e7a\u201d. O segundo faz a arqueologia dessa <i>fun\u00e7\u00e3o-autor<\/i> a partir de uma pergunta muito direta: \u201cque importa quem fala?\u201d.<\/p>\n<p>Derrida prossegue a entrevista dizendo que tudo muda a partir de 1979, quando encabe\u00e7a\u00a0os <i>Estados Gerais da Filosofia<\/i>, evento-manifesta\u00e7\u00e3o realizado na Sorbone que convocava o pensamento te\u00f3rico a uma tomada de posi\u00e7\u00e3o\u00a0pol\u00edtica. H\u00e1 no v\u00eddeo um erro de tradu\u00e7\u00e3o: a legenda fala em 1969, esp\u00e9cie de ato falho que projeta sua iniciativa\u00a0para o contexto das manifesta\u00e7\u00f5es de maio de 68. Derrida tamb\u00e9m estava l\u00e1, teve participa\u00e7\u00e3o relativamente discreta, mas certamente sofreu forte influ\u00eancia desse momento.<\/p>\n<div id=\"attachment_7990\" style=\"width: 436px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/d_1979.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-7990\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-7990\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/d_1979.jpg\" alt=\"Derrida, nos \u00c9tats g\u00e9n\u00e9raux de la philosophie, no Grande Anfiteatro da Sorbona, 1979.\" width=\"426\" height=\"555\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/d_1979.jpg 450w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/d_1979-360x469.jpg 360w\" sizes=\"(max-width: 426px) 100vw, 426px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7990\" class=\"wp-caption-text\">Derrida, nos <i>Estados Gerais da Filosofia<\/i>, no Grande Anfiteatro da Sorbonne, 1979.<\/p><\/div>\n<p>Derrida lembra\u00a0 que, como havia jornalistas presentes na ocasi\u00e3o dos <i>Estados Gerais<\/i>, e como se tratava de uma manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica, n\u00e3o era mais poss\u00edvel controlar\u00a0a veicula\u00e7\u00e3o de sua imagem. Ele decide ent\u00e3o \u201cdeixar seguir\u201d. Em outro ponto do document\u00e1rio, diante de um retrato seu pintado por Dominique Renson, ele ironiza dizendo que, sem\u00a0fazer qualquer julgamento est\u00e9tico, acha\u00a0estranho\u00a0(&#8220;c&#8217;est bizarre!), mas o aceita. E relembra:\u00a0&#8220;eu j\u00e1 n\u00e3o tenho vontade de destrui-lo. Tantas vezes eu tive vontade de destruir fotografias e imagens\u201d.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, Derrida se coloca a partir de ent\u00e3o numa posi\u00e7\u00e3o bastante distinta daquela em que pensa o autor da obra liter\u00e1ria, que deve desaparecer em sua escrita. N\u00e3o \u00e9 mais o caso: a lideran\u00e7a pol\u00edtica precisa ter um rosto. Isso tem a ver com uma das raz\u00f5es que pesam, segundo Foucault, sobre a constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da fun\u00e7\u00e3o autor: \u201cos textos, os livros, os discursos come\u00e7aram a ter realmente autores (diferentes dos personagens m\u00edticos, diferentes das grandes figuras sacralizadas e sacralizantes) na medida em que o autor podia ser punido, ou seja, na medida em que os discursos podiam ser transgressores\u201d (<em>O que \u00e9 um autor?<\/em>). \u00a0Se a fun\u00e7\u00e3o da autoria \u00e9 atribuir responsabilidades ao que se diz, vemos em Derrida o outro lado da moeda, o lado daquele que se assume transgressor: \u00e9 necess\u00e1rio responsabilizar-se pelo que \u00e9 dito, \u00e9 preciso <em>dar a cara a tapa<\/em>.<\/p>\n<p>Derrida prossegue a entrevista buscando, agora com palavras um pouco mais tateantes, uma segunda explica\u00e7\u00e3o para a dificuldade que tinha com a publica\u00e7\u00e3o de seus retratos. Ele fala de um\u00a0&#8220;horror ao narcisismo&#8221;, sentimento\u00a0que cultivou ao longo da vida, e tamb\u00e9m de uma ang\u00fastia diante da morte que a fotografia inevitavelmente demarca. Aqui, as justificativas para a mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o a partir de 1979 (a legenda insiste em 1969) s\u00e3o mais lac\u00f4nicas. Mas \u00e9 poss\u00edvel encontrar em sua trajet\u00f3ria escolhas que complementam sua resposta. Para al\u00e9m das fotografias cuja veicula\u00e7\u00e3o pela imprensa ele apenas &#8220;n\u00e3o controla\u201d, Derrida assume como parte de seu projeto pol\u00edtico o compartilhamento de uma mem\u00f3ria e de uma imagem de si.<\/p>\n<p>Ele falar\u00e1 mais abertamente de sua hist\u00f3ria em obras como <i>Circonfession<\/i> (1991), escrito durante a <i>agonia<\/i> de sua m\u00e3e (como n\u00e3o lembrar de <em>A c\u00e2mara clara<\/em>, de Barthes?) e que trata \u00a0do esquecimento da circuncis\u00e3o (isto \u00e9, de sua origem judaica); tamb\u00e9m em\u00a0<i>Monolinguisme de l\u2019autre<\/i> (1996), sobre a insufici\u00eancia do idioma franc\u00eas como l\u00edngua materna diante da\u00a0identidade complexa de\u00a0um\u00a0judeu assimilado, nascido numa Arg\u00e9lia colonizada pela Fran\u00e7a. Encontrei ainda refer\u00eancias a\u00a0outros livros &#8211; aos quais n\u00e3o tive nenhum acesso &#8211; como Voiles (1989), M\u00e9moires d&#8217;aveugle (1990), La contre-all\u00e9e (1999), que s\u00e3o\u00a0reconhecidos como\u00a0autobiogr\u00e1ficos e intensamente pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Derrida j\u00e1 havia contaminado de um modo muito original sua teoria com hist\u00f3rias pessoais em <i>Cart\u00e3o-postal: de S\u00f3crates a Freud e Al\u00e9m\u00a0<\/i>(1980). Nesse livro, ele parte de\u00a0suas experi\u00eancias de viagem para pensar a escrita\u00a0filos\u00f3fica como o envio\u00a0de um postal: o que significa esperar que se comunique a ess\u00eancia de lugar quando se est\u00e1 em tr\u00e2nsito, quando o autor pode n\u00e3o estar mais ali\u00a0quando o discurso chegar a seu destinat\u00e1rio? Derrida depreende de sua experi\u00eancia com a imagem a possibilidade de uma cr\u00edtica \u00e0 abordagem da filosofia, uma disciplina em que a palavra \u00e9 t\u00e3o hegem\u00f4nica, exatamente por sua suposta estabilidade. \u00c9 exatamente esse tr\u00e2nsito &#8211; seu empenho na constru\u00e7\u00e3o de uma\u00a0mem\u00f3rias e seus engajamentos na transforma\u00e7\u00e3o do mundo\u00a0&#8211; que ele ir\u00e1 evidenciar com o agenciamento de sua imagem.<\/p>\n<div id=\"attachment_8009\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/117695-004-63B45752.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-8009\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-8009\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/117695-004-63B45752.jpg\" alt=\"Jacques Derrida, 2001. Foto de Joel Robine.\" width=\"550\" height=\"391\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/117695-004-63B45752.jpg 550w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/117695-004-63B45752-360x256.jpg 360w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8009\" class=\"wp-caption-text\">Jacques Derrida, 2001. Foto de Joel Robine.<\/p><\/div>\n<p>No fragmento de v\u00eddeo acima ele diz que, a partir de 1979, tornou-se passivo e resignado com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de sua imagem. Mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar nele um papel mais ativo nesse processo: diante da c\u00e2mera, ele efetivamente atua, como diz Michel Lisse a respeito desse mesmo document\u00e1rio, sugerindo\u00a0que n\u00e3o h\u00e1 na filosofia pensador cuja iconografia seja mais importante (<a href=\"http:\/\/interferenceslitteraires.be\/sites\/drupal.arts.kuleuven.be.interferences\/files\/il2lisse.pdf\" target=\"_blank\"><i>Iconographie de Jacques Derrida<\/i><\/a>, 2009). Derrida se assume como figura p\u00fablica, \u00e9 generoso em suas entrevistas, posa\u00a0para a fotografia\u00a0e colabora com a produ\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios. \u00c0s vezes n\u00e3o escapa\u00a0aos estere\u00f3tipos, mas n\u00e3o deixa de ironiz\u00e1-los. De todo modo,\u00a0seduz o p\u00fablico com sua imagem. Entre os escritos autobiogr\u00e1ficos e as imagens que Derrida articula, n\u00e3o deixa de haver a constru\u00e7\u00e3o de um autorretrato.<\/p>\n<p>Esse processo de aceita\u00e7\u00e3o da imagem n\u00e3o deixa de incluir\u00a0o enfrentamento te\u00f3rico e afetivo do\u00a0horror\u00a0que antes sentia diante da morte e do narcisismo.\u00a0Derrida se recusa a tomar a vida dos fil\u00f3sofos como explica\u00e7\u00e3o psicologizante de suas ideias. A biografia, sobretudo a autobiografia, n\u00e3o \u00e9 feita apenas de lembran\u00e7as e certezas: \u00e9 tamb\u00e9m o discurso sobre aquele que foi esquecido, que n\u00e3o pode ser reencontrado, que n\u00e3o coincide com seu nome, uma alteridade que est\u00e1 morta. Al\u00e9m disso, a autobiografia \u00e9 poss\u00edvel quando a morte j\u00e1 n\u00e3o causa horror. Como diz Marcos Siscar, ela &#8211; autobiografia &#8211; surge quando o fil\u00f3sofo \u201cpode, de consci\u00eancia tranquila, enterrar sua vida, pois doravante ela lhe parece como que salva e imortal, o que provam algumas obras que ele evoca como testemunhas\u201d (<i>A paix\u00e3o ingrata<\/i>, 2000).\u00a0Ele se refere ao corpo de textos que tratam de suas mem\u00f3rias como uma obra &#8220;auto-bio-tanato-hetero-gr\u00e1fico&#8221;: <em>heterogr\u00e1fica<\/em> al\u00e9m de <em>autogr\u00e1fica<\/em>, porque implica a aproxima\u00e7\u00e3o\u00a0a um outro; <em>tanatogr\u00e1fica<\/em> al\u00e9m de <em>biogr\u00e1fica<\/em>, porque trata n\u00e3o apenas da vida, mas tamb\u00e9m da morte.<\/p>\n<p>Sobre o narcisismo, Derrida faz uma pondera\u00e7\u00e3o\u00a0que ser\u00e1 muito lembrada por seus comentadores, e que aparece tamb\u00e9m no document\u00e1rio: \u201cn\u00e3o h\u00e1 o narcisismo e o n\u00e3o-narcisismo; h\u00e1 narcisismos menos ou mais compreensivos, generosos, abertos, estendidos, e o que chamamos de n\u00e3o-narcisismo \u00e9 apenas, em geral, a economia de um narcisismo mais acolhedor, hospitaleiro e aberto \u00e0 experi\u00eancia do outro como outro. Eu acredito que sem um movimento de reapropria\u00e7\u00e3o narc\u00edsica, a rela\u00e7\u00e3o com o outro seria completamente destru\u00edda, seria precipitadamente destru\u00edda. (&#8230;) \u00c9 preciso que se esboce um movimento de reapropria\u00e7\u00e3o da imagem de si-mesmo para que o amor seja poss\u00edvel. O amor \u00e9 narc\u00edsico. Ent\u00e3o, h\u00e1 pequenos narcisismos, h\u00e1 grandes narcisismos, e h\u00e1 a morte no final, que \u00e9 o limite. Mesmo na experi\u00eancia da morte, se \u00e9 que h\u00e1 morte, o narcisismo n\u00e3o se retira absolutamente\u201d (<a href=\"http:\/\/hydra.humanities.uci.edu\/derrida\/narc.html\" target=\"_blank\"><i>There is no \u201cone\u201d narcisism [Autobiophotographies]<\/i>. Entrevista a Didier Cahen, 1986<\/a>).<\/p>\n<p>A imagem e a autobiografia s\u00e3o, em\u00a0Derrida, uma forma de situar mais claramente o lugar complexo e inst\u00e1vel a partir de onde ele fala, o lugar de um sujeito n\u00e3o-totalit\u00e1rio, ao contr\u00e1rio, bastante poroso, feito de d\u00favidas, esquecimentos e de sucessivas mortes. H\u00e1 uma simetria entre descobrir o outro em si e abrir-se para o outro a partir de si (desse narcisismo generoso). \u00c9 assim que\u00a0reencontramos nele\u00a0uma medida precisa entre a nega\u00e7\u00e3o iconoclasta e o culto desmedido \u00e0 imagem, que demonstra o potencial pol\u00edtico e altru\u00edsta que pode haver na constru\u00e7\u00e3o de um autorretrato.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa tentativa \u2013 tardia e dif\u00edcil \u2013 de aproxima\u00e7\u00e3o ao pensamento de Jacques Derrida, encontrei este document\u00e1rio em que o fil\u00f3sofo franco-argelino fala de sua rela\u00e7\u00e3o com a fotografia: ele justifica porque, at\u00e9 certo momento de sua vida, n\u00e3o permitia a divulga\u00e7\u00e3o de sua imagem. Derrida, 2002. Document\u00e1rio dirigido Kirby Dick e Amy Ziering [document\u00e1rio integral dispon\u00edvel no You Tube] Nesse fragmento, ele explica que aquilo que escreve a respeito da literatura prop\u00f5e \u201cconduzir \u00e0 desfetichiza\u00e7\u00e3o do autor, principalmente, do autor tal e qual ele aparece nos c\u00f3digos de uma fotografia p\u00fablica\u201d. 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