{"id":749,"date":"2010-05-10T07:18:07","date_gmt":"2010-05-10T07:18:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=749"},"modified":"2018-12-28T11:17:50","modified_gmt":"2018-12-28T11:17:50","slug":"a-retorica-de-um-fotografo-as-retoricas-da-imagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/a-retorica-de-um-fotografo-as-retoricas-da-imagem\/","title":{"rendered":"A ret\u00f3rica de um fot\u00f3grafo, as ret\u00f3ricas da imagem"},"content":{"rendered":"<p>Meu primeiro \u00e1lbum de fotografia foi feito por um fot\u00f3grafo itinerante de uma tal Cia. Fotogr\u00e1fica Euclydes, de Lins, interior de S\u00e3o Paulo. N\u00e3o havia c\u00e2mera em casa, mas a fotografia j\u00e1 tinha seu papel na constru\u00e7\u00e3o da imagem de uma fam\u00edlia e de uma inf\u00e2ncia feliz.<\/p>\n<p>Os tempos eram outros, uma periferia de S\u00e3o Paulo quase interioriorana, a casa simples da minha av\u00f3, ingredientes de uma inoc\u00eancia que n\u00e3o existe mais. Tocavam a campainha e simplesmente abria-se a porta. Podia ser pesquisador, vendedor, evang\u00e9lico, e logo a pessoa estava no sof\u00e1 de casa.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/primeiro_album_0121.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-756\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/primeiro_album_012-150x1501.jpg\" alt=\"primeiro_album_01\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Certo dia, era um fot\u00f3grafo que batia \u00e0 porta. Perguntava se havia na casa algu\u00e9m que pudesse servir de modelo para uma exposi\u00e7\u00e3o num tal Sal\u00e3o Fotogr\u00e1fico da Crian\u00e7a. Minha av\u00f3, que cuidava de mim e de minha irm\u00e3 enquanto minha m\u00e3e trabalhava, disse que dispunha ali dos dois exemplares mais lindos da esp\u00e9cie. \u00a0Eu tinha uns tr\u00eas anos e minha irm\u00e3, uns cinco.<\/p>\n<p>Deve ter sido emocionante. Foto era algo que se fazia s\u00f3 nas f\u00e9rias e nos anivers\u00e1rios, quando algum amigo da fam\u00edlia levava a c\u00e2mera, ou no <em>Foto Moderna<\/em>, melhor est\u00fadio do bairro. Desta vez, minha av\u00f3 n\u00e3o apenas acolheu o fot\u00f3grafo como participou da produ\u00e7\u00e3o ajudando a escolher os objetos e loca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/primeiro_album_0231.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-761\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/primeiro_album_023-150x1501.jpg\" alt=\"primeiro_album_02\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a> Semanas depois, o sujeito retornou e explicou a injusti\u00e7a: infelizmente, as fotos n\u00e3o foram escolhidas para o Sal\u00e3o. \u201cMas as fotos ficaram t\u00e3o lindas&#8230;\u201d.\u00a0 Ele disse que as imagens iriam pro lixo, morreu de pena. Pelo pre\u00e7o de custo, s\u00f3 pra cobrir o filme e a revela\u00e7\u00e3o, as fotos seriam nossas. O \u00e1lbum era de presente.<\/p>\n<p>Dessa vez, minha m\u00e3e estava em casa. E o que minha av\u00f3 tem de inoc\u00eancia, minha m\u00e3e tem de desconfian\u00e7a. Enquanto uma se derretia com as imagens, a outra partia pra cima do fot\u00f3grafo. Minha m\u00e3e n\u00e3o botou f\u00e9 na hist\u00f3ria do Sal\u00e3o, agarrou o \u00e1lbum e avisou que, dali, essas imagens n\u00e3o sairiam. Enxotou o fot\u00f3grafo sem pagar um tost\u00e3o.<\/p>\n<p>Imaginando minha m\u00e3e enfurecida, tenho pena do nosso colega de profiss\u00e3o. Vida dura essa de vender \u00e1lbuns de porta em porta. E, mesmo a lorota do Sal\u00e3o&#8230; J\u00e1 n\u00e3o se fazem golpes como antigamente.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/primeiro_album_0311.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-758\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/primeiro_album_031-150x1501.jpg\" alt=\"primeiro_album_03\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Esse foi nosso primeiro \u00e1lbum de fotografia que, no final das contas, minha m\u00e3e adorou. Mas at\u00e9 hoje ela n\u00e3o perdoa minha av\u00f3, que caprichou na produ\u00e7\u00e3o, mas me deixou aparecer com uma bota ortop\u00e9dica t\u00e3o esfolada e com a perna toda riscada de caneta.<\/p>\n<p>Vinte anos depois, eu virei fot\u00f3grafo. Fazia outro tipo de trabalho, mas a vida n\u00e3o era l\u00e1 t\u00e3o mais f\u00e1cil. Quantas vezes tamb\u00e9m eu precisei abusar da ret\u00f3rica pra conseguir me aproximar das coisas, fazer minhas fotos e vender as imagens. Depois, virei te\u00f3rico, tentando entender como a fotografia participa intensamente das din\u00e2micas que definem nossos pap\u00e9is e rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p>Este post acabou reunindo muitos ex-colaboradores da Cia Fotogr\u00e1fica Euclydes. Se voc\u00ea trabalhou l\u00e1, n\u00e3o deixe de ver a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/exeuclydes\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">p\u00e1gina Ex-Euclydes do Facebook<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu primeiro \u00e1lbum de fotografia foi feito por um fot\u00f3grafo itinerante de uma tal Cia. Fotogr\u00e1fica Euclydes, de Lins, interior de S\u00e3o Paulo. 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