{"id":695,"date":"2010-04-15T12:29:29","date_gmt":"2010-04-15T12:29:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=695"},"modified":"2019-10-03T14:28:12","modified_gmt":"2019-10-03T14:28:12","slug":"pixo-na-bienal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/pixo-na-bienal\/","title":{"rendered":"&quot;Pixo&quot; na Bienal"},"content":{"rendered":"<p>(&#8230; entre um post e outro, um pensamento em voz alta, mesmo deslocado dos nossos temas&#8230;)<\/p>\n<p>M\u00f4nica Bergamo noticiou na <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq1204201005.htm\" target=\"_blank\">Folha Ilustrada de segunda-feira <\/a>que o grupo de \u201cpixadores\u201d que fez um protesto na 28a Bienal de S\u00e3o Paulo foi convidado a integrar a 29a edi\u00e7\u00e3o do evento. Naquela ocasi\u00e3o, o curador Ivo Mesquita criticou duramente a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Deixo aqui algumas d\u00favidas.<\/p>\n<p>O gesto de Moacir dos Anjos, atual curador, pode ser lido de modo amb\u00edguo: pode representar a abertura do evento a manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o institucionalizadas, ou pode ser uma demonstra\u00e7\u00e3o do poder das institui\u00e7\u00f5es sobre as manifesta\u00e7\u00f5es que lhes s\u00e3o cr\u00edticas.<\/p>\n<p>S\u00f3 pelas discuss\u00f5es que suscita, a iniciativa j\u00e1 \u00e9 v\u00e1lida, como uma esp\u00e9cie de performance que visa refletir sobre os limites da arte contempor\u00e2nea. Mas, caso o grupo aceite, como ser\u00e1 a interven\u00e7\u00e3o? Ou melhor, ainda ser\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o? Eles poder\u00e3o decidir qual parede v\u00e3o utilizar ou em quais obras v\u00e3o interferir? \u00c9 improv\u00e1vel, mas quem sabe&#8230;?<\/p>\n<p>Em <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/ilustrada\/ult90u720657.shtml\" target=\"_blank\">entrevista \u00e0 Folha<\/a>, o curador disse:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;O que realmente queremos incluir na presente edi\u00e7\u00e3o da Bienal \u00e9 a pixa\u00e7\u00e3o, ou simplesmente o pixo, com \u2018x\u2019 mesmo, grafia usada por seus praticantes para diferenciar o que fazem hoje em S\u00e3o Paulo das picha\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-partid\u00e1rias, religiosas, musicais, ou mesmo ligadas \u00e0 propaganda que h\u00e1 v\u00e1rios anos enchem os muros e paredes da cidade, a despeito do qu\u00e3o \u2018limpa\u2019 ela queira apresentar-se.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Existe aqui algo curioso. Para organizar um processo de abertura que come\u00e7ou l\u00e1 pelos anos 60, construiu-se a distin\u00e7\u00e3o entre o grafite e a picha\u00e7\u00e3o, em palavras da \u00e9poca, entre a arte de rua e o vandalismo. Neste momento, abrir a Bienal para as ruas exige, novamente, dividir suas experi\u00eancias: existe ent\u00e3o a boa e a m\u00e1 picha\u00e7\u00e3o. Soa um pouco manique\u00edsta.<\/p>\n<p>Por enquanto, o curador pode estar dando um passo bastante razo\u00e1vel: se essa interven\u00e7\u00e3o chegou at\u00e9 ali, ali \u00e9 um bom lugar para discuti-la. Mas ainda \u00e9 preciso entender o que significaria a presen\u00e7a dos pichadores na Bienal, para ambos os lados.<\/p>\n<p>Para que o debate n\u00e3o se dilua precocemente, tendo a pensar que a coisa mais interessante neste momento seria a Bienal fazer o convite e o grupo n\u00e3o aceit\u00e1-lo. Os pichadores continuariam sendo\u00a0um fantasma\u00a0que assombra\u00a0a curadoria,\u00a0a curadoria seguiria tentando lidar com as for\u00e7as desse al\u00e9m-da-arte. E a gente seguiria discutindo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(&#8230; entre um post e outro, um pensamento em voz alta, mesmo deslocado dos nossos temas&#8230;) M\u00f4nica Bergamo noticiou na Folha Ilustrada de segunda-feira que o grupo de \u201cpixadores\u201d que fez um protesto na 28a Bienal de S\u00e3o Paulo foi convidado a integrar a 29a edi\u00e7\u00e3o do evento. Naquela ocasi\u00e3o, o curador Ivo Mesquita criticou duramente a a\u00e7\u00e3o. Deixo aqui algumas d\u00favidas. 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