{"id":6340,"date":"2013-10-07T13:31:47","date_gmt":"2013-10-07T13:31:47","guid":{"rendered":"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/?p=6340"},"modified":"2016-05-28T14:04:06","modified_gmt":"2016-05-28T14:04:06","slug":"a-pedagogia-do-olhar-inclusivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/a-pedagogia-do-olhar-inclusivo\/","title":{"rendered":"Todo corpo merece uma imagem"},"content":{"rendered":"<p>Pacientes terminais, mulheres mastectomizadas, obesos m\u00f3rbidos, mutilados, v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual, corpos em decad\u00eancia, sobreviventes de cat\u00e1strofes, criminosos no corredor da morte s\u00e3o, dentre tantos outros, personagens que t\u00eam sido vistos em s\u00e9ries fotogr\u00e1ficas que ganham grande repercuss\u00e3o, sobretudo pelas redes sociais. Aqui, uma antiga curiosidade do olhar \u00e9 confrontada com o desejo de construir novas formas de abordagem pela retrato fotogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Trata-se de algo dif\u00edcil de discutir. Para come\u00e7ar, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil definir que tipo de personagem \u00e9 esse, exatamente porque a no\u00e7\u00e3o de \u201ctipo\u201d \u00e9 quase sempre desastrosa para a compreens\u00e3o do corpo e da cultura, na medida em que dissolve os sujeitos em apar\u00eancias e comportamentos m\u00e9dios. Manter essa consci\u00eancia \u00e9 o desafio que temos quando a recorr\u00eancia de certos projetos parecem compor em torno desses personagens uma tem\u00e1tica da fotografia.<\/p>\n<div id=\"attachment_6348\" style=\"width: 272px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Thomas-North-Irlanda-1874.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6348\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-6348 \" alt=\"Thomas North, Irlanda, 1874\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Thomas-North-Irlanda-1874.jpg\" width=\"262\" height=\"390\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6348\" class=\"wp-caption-text\">Thomas North, Irlanda, 1874<\/p><\/div>\n<p>Come\u00e7ando pela hist\u00f3ria&#8230; O s\u00e9culo XIX j\u00e1 teve provavelmente a impress\u00e3o de que nada escapava \u00e0 fotografia. Havia os momentos de buscar as belezas mais can\u00f4nicas. Tamb\u00e9m, os momentos de aprofundar a iniciativa &#8211; j\u00e1 esbo\u00e7ada pela pintura e pela literatura &#8211; de fazer da realidade banal algo merecedor de uma representa\u00e7\u00e3o elaborada. No s\u00e9culo XX, com a difus\u00e3o do instant\u00e2neo, esse olhar sobre o banal viria marcar a linguagem moderna da fotografia, numa perspectiva humanista: \u00e9 com o instante que se resgata a singularidade do homem comum e an\u00f4nimo.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da grande e da pequena beleza, h\u00e1 algo que n\u00e3o escapou \u00e0 fotografia do s\u00e9culo XIX: o estranho, o feio, o grotesco, o obsceno, o marginal, o doente, o mal-formado, fatos e personagens mostrados em nome da ci\u00eancia, do espet\u00e1culo ou, ainda, de uma combina\u00e7\u00e3o dessas duas coisas que a fotografia soube agenciar (como exemplo, o post <a href=\"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/?p=1904\" target=\"_blank\">Blanche: o monstro libidinoso)<\/a>. Mais do que qualquer outra arte, a fotografia buscou mostrar aquilo que o olhar deveria evitar e que, exatamente por dever evitar, passou a desejar um tanto perversamente.<\/p>\n<p>\u00c9 bem prov\u00e1vel que o interesse por esses temas nunca tenha desaparecido. Mas, de um lado, imagens desse tipo tendem a ser banidas dos espa\u00e7os mais p\u00fablicos de entretenimento e difus\u00e3o cient\u00edfica (como faziam o circo de aberra\u00e7\u00f5es e o gabinete de curiosidades). De outro, uma no\u00e7\u00e3o de arte fotogr\u00e1fica se estabelece reivindicando para a imagem uma for\u00e7a que est\u00e1 menos nas coisas que se colocam diante da c\u00e2mera, e mais nos modos peculiares de mostr\u00e1-las.<\/p>\n<p>Entre recalque e o sensacionalismo, h\u00e1 experi\u00eancias que se destacam. Temos no trabalho de Diane Arbus, nos anos 60, um ponto de inflex\u00e3o. Ali, reencontramos deficientes, pessoas deslocadas, feias, marginais, deficientes, casais improv\u00e1veis, mostrados com uma naturalidade inimit\u00e1vel. N\u00e3o se trata apenas de um estilo, de um modo de fotografar, mas de um modo de se inserir na diversidade humana. N\u00e3o h\u00e1 em suas imagens pena, constrangimento, como\u00e7\u00e3o, estranhamento ou desejo de chocar. O que surpreende \u00e9 exatamente ver numa condi\u00e7\u00e3o de normalidade esses sujeitos que supostamente exigiriam do olhar uma abordagem t\u00e3o at\u00edpica quanto eles.<\/p>\n<div id=\"attachment_6350\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/diane_arbus_young_brooklyn_family.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6350\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-6350\" alt=\"Diane Arbus, Jovem fam\u00edlia do Brooklyn, 1966\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/diane_arbus_young_brooklyn_family-620x643.jpg\" width=\"620\" height=\"643\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6350\" class=\"wp-caption-text\">Diane Arbus, Jovem fam\u00edlia do Brooklyn, 1966<\/p><\/div>\n<p>Vale lembrar ainda do trabalho de Joel-Peter Witkin que, nos anos 80, requisita pessoas mutiladas, doentes terminais e cad\u00e1veres para reencenar mitos e obras cl\u00e1ssicas da hist\u00f3ria da arte. Trata-se de colocar numa perspectiva erudita a est\u00e9tica um tanto crua do circo de aberra\u00e7\u00f5es.\u00a0Enquanto Arbus perturba por colocar seus personagens estranhos num lugar demasiadamente comum, Witkin faz o mesmo ao desloc\u00e1-los para um palco no qual se encenam as hist\u00f3rias mais idealizadas e arquet\u00edpicas. S\u00e3o experi\u00eancias extremas, mas muito seguras de suas abordagens que constroem. Em contrapartida, diante desses personagens, qualquer meia-naturalidade ou qualquer meia-idealiza\u00e7\u00e3o se revela um tanto problem\u00e1tica.<\/p>\n<div id=\"attachment_6352\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/tumblr_l97ic7C4gv1qc3atxo1_1280.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6352\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-6352\" alt=\"Joel-Peter Witkin, Leda, 1986\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/tumblr_l97ic7C4gv1qc3atxo1_1280-620x613.jpg\" width=\"620\" height=\"613\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6352\" class=\"wp-caption-text\">Joel-Peter Witkin, Leda, 1986<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, recebemos a cada semana pelas redes sociais a indica\u00e7\u00e3o de um ensaio que nos convoca a enfrentar algo que nossos olhares evitariam, aquilo que pareceria desrespeitoso expor ou mesmo fitar em demasia. De modo geral, seus autores sabem se desviar de qualquer tipo de dramatiza\u00e7\u00e3o f\u00e1cil. Com uma abordagem discreta, \u00e0s vezes sistem\u00e1tica, oferecendo uma troca direta de olhares, reconhecemos tanto a proximidade conquistada pelo fot\u00f3grafo quanto a consci\u00eancia que os personagens t\u00eam do trabalho que est\u00e1 sendo feito. Em geral, evita-se tamb\u00e9m a presen\u00e7a de elementos ret\u00f3ricos como poses, cen\u00e1rios ou objetos que soem emblem\u00e1ticos da situa\u00e7\u00e3o que se mostra (a menos quando esses recursos caracterizam o lugar que se quer restituir ao personagem, como \u00e9 o caso das fotos sensuais do projeto &#8220;Full Beauty&#8221;, abaixo). A prefer\u00eancia pela simplicidade da constru\u00e7\u00e3o tende a ser, mais do que uma escolha est\u00e9tica, uma postura \u00e9tica e cr\u00edtica com rela\u00e7\u00e3o ao excesso de apelo das imagens do passado.<\/p>\n<div id=\"attachment_6344\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/brigid-o.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6344\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-6344\" alt=\"David Jay, The Scar Project, 2011: http:\/\/www.thescarproject.org\/\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/brigid-o-620x494.jpg\" width=\"620\" height=\"494\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6344\" class=\"wp-caption-text\">David Jay, The Scar Project, 2011: <a href=\"http:\/\/www.thescarproject.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.thescarproject.org\/<\/a><\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_6345\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/unbreak.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6345\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-6345\" alt=\"Grace Brown, Project Unbreakable, 2013: http:\/\/project-unbreakable.org\/\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/unbreak-620x460.jpg\" width=\"620\" height=\"460\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6345\" class=\"wp-caption-text\">Grace Brown, Project Unbreakable, 2013: <a href=\"http:\/\/project-unbreakable.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/project-unbreakable.org\/<\/a>. O projeto traz v\u00edtimas de abuso sexual mostrando frases que ouviram dos estupradores (esquerda).<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_6347\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Raqui.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6347\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-6347\" alt=\"Yossi Loloi, Full Beauty Project, 2011: http:\/\/www.fullbeautyproject.com\/\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Raqui-620x476.jpg\" width=\"620\" height=\"476\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6347\" class=\"wp-caption-text\">Yossi Loloi, Full Beauty Project, 2011: <a href=\"http:\/\/www.fullbeautyproject.com\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.fullbeautyproject.com\/<\/a><\/p><\/div>\n<p>Ainda que esses trabalhos pare\u00e7am dialogar com Diane Arbus, a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 ingrata. Diante dela, todos esses trabalhos novos parecem tratar a naturalidade como artif\u00edcio, como projeto, como gesto desenhado em um <i>storyboard<\/i>. Arbus simplesmente transita por um mundo em que esses personagens existem. Nos trabalhos que circulam pelas redes sociais, paradoxalmente, o esfor\u00e7o de construir uma abordagem n\u00e3o dram\u00e1tica se revela, por si mesmo, comovente: \u201ctamb\u00e9m s\u00e3o humanos, gente como a gente, n\u00e3o perderam a dignidade\u201d.<\/p>\n<p>Na m\u00e9dia, esses trabalhos s\u00e3o importantes, bem intencionados, inclusivos, at\u00e9 mesmo terap\u00eauticos: ensinam a enfrentar e olhar as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis da vida. Mas tantos adjetivos, assim reunidos, pesam desconfortavelmente. Vistos individualmente, alguns ensaios s\u00e3o realmente bons. Dilu\u00eddos num excesso de iniciativas semelhantes, correm o risco de se confundir com mais um sintoma das culpas hist\u00f3ricas que acumulamos, e que se desdobram em a\u00e7\u00f5es afirmativas (do tipo \u201csistema de cotas\u201d) e numa pedagogia do politicamente correto.<\/p>\n<p>A repeti\u00e7\u00e3o e o excesso s\u00e3o quase sempre destrutivos, mas seria um erro desqualificar esses trabalhos em massa. Muitas vezes, esses fot\u00f3grafos est\u00e3o lidando fatos que lhes s\u00e3o pr\u00f3ximos, marcantes em sua vida privada, e que muitas vezes assumem uma dimens\u00e3o existencial mais complexa. Mas tamb\u00e9m desconfio que outros tantos autores selecionam os dramas que mostrar\u00e3o numa esp\u00e9cie de <i>brainstorm<\/i>, como uma empresa escolhe seus projetos de responsabilidade social.<\/p>\n<p>Essas experi\u00eancias podem ser socialmente \u00fateis, mas tendem a ser ef\u00eameras na medida em que tanto os personagens quanto o modo de abordagem podem ser facilmente apreendidos numa frase: \u201cpessoas com tal hist\u00f3ria fotografadas de tal jeito\u201d. \u00c9 exatamente aqui que esses projetos correm o risco de compor uma tem\u00e1tica, e de reduzir novamente esses sujeitos a um tipo. Quando isso ocorre, as imagens j\u00e1 nos chegam interpretadas, antes mesmo de se serem efetivamente olhadas.\u00a0Para boa parte dessas causas, os sentimentos implicados j\u00e1 est\u00e3o expressos e estocados: temos sempre \u00e0 m\u00e3o uma dose compaix\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o para esse tipo de drama, mais ou menos como um punhado moedas que deixamos no porta-trecos do carro.<\/p>\n<p>Se esperamos que a arte cumpra o papel de express\u00e3o, \u00e9 prefer\u00edvel enfrentar imagens que provocam sentimentos ainda n\u00e3o nomeados, menos apaziguados, fora do lugar-comum, que n\u00e3o respondem aos dramas j\u00e1 conhecidos. Vejo esse potencial num trabalho como <i>An Eye for An Eye,\u00a0<\/i>1998, do artista polon\u00eas Artur Zmijewski (a dica me chegou por Livia Aquino e Solange Farkas). Apesar de antigo, esse v\u00eddeo ganhou indica\u00e7\u00f5es recentes nas redes sociais e, com elas, uma enxurrada de coment\u00e1rios indignados.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/player.vimeo.com\/video\/50738207\" width=\"466\" height=\"360\" frameborder=\"0\" title=\"Artur Zmijewski - An Eye for An Eye, 1998\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>De modo geral, acho mais instigantes os trabalhos que n\u00e3o se reduzem a uma investida num tema, que n\u00e3o portam nenhuma causa ou \u201cbandeira\u201d e que, por isso mesmo, precisam de tempo para serem apreendidos.\u00a0John Coplans explora tudo aquilo que seu pr\u00f3prio corpo pode render em termos de formas, desenho, volume, texturas. Mais cedo ou mais tarde, \u00e9 inevit\u00e1vel que suas imagens nos convidem a repensar os padr\u00f5es de beleza ditados para o corpo. Mas seu trabalho permanece discreto, silencioso, sem qualquer finalidade terap\u00eautica ou pedag\u00f3gica. Sem dar um rosto a esse corpo, Coplans est\u00e1 mais interessado em buscar nessa mat\u00e9ria seu potencial escult\u00f3rico, do em nos comover com a coragem de assumir sua condi\u00e7\u00e3o decadente.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o sempre ser\u00e1 uma pot\u00eancia de toda boa arte. Mas \u00e9 preciso desconfiar dos m\u00e9todos muito pragm\u00e1ticos e apressados de ensino.<\/p>\n<div id=\"attachment_6343\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Coplans11.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6343\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-6343\" alt=\"John Coplans. Auto-retrato, 1985\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Coplans11-620x488.jpg\" width=\"620\" height=\"488\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6343\" class=\"wp-caption-text\">John Coplans. Auto-retrato, 1985<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_6342\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/P78534_10.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6342\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-6342\" alt=\"John Coplans. Auto-retrato, 1984\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/P78534_10-620x345.jpg\" width=\"620\" height=\"345\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6342\" class=\"wp-caption-text\">John Coplans. Auto-retrato, 1984<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pacientes terminais, mulheres mastectomizadas, obesos m\u00f3rbidos, mutilados, v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual, corpos em decad\u00eancia, sobreviventes de cat\u00e1strofes, criminosos no corredor da morte s\u00e3o, dentre tantos outros, personagens que t\u00eam sido vistos em s\u00e9ries fotogr\u00e1ficas que ganham grande repercuss\u00e3o, sobretudo pelas redes sociais. Aqui, uma antiga curiosidade do olhar \u00e9 confrontada com o desejo de construir novas formas de abordagem pela retrato fotogr\u00e1fico. Trata-se de algo dif\u00edcil de discutir. 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