{"id":4912,"date":"2013-05-01T13:29:29","date_gmt":"2013-05-01T13:29:29","guid":{"rendered":"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/?p=4912"},"modified":"2016-05-28T14:05:35","modified_gmt":"2016-05-28T14:05:35","slug":"cao-guimaraes-pequenos-impulsos-para-grandes-saltos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/cao-guimaraes-pequenos-impulsos-para-grandes-saltos\/","title":{"rendered":"Cao Guimar\u00e3es: pequenos impulsos para grandes saltos"},"content":{"rendered":"<p>Cao Guimar\u00e3es \u00e9 um artista e cineasta que tem se empenhado para diminuir a dist\u00e2ncia entre esses dois campos, mas que, de fato, sempre foi visto mais confortavelmente no circuito de galerias e bienais do que nas salas de cinema. Uma amostra significativa de sua produ\u00e7\u00e3o, que inclui tamb\u00e9m seus longa-metragens, est\u00e1 sendo exibida agora no Ita\u00fa Cultural, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo da mostra,\u00a0<em>Ver \u00e9 uma f\u00e1bula<\/em>, \u00e9 emprestado do livro <em>Catatau<\/em>, de Paulo Leminski, e nos desarma das quest\u00f5es que tendemos a colocar sobre a veracidade daquilo que os meios t\u00e9cnicos mostram: a voca\u00e7\u00e3o para a ficcionaliza\u00e7\u00e3o e para a reinven\u00e7\u00e3o dos sentidos est\u00e1 na percep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o come\u00e7a e nem termina com a interven\u00e7\u00e3o da c\u00e2mera.<\/p>\n<p>Para\u00a0colocar em di\u00e1logo trabalhos distintos, a curadoria\u00a0utiliza o espa\u00e7o expositivo quase ao modo das instala\u00e7\u00f5es. Elas conduzem o espectador por esse espa\u00e7o, mas discretamente, sem desejar imprimir qualidades alheias aos trabalhos mostrados.<\/p>\n<p>Nesse conjunto, vemos que Cao Guimar\u00e3es alcan\u00e7a uma combina\u00e7\u00e3o rara na arte contempor\u00e2nea: projetos que n\u00e3o exigem conceitua\u00e7\u00f5es prolixas, que det\u00e9m o olhar em sua plasticidade bem cuidada, que convidam tamb\u00e9m \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o e ao sil\u00eancio, sem ansiedade para se desdobrar em explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"620\" height=\"465\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/iL1zucA8KDA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Surpreende a economia de recursos em muitos trabalhos: seus gestos s\u00e3o comedidos e os movimentos m\u00ednimos, ou lentos ou, pelo menos, duram o tempo necess\u00e1rio para serem apreendidos, e raramente chegam a compor narrativas. Como diz o artista, o que busca s\u00e3o os \u201cmicrodramas da forma\u201d. Nada a ver com a defesa de uma est\u00e9tica formalista, mas com a ideia de que os eventos ganham sentido e coes\u00e3o tamb\u00e9m por meio de seus pequenos incidentes.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m fica evidente na proje\u00e7\u00e3o de fotos da s\u00e9rie <em>Gambiarras <\/em>(2001-2012), esp\u00e9cie de etnografia dos esfor\u00e7os de adapta\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia, que s\u00e3o pr\u00f3prios do &#8220;terceiro mundo&#8221;, como sugere o artista. Nessa s\u00e9rie, assim como no v\u00eddeo <em>Mestres da Gambiarra<\/em> (2008), vemos o valor est\u00e9tico e funcional de uma bricolagem praticada cotidianamente, que tira proveito dos encontros mais improv\u00e1veis entre as coisas.<\/p>\n<div id=\"attachment_4916\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/untitled.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4916\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-4916\" alt=\"untitled\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/untitled-620x491.jpg\" width=\"620\" height=\"491\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4916\" class=\"wp-caption-text\">Cao Guimar\u00e3es, da s\u00e9rie <em>Gambiarras<\/em>, 2001-2012<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_4915\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/cao-guimaracc83es_gambiarra3.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4915\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-4915\" alt=\"cao-guimaracc83es_gambiarra3\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/cao-guimaracc83es_gambiarra3-620x465.jpg\" width=\"620\" height=\"465\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4915\" class=\"wp-caption-text\">Cao Guimar\u00e3es, da s\u00e9rie <em>Gambiarras<\/em>, 2001-2012<\/p><\/div>\n<p>V\u00e1rios trabalhos assumem um car\u00e1ter documental, quase antropol\u00f3gico, mas sem precisar se apoiar em explica\u00e7\u00f5es, e sem a necessidade de encadear os acontecimentos. Apostam apenas no adensamento que as formas adquirem quando oferecidas serenamente ao olhar. Raramente encontramos premissas, apenas descobertas, e uma imensa disponibilidade do artista para mostrar o que encontra. Cao Guimar\u00e3es n\u00e3o tem pressa, \u00e9 preciso que o p\u00fablico tamb\u00e9m n\u00e3o tenha.<\/p>\n<p>Mesmo os trabalhos\u00a0que assumem interven\u00e7\u00f5es mais conceituais &#8211; como\u00a0<em>Word\/World<\/em> (2001) ou <em>Quarta-feira de cinzas<\/em> (2006) &#8211;\u00a0n\u00e3o abrem m\u00e3o da plasticidade das imagens e evitam ret\u00f3ricas rebuscadas. Eles exigem apenas o tempo do olhar e oferecem sem esfor\u00e7o aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio para a compreens\u00e3o das estrat\u00e9gias adotadas.<\/p>\n<p>Os olhares formados pela fotografia se sentir\u00e3o bem acolhidos. Porque encontrar\u00e3o nessas obras a experi\u00eancia de quem aprendeu a desconfiar que as coisas que se movem pouco est\u00e3o sempre preparadas para grandes saltos.\u00a0Encontrar\u00e3o os mesmos movimentos pequenos, hesitantes, que simplesmente atravessam o olhar, que tanto buscamos quando cercamos um fragmento de realidade com a c\u00e2mera fotogr\u00e1fica. Podemos ali entender melhor a rela\u00e7\u00e3o que a performance do fot\u00f3grafo estabelece com o tempo: n\u00e3o se trata necessariamente de apanhar no la\u00e7o o instante certo, mas de arrebanhar num espa\u00e7o condensado os fluxos das coisas que tendem \u00e0 dispers\u00e3o.\u00a0Esses fluxos n\u00e3o se perdem, permanecem latentes, e realizar\u00e3o sua voca\u00e7\u00e3o assim que houver um olhar disposto a refabul\u00e1-los.<\/p>\n<p>&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>A mostra <em>Ver \u00e9 uma f\u00e1bula<\/em> fica em cartaz no Ita\u00fa Cultural at\u00e9 01\/06. Os longa-metragens ter\u00e3o um \u00faltimo ciclo de exibi\u00e7\u00e3o entre 23 e 26\/05. Outras informa\u00e7\u00f5es, no site do <a href=\"http:\/\/novo.itaucultural.org.br\/programe-se\/agenda\/evento\/?id=67460\">Ita\u00fa Cultural<\/a>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"620\" height=\"349\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/n88Ieqcy1Rw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"620\" height=\"349\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/7iawZNq0Zhw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cao Guimar\u00e3es \u00e9 um artista e cineasta que tem se empenhado para diminuir a dist\u00e2ncia entre esses dois campos, mas que, de fato, sempre foi visto mais confortavelmente no circuito de galerias e bienais do que nas salas de cinema. Uma amostra significativa de sua produ\u00e7\u00e3o, que inclui tamb\u00e9m seus longa-metragens, est\u00e1 sendo exibida agora no Ita\u00fa Cultural, em S\u00e3o Paulo. O t\u00edtulo da mostra,\u00a0Ver \u00e9 uma f\u00e1bula, \u00e9 emprestado do livro Catatau, de Paulo Leminski, e nos desarma das quest\u00f5es que tendemos a colocar sobre a veracidade daquilo que os meios t\u00e9cnicos mostram: a voca\u00e7\u00e3o para a ficcionaliza\u00e7\u00e3o e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4916,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[825,2,833,832],"tags":[747,787],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4912"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4912"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4912\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6544,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4912\/revisions\/6544"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4916"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}