{"id":48,"date":"2009-10-20T17:41:31","date_gmt":"2009-10-20T17:41:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=48"},"modified":"2016-12-15T10:06:12","modified_gmt":"2016-12-15T10:06:12","slug":"quanto-de-photoshop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/quanto-de-photoshop\/","title":{"rendered":"Quanto de Photoshop?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_50\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-50\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-50\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/Klavs-Bo-Christensen1.jpg\" alt=\"Foto de Klavs Bo Christensen rejeitada pelo concurso e imagem original\" width=\"300\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/Klavs-Bo-Christensen1.jpg 400w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/Klavs-Bo-Christensen1-768x1031.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-50\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Klavs Bo Christensen rejeitada pelo concurso e imagem original<\/p><\/div>\n<p>O assunto n\u00e3o \u00e9 novo, nosso blog \u00e9 que chegou atrasado&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns meses, \u00a0o <a href=\"http:\/\/www.olhave.com.br\/blog\/?p=1875\" target=\"_blank\">Olha V\u00ea<\/a> trouxe a not\u00edcia sobre esta imagem de Klavs Bo Christensen, que foi banida do concurso dinamarqu\u00eas <em>Picture of the year<\/em>, por \u201cexcesso de Photoshop\u201d. \u00c9 uma quest\u00e3o bastante complicada, considerando que a manipula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se refere a uma montagem, no sentido de acrescentar ou retirar elementos da cena, mas sim ao suposto abuso de filtros e corre\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Decidi retomar o tema porque me deparei com as regras do concurso que justificaram a exclus\u00e3o. Entre outras coisas, diz o seguinte:<\/p>\n<p><em>As fotos enviadas ao\u00a0 Picture of the year devem ser uma representa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel daquilo que ocorreu em frente \u00e0 c\u00e2mera durante a exposi\u00e7\u00e3o. Pode-se processar (post-process) as imagens eletronicamente desde que de acordo com as boas pr\u00e1ticas. Pode-se cortar, queimar (burning), clarear (dodging), converter em preto e branco bem como normalizar a exposi\u00e7\u00e3o ou corrigir as cores, mas preservando a express\u00e3o original da imagem. O j\u00fari e o comit\u00ea da exposi\u00e7\u00e3o reservam o direito de ver o arquivo original RAW, \u201craw tape\u201d, negativos e\/ou cromos. Em caso de d\u00favida, o fot\u00f3grafo pode ser banido da competi\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Pra come\u00e7ar, algu\u00e9m explica o que s\u00e3o \u201cboas pr\u00e1ticas\u201d? Ser\u00e1 algo parecido com os bons costumes?<\/p>\n<p>\u00c9 certo que houve manipula\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o intencional, planejada, mas algumas quest\u00f5es devem ser colocadas:<\/p>\n<p>&#8211; Considerando que a corre\u00e7\u00e3o da imagem \u00e9 pr\u00e1tica recorrente no fotojornalismo, como estabelecer o limite a partir do qual esse procedimento se torna inconveniente ou anti\u00e9tico?<\/p>\n<p>&#8211; H\u00e1 uma diferen\u00e7a significativa entre as corre\u00e7\u00f5es as que fazemos hoje no Photoshop e as que faz\u00edamos no laborat\u00f3rio (e que, ali\u00e1s, levam os mesmos nomes: burning, dodging&#8230;)?<\/p>\n<p>&#8211; Existe um comportamento seja do filme ou do CCD que possamos chamar de \u201cnatural\u201d? Em outras palavras, n\u00e3o s\u00e3o eles inevitavelmente programados pelo fabricante para responder ao est\u00edmulo da luz segundo uma programa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; Se o problema \u00e9 a \u201cp\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o\u201d, como julgar as imagens feitas com as novas c\u00e2meras digitais que trazem cada vez mais efeitos semelhantes aos do Photoshop como recursos \u201cpr\u00e9-programados\u201d?<\/p>\n<p>\u00c9 claro que essas perguntas s\u00e3o ret\u00f3ricas, porque j\u00e1 insinuam uma resposta.<\/p>\n<p>S\u00f3 pra comparar, a Associated Press diz em sua\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ap.org\/newsvalues\/index.html\" target=\"_blank\">Carta de Novos Valores e Princ\u00edpios<\/a>:<\/p>\n<p><em>As fotografias da AP devem sempre dizer a verdade. N\u00f3s n\u00e3o alteramos ou manipulamos o conte\u00fado de uma fotografia em nenhuma hip\u00f3tese (&#8230;).<\/em><\/p>\n<p><em>Pequenos ajustes em Photoshop s\u00e3o aceit\u00e1veis. Isso inclui cortes, dodging e burning, convers\u00e3o em escala de cinzas, normaliza\u00e7\u00e3o de tons e ajustes de cores que devem se limitar ao m\u00ednimo necess\u00e1rio a uma clara e acurada reprodu\u00e7\u00e3o (semelhante ao burning e dodging geralmente utilizados no processamento de imagens em laborat\u00f3rio) e que restauram a aut\u00eantica natureza da fotografia.<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_104\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-104\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-104\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/obama1.jpg\" alt=\"obama\" width=\"400\" height=\"276\" \/><p id=\"caption-attachment-104\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Mannie Garcia agenciada pela AP, e o cartaz de Shepard Fairey<\/p><\/div>\n<p>Ali\u00e1s, \u00e9 nesta Carta de Princ\u00edpios que a AP se baseou para questionar as imagens feitas pelo artista Shepard Fairey, na campanha de Barak Obama, como vimos nesses dias no\u00a0<a href=\"http:\/\/clicio.wordpress.com\/2009\/10\/17\/publicou-processa\/\" target=\"_self\">blog do Cl\u00edcio<\/a>.<\/p>\n<p>Mas aqui est\u00e1 novamente o n\u00f3: qual \u00e9 essa &#8220;aut\u00eantica natureza da fotografia&#8221;? \u00c9 a natureza em si, tipo o movimento do sol, a for\u00e7a da gravidade, o moranguinho silvestre que nasce la longe? Ou \u00e9 algo forjado pela tradi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria fotografia? Se for, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma natureza em estado puro, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o cultural, pass\u00edvel de adapta\u00e7\u00e3o, de atualiza\u00e7\u00e3o, de releitura ao longo da hist\u00f3ria. O que seria, por exemplo, &#8220;restituir a aut\u00eantica natureza da moda&#8221;, \u00a0&#8220;a aut\u00eantica natureza da l\u00edngua portuguesa&#8221;&#8230;?<\/p>\n<p>No final das contas, trata-se de \u201crespeitar a tradi\u00e7\u00e3o documental&#8221; que, \u00e9 certo, tem um grande valor. Mas, se for esse o caso, seria melhor assumir em vez de fazer malabarismos conceituais.<\/p>\n<p>Tenho a impress\u00e3o de haver certo saudosismo de uma pureza que nunca existiu, de uma esp\u00e9cie de Jardim do Eden do qual fomos expulsos pelo pecado que cometemos. O s\u00e9culo XIX acreditou ter descoberto a Escrita do Sol, da Luz ou o \u201cL\u00e1pis da Natureza\u201d. E, \u00e0s vezes, podemos achar que essas primeiras fotografias eram o para\u00edso, mas n\u00e3o, j\u00e1 eram o pr\u00f3prio fruto do conhecimento.<\/p>\n<p>\u00c9 um assunto velho e que ainda vai longe. Mas temos que reconhecer: deve ser mais f\u00e1cil fazer uma \u201cfotografia confi\u00e1vel\u201d do que redigir regras para concursos e cartas de princ\u00edpios para ag\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O assunto n\u00e3o \u00e9 novo, nosso blog \u00e9 que chegou atrasado&#8230; H\u00e1 alguns meses, \u00a0o Olha V\u00ea trouxe a not\u00edcia sobre esta imagem de Klavs Bo Christensen, que foi banida do concurso dinamarqu\u00eas Picture of the year, por \u201cexcesso de Photoshop\u201d. \u00c9 uma quest\u00e3o bastante complicada, considerando que a manipula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se refere a uma montagem, no sentido de acrescentar ou retirar elementos da cena, mas sim ao suposto abuso de filtros e corre\u00e7\u00f5es. 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