{"id":4772,"date":"2013-03-11T23:00:36","date_gmt":"2013-03-11T23:00:36","guid":{"rendered":"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/?p=4772"},"modified":"2016-05-28T14:06:27","modified_gmt":"2016-05-28T14:06:27","slug":"texto-imagem-teoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/texto-imagem-teoria\/","title":{"rendered":"Texto-imagem-teoria"},"content":{"rendered":"<p>Uma vez, numa roda de conversa que inclu\u00eda L\u00edvia Aquino e Pio Figueiroa, perguntei a Maur\u00edcio Lissovsky se uma teoria poderia ser est\u00e9tica. Ele me respondeu que n\u00e3o havia teoria aceit\u00e1vel que n\u00e3o fosse est\u00e9tica. De fato, tive muitas vezes a intui\u00e7\u00e3o de que os pensadores que eu mais admiro s\u00e3o grandes alegoristas: apropriam-se de imagens que, quando sobrepostas aos objetos de suas reflex\u00f5es, permitem ver alguns de seus aspectos ou din\u00e2micas mais sutis. Os exemplos s\u00e3o fartos em Benjamin, Barthes, Sontag, Dubois, Flusser, Didi-Huberman, entre tantos outros.<\/p>\n<p>A possibilidade de traduzir uma reflex\u00e3o te\u00f3rica sobre a fotografia em uma forma liter\u00e1ria j\u00e1 foi demonstrada por obras consagradas como &#8220;A aventura de um fot\u00f3grafo&#8221;, de \u00cdtalo Calvino, &#8220;As babas do diabo&#8221;, de J\u00falio Cort\u00e1zar. Um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o feito a partir de um conjunto de obras liter\u00e1rias, algumas pouco conhecidas, pode ser vista no artigo \u201c<a href=\"http:\/\/issuu.com\/facomfaap\/docs\/facom23\/40\" target=\"_blank\">O fotogr\u00e1fico na literatura<\/a>&#8220;, de Fernando de Tacca. L\u00edvia Aquino tamb\u00e9m trazido muitas contribui\u00e7\u00f5es na se\u00e7\u00e3o \u201c<a href=\"http:\/\/www.dobrasvisuais.com.br\/?cat=7\" target=\"_blank\">O que \u00e9 a fotografia<\/a>\u201d, do blog Dobras Visuais.<\/p>\n<p>Creio ser poss\u00edvel entender algumas experi\u00eancias est\u00e9ticas como um trabalho de cr\u00edtica, n\u00e3o diretamente uma &#8220;avalia\u00e7\u00e3o de obras de arte&#8221;, mas cr\u00edtica no sentido dado ao termo pela tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica: a constru\u00e7\u00e3o das possibilidades de conhecimento de um certo objeto que, no caso, \u00e9 a fotografia e a cultura formada por essa linguagem.<\/p>\n<p>Segundo Adorno, um ensaio &#8211; uma texto reflexivo em forma liter\u00e1ria, mesmo que n\u00e3o exatamente ficcional &#8211; n\u00e3o pode ser simplesmente pensado como obra arte, porque ainda tenta dar conta de um objeto por meio de conceitos. Mas o ensaio tamb\u00e9m recusa \u201ca m\u00e1xima positivista segundo a qual os escritos sobre arte n\u00e3o devem jamais almejar um modo de apresenta\u00e7\u00e3o art\u00edstico, ou seja, uma autonomia da forma\u201d (Adorno, \u201cO ensaio como forma\u201d).<\/p>\n<p>Trata-se, no final das contas, de defender o valor conceitual das imagens, sejam as fotogr\u00e1ficas, sejam as liter\u00e1rias. Ou, visto pela perspectiva oposta, busca-se aquilo que persiste de imagem nos conceitos que tendem a tocar a realidade de uma forma fria, neutra e objetiva. Neste sentido, vale lembrar da tese de Nieztsche, segundo a qual \u201cas verdades s\u00e3o ilus\u00f5es, das quais se esqueceu que o s\u00e3o, met\u00e1foras que se tomaram gastas e sem for\u00e7a sens\u00edvel, moedas que perderam sua ef\u00edgie\u201d(Nietzsche, &#8220;Sobre a verdade e a mentira no sentido extra-moral&#8221;). O que se busca \u00e9 devolver um rosto, uma paisagem, uma a\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que temos teorizado sobre a cultura fotogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>De modo intuitivo, creio que nos aproximamos muitas vezes disso neste blog. Num post anterior, \u201c<a href=\"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/?p=3873\" target=\"_blank\">A imagem como teoria<\/a>\u201d, discuti o modo como como os ensaios aqui publicados, apesar de sua inten\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, aproximam-se muitas vezes da linguagem ficcional.<\/p>\n<p>No ano passado, arrisquei-me um pouco mais na cria\u00e7\u00e3o de textos ficcionais, trabalhando numa s\u00e9rie de contos e cr\u00f4nicas que ainda penso como produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, escrita a partir das mesmas quest\u00f5es que t\u00eam movido os textos acad\u00eamicos. Um desses contos, &#8220;<a href=\"http:\/\/modobulb.com\/arevista\/o-que-fica-what-remains\/ronaldo-entler\/\" target=\"_blank\">A \u00faltima narrativa<\/a>&#8220;, foi publicado no ano passado, em <em>A Revista #2<\/em>, editada por Felipe Russo. Um segundo, <a href=\"http:\/\/www.dobrasvisuais.com.br\/?p=6116\" target=\"_blank\">Claro Escuro, est\u00e1 saindo agora no Dobras Visuais<\/a>. \u00c9 a hist\u00f3ria de um assassino profissional que administra a rela\u00e7\u00e3o com seus fantasmas por meio de um \u00e1lbum de fotografias.\u00a0Tem mais uma dezena dessas hist\u00f3rias na gaveta aguardando revis\u00e3o e coragem, e que devem aparecer aos poucos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-large wp-image-4790\" alt=\"Screen Shot 2013-03-11 at 19.55.27\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Screen-Shot-2013-03-11-at-19.55.27-620x424.png\" width=\"620\" height=\"424\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vez, numa roda de conversa que inclu\u00eda L\u00edvia Aquino e Pio Figueiroa, perguntei a Maur\u00edcio Lissovsky se uma teoria poderia ser est\u00e9tica. 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