{"id":4693,"date":"2013-03-04T17:30:58","date_gmt":"2013-03-04T17:30:58","guid":{"rendered":"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/?p=4693"},"modified":"2016-05-28T14:06:36","modified_gmt":"2016-05-28T14:06:36","slug":"camara-lucida-camara-insana-fotografos-nao-sao-normais-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/camara-lucida-camara-insana-fotografos-nao-sao-normais-parte-ii\/","title":{"rendered":"C\u00e2mara l\u00facida, c\u00e2mara insana [Fot\u00f3grafos n\u00e3o s\u00e3o normais &#8211; parte II]"},"content":{"rendered":"<p>O post que inaugurou este blog, <a href=\"http:\/\/www.iconica.com.br\/blog\/?p=22\"><i>Fot\u00f3grafos n\u00e3o s\u00e3o normais<\/i><\/a>, foi motivado pelo personagem de Joaquin Phoenix no filme <i>Amantes<\/i> (2008). Em <i>O mestre<\/i> (2012), o personagem interpretado por esse mesmo ator volta a temperar sua insanidade com um pouco de fotografia. A insanidade \u00e9 agora bem mais evidente. J\u00e1 a fotografia, apesar de ser um elemento totalmente secund\u00e1rio, constitui uma boa met\u00e1fora da quest\u00e3o central proposta pelo diretor Paul Thomas Anderson.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/themaster.jpeg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-4694\" alt=\"themaster\" src=\"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/themaster-620x371.jpeg\" width=\"620\" height=\"371\" \/><\/a><\/p>\n<p><i>O Mestre<\/i> tem sido apresentado pela imprensa como uma hist\u00f3ria baseada na tal &#8220;Cientologia&#8221;, seita que tem Tom Cruise e John Travolta entre seus adeptos ilustres. \u00c9 um \u00f3timo filme, \u00a0mas ser\u00e1 frustrante para quem quiser saber mais sobre aquilo que tem feito a cabe\u00e7a das celebridades de Hollywood. O roteiro n\u00e3o est\u00e1 comprometido com personagens hist\u00f3ricos e tampouco se d\u00e1 ao trabalho de explicar satisfatoriamente os fundamentos da doutrina.\u00a0\u00c9, antes de tudo, um filme sobre as diferentes formas da loucura, que pode se manifestar como <em>pathos<\/em>, seu modo cl\u00e1ssico, mas tamb\u00e9m como <em>logos<\/em>, por meio da t\u00e9cnica, de discursos articulados e performances bem calculadas.<\/p>\n<p>Freddie Quell (Joaquin Phoenix) \u00e9 um ex-combatente da Segunda Guerra, filho de uma mulher psic\u00f3tica, viciado em destilados n\u00e3o catalogados, totalmente desprovido de superego. Numa de suas fugas, ele encontra o carism\u00e1tico Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), que se auto-define como \u201cescritor, m\u00e9dico, f\u00edsico nuclear, fil\u00f3sofo teor\u00e9tico, mas tamb\u00e9m um homem\u201d. \u00c9 o criador de uma esp\u00e9cie de terapia de vidas passadas que se realiza sob forma de pequenos espet\u00e1culos. Nessa rela\u00e7\u00e3o, Quell encontra um lugar de toler\u00e2ncia e Dodd, um objeto de estudo. N\u00e3o demoram a demostrar uma profunda identifica\u00e7\u00e3o, como se fossem dois lados de uma mesma moeda.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/themaster.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-4695\" alt=\"themaster\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/themaster-620x333.png\" width=\"620\" height=\"333\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os dist\u00farbios de Quell ficam evidentes logo na abertura do filme. Dispensado da marinha ao fim da guerra, e ap\u00f3s uma bateria de testes psicol\u00f3gicos e palestras motivacionais, reencontramos Quell bem integrado ao mundo, calmo, trabalhando como fot\u00f3grafo numa sofisticada loja de departamentos. \u00a0O cuidado que tem com a composi\u00e7\u00e3o e com a luz ajuda a demonstrar que o personagem \u00e9 capaz de assimilar um saber t\u00e9cnico e de ter pleno dom\u00ednio de seus gestos. Esse ambiente e os rostos que encontra s\u00e3o retratos do sonho americano.\u00a0Mas a fotografia mant\u00e9m seu lugar de obscurantismo: no laborat\u00f3rio, Quell ainda se droga com bebidas improvisadas e faz sexo com uma colega de trabalho. Quando volta a seu posto, a paix\u00e3o e o controle demandados pela fotografia ressurgem misturados: vemos um Quell com fisionomia transformada, torto diante de sua c\u00e2mera, fazendo da pr\u00f3pria luz um instrumento de viol\u00eancia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/player.vimeo.com\/video\/59378295\" width=\"620\" height=\"349\" frameborder=\"0\" title=\"O Mestre (2012) - Fragmentos\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Essa mesma confus\u00e3o entre sombra e luz \u00e9 o que guiar\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o de Quell, o &#8220;animal&#8221;, e Dodd, o homem ilustrado. Um ser\u00e1 para o outro uma esp\u00e9cie de espelho que mostra o que pode haver de loucura represada na ci\u00eancia e de amor, na viol\u00eancia. Essa distin\u00e7\u00e3o se revelar\u00e1 desconfort\u00e1vel, \u00e0s vezes insuport\u00e1vel, e ser\u00e1 preciso recobrar o lugar\u00a0pr\u00f3prio\u00a0de cada personagem. Assim como, na fotografia, cobramos um dia a distin\u00e7\u00e3o entre o lugar do registro t\u00e9cnico e aquele da express\u00e3o de sentimentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O post que inaugurou este blog, Fot\u00f3grafos n\u00e3o s\u00e3o normais, foi motivado pelo personagem de Joaquin Phoenix no filme Amantes (2008). Em O mestre (2012), o personagem interpretado por esse mesmo ator volta a temperar sua insanidade com um pouco de fotografia. A insanidade \u00e9 agora bem mais evidente. J\u00e1 a fotografia, apesar de ser um elemento totalmente secund\u00e1rio, constitui uma boa met\u00e1fora da quest\u00e3o central proposta pelo diretor Paul Thomas Anderson. 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