{"id":4669,"date":"2013-02-04T16:37:37","date_gmt":"2013-02-04T16:37:37","guid":{"rendered":"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/?p=4669"},"modified":"2016-05-28T14:06:53","modified_gmt":"2016-05-28T14:06:53","slug":"minhas-ferias-no-instagram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/minhas-ferias-no-instagram\/","title":{"rendered":"Minhas f\u00e9rias no Instagram"},"content":{"rendered":"<p>Fim das f\u00e9rias. Nesse per\u00edodo, um lugar por onde me aventurei foi o Instagram. L\u00e1 eu procurei e fui encontrado por amigos, colegas de trabalho, alunos, alguns desconhecidos, pessoas com quem compartilho n\u00e3o mais que uma dezena de imagens por semana. \u00c9 algo l\u00fadico, irreverente, descomprometido com um ideal de arte fotogr\u00e1fica, assim como sempre foi para a maioria das pessoas.<\/p>\n<div id=\"attachment_4675\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/fernando_schmitt_instagram1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4675\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-4675\" alt=\"Fernando Schmitt, Instagram\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/fernando_schmitt_instagram-620x620.jpg\" width=\"620\" height=\"620\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4675\" class=\"wp-caption-text\">Fernando Schmitt, Instagram [@fximiti]<\/p><\/div>Boa parte dessa minha pequena rede \u00e9 formada por pessoas que, fora dali, levam a fotografia muito a s\u00e9rio. Quase todos assumem essa rede como um espa\u00e7o para coisas variadas e despretensiosas. Eventualmente,\u00a0um ou outro esbo\u00e7a, com essas mesmas coisas variadas e\u00a0despretensiosas, algo que ganha contornos de uma pesquisa.<\/p>\n<p>Nesses tempos em que a fotografia assume um forte car\u00e1ter conceitual, em que os artistas trabalham a partir de projetos, batalham os editais e tem que saber vender o que fazem, o Instagram permite resgatar um aspecto diletante recalcado em nossa rela\u00e7\u00e3o com a fotografia: o h\u00e1bito de perambular por a\u00ed colhendo cenas interessantes ou inusitadas, e de mostrar para um amigo qualquer a imagem que se conseguiu naquele dia. Fizemos muito isso nos tempos da fotografia anal\u00f3gica. Se esse fosse ainda o nosso modo de trabalho, soaria algo insuficiente e nost\u00e1lgico. Mas no Instagram vale.<\/p>\n<div id=\"attachment_4676\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/juliana_nadin_instagram1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4676\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-4676\" alt=\"Juliana Nadin, Instagram\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/juliana_nadin_instagram-620x620.jpg\" width=\"620\" height=\"620\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4676\" class=\"wp-caption-text\">Juliana Nadin, Instagram [@junadin]<\/p><\/div>Sem d\u00favida, os profissionais s\u00e3o uma parcela muito pequena dessa rede, assim como os artistas que vemos nos museus ou que habitam nossas prateleiras de livros s\u00e3o uma fra\u00e7\u00e3o \u00ednfima do que foi produzido na hist\u00f3ria da fotografia. O Instagram \u00e9 essencialmente composto por aqueles que registram suas f\u00e9rias, a fam\u00edlia, os amigos, as baladas, a casa, o que comem, ali\u00e1s, coisas com as quais muitos bons fot\u00f3grafos tamb\u00e9m se divertem. Torcemos o nariz mas a fotografia tamb\u00e9m \u00e9 isso, ela sempre teve voca\u00e7\u00e3o para as coisas mundanas. Essa afirma\u00e7\u00e3o j\u00e1 aparecia em tom de acusa\u00e7\u00e3o na boca de artistas e cr\u00edticos do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da fotografia \u00e9 indissoci\u00e1vel da cultura de massa, ela n\u00e3o pode ser entendida sem que se leve em conta suas manifesta\u00e7\u00f5es populares e an\u00f4nimas. Nesse sentido, o Instagram e o iPhone s\u00e3o t\u00e3o relevantes quanto a 5D, assim como, historicamente, a Kodak foi t\u00e3o relevante quanto a Leica.<\/p>\n<div id=\"attachment_4672\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/jacques-henri-lartigue-02.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4672\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-4672\" alt=\"Jacques-Henri Lartigue, Prima Bichonnade saltando, 1905.\" src=\"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/jacques-henri-lartigue-02-620x460.jpeg\" width=\"620\" height=\"460\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4672\" class=\"wp-caption-text\">Jacques-Henri Lartigue, Prima Bichonnade saltando, 1905.<\/p><\/div>\n<p>Acho produtivo esse espa\u00e7o de indistin\u00e7\u00e3o em que as imagens assumem um destino incerto e se contaminam. \u00c9 menos problem\u00e1tico todos se divertirem com os filtros do Instagram do que um amador ser convencido de que ter\u00e1 um bom portf\u00f3lio se comprar mais lentes e frequentar workshops com profissionais que revelam os segredos da boa fotografia.<\/p>\n<p>Em contrapartida, algo dif\u00edcil de admitir: a forte presen\u00e7a da fotografia nos espa\u00e7os de arte contempor\u00e2nea deve muito ao fato de suas imagens terem disseminado uma cultura ampla, para al\u00e9m das no\u00e7\u00f5es de \u201cg\u00eanio\u201d ou \u201cgosto\u201d art\u00edstico, mais do que aos esfor\u00e7os dos grandes autores.<\/p>\n<p>O Instagram \u00e9 uma febre e vai passar. Certamente trocaremos de aplicativo muito mais r\u00e1pido do que costum\u00e1vamos trocar de c\u00e2mera. N\u00e3o \u00e9 isso que importa. As quest\u00f5es que quero pensar valem tamb\u00e9m para o <i>Flickr<\/i>, para o <i>Hipstamatic<\/i>, e para a pr\u00f3xima rede de compartilhamento de imagens que vier. Seja qual for a bola da vez, essas experi\u00eancias dizem muito mais sobre o impacto das novas tecnologias na fotografia do que a melhor das c\u00e2meras profissionais. \u00c9 na amplitude da circula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o na quantidade de pixels que a fotografia digital mostra sua cara.<\/p>\n<div id=\"attachment_4673\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/malu_teodoro_instagram2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4673\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-4673\" alt=\"Malu Teodoro, Instagram\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/malu_teodoro_instagram-620x619.jpg\" width=\"620\" height=\"619\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4673\" class=\"wp-caption-text\">Malu Teodoro, Instagram [@maluteodoro]<\/p><\/div>A fotografia n\u00e3o \u00e9 apenas uma imagem, mas tamb\u00e9m um universo de rituais. \u00c9 aqui que devemos buscar as mudan\u00e7as mais significativas. \u00c9 com os blogs, o Orkut, o Facebook, o Flickr, o Instagram, e claro, com os smartphones que vemos a cultura fotogr\u00e1fica ser impactada por din\u00e2micas efetivamente novas, ainda que sujeitas \u00e0s mesmas e antigas cr\u00edticas.<\/p>\n<p>Vimos recentemente um <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Nn-dD-QKYN4\" target=\"_blank\">videoclipe que circulou no Youtube<\/a>\u00a0que ironizava as manias do Instagram. Em seu alvo, tal par\u00f3dia se aproxima da observa\u00e7\u00e3o feita por Baudelaire sobre o modo como a \u201csociedade imunda se lan\u00e7a, como um \u00fanico Narciso, \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o de sua imagem trivial sobre o metal\u201d (<i>O p\u00fablico moderno e a fotografia<\/i>). A m\u00fasica \u00e9 mais baseada numa encena\u00e7\u00e3o c\u00f4mica do que em argumentos, e claramente se apropria da mesma vulgaridade que questiona para se difundir nas redes.<\/p>\n<p>De fato, o Instagram est\u00e1 baseado no pressuposto de que tudo que \u00e9 visto pode ser mostrado, do mesmo modo que o Twitter ou o Facebook levam a crer que tudo o que \u00e9 pensado deve ser dito. \u00c9 inevit\u00e1vel temer que n\u00e3o haja olhares suficientes para essa massa de informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio desconfiar da fragilidade das formas mec\u00e2nicas e econ\u00f4micas de intera\u00e7\u00e3o criada pelas redes, sob a forma de bot\u00f5es como \u201ccurtir\u201d e \u201ccompartilhar\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o que merece ser pensada mas, antes de adotar uma postura apocal\u00edptica, prefiro respeitar uma d\u00favida que permanecer\u00e1 sem resposta. Olhando para as imagens que sobreviveram anonimamente ao s\u00e9culo XX, e considerando o modo como pesquisadores, colecionadores e artistas estabelecem a partir delas um di\u00e1logo com a hist\u00f3ria, eu me pergunto: quem estaria em condi\u00e7\u00f5es de definir qual imagem deveria ou n\u00e3o ter sido produzida? Quem poder\u00e1 dizer de antem\u00e3o qual a imagem ter\u00e1 valor para a hist\u00f3ria ou para a mem\u00f3ria?<\/p>\n<p>[@entler]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fim das f\u00e9rias. Nesse per\u00edodo, um lugar por onde me aventurei foi o Instagram. L\u00e1 eu procurei e fui encontrado por amigos, colegas de trabalho, alunos, alguns desconhecidos, pessoas com quem compartilho n\u00e3o mais que uma dezena de imagens por semana. \u00c9 algo l\u00fadico, irreverente, descomprometido com um ideal de arte fotogr\u00e1fica, assim como sempre foi para a maioria das pessoas. Boa parte dessa minha pequena rede \u00e9 formada por pessoas que, fora dali, levam a fotografia muito a s\u00e9rio. Quase todos assumem essa rede como um espa\u00e7o para coisas variadas e despretensiosas. 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