{"id":4506,"date":"2012-11-05T17:21:55","date_gmt":"2012-11-05T17:21:55","guid":{"rendered":"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/?p=4506"},"modified":"2016-05-28T13:40:37","modified_gmt":"2016-05-28T13:40:37","slug":"vi-ver-uma-historia-essencial-fotografias-de-nair-benedicto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/vi-ver-uma-historia-essencial-fotografias-de-nair-benedicto\/","title":{"rendered":"VI VER, uma hist\u00f3ria essencial &#8211; Fotografias de Nair Benedicto"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 sempre muito dif\u00edcil escrever sobre o trabalho de uma pessoa muito querida e admirada como Nair Benedicto. Seu nome reina solit\u00e1rio na constela\u00e7\u00e3o da fotografia brasileira e est\u00e1 inscrito na hist\u00f3ria como uma autora engajada na grande aventura humana. Sua fotografia sempre foi politizada e independente, l\u00edrica e amorosa, suficientemente forte. Avassaladora. O livro \u2013 VI VER, editado por ocasi\u00e3o do FestFotoPOA \u2013 \u00e9 uma oportunidade para a nova gera\u00e7\u00e3o conhecer melhor sua trajet\u00f3ria, e se surpreender com a edi\u00e7\u00e3o das imagens que espelha os dilemas centrais da pol\u00edtica brasileira e da cultura contempor\u00e2nea.<\/p>\n<div id=\"attachment_4511\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4511\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4511\" title=\"\u00edndios\" src=\"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Nair-Benedicto-N-Imagens-\u00cdndio-Arantx-Manouk-do-Mato-Grosso-2006-360x240.jpeg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"240\" \/><p id=\"caption-attachment-4511\" class=\"wp-caption-text\">Nair Benedicto, \u00cdndio Arantx, Manouki do Mato Grosso, 2006<\/p><\/div>\n<p>A fotografia ocupa um papel fundamental na constru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria. \u00c9 um documento que estabelece a possibilidade ao leitor de percorrer caminhos diversos e labir\u00ednticos entre o passado e o presente, a fim de idealizar um compromisso com o futuro. Para isso, \u00e9 fundamental entender que a fotografia nada evoca sem o envolvimento de um olhar mobilizado. Fica claro que Nair Benedicto sempre teve consci\u00eancia que seu trabalho realizado com autenticidade e t\u00e9cnica, foi permanentemente regulado pela emo\u00e7\u00e3o e pela intui\u00e7\u00e3o. Isso significa que suas fotografias, aqui colocadas num fluxo que gera um ritmo, provocam a mem\u00f3ria e a permitem a constru\u00e7\u00e3o de uma participa\u00e7\u00e3o reflexiva e cognitiva.<\/p>\n<p>Imposs\u00edvel n\u00e3o destacar que sua tem\u00e1tica \u00e9 pol\u00edtica e social. Ali\u00e1s, \u00e9 fundamental conhecer um pouco da sua trajet\u00f3ria, mesmo que panoramicamente, para entender porque sua fotografia se diferencia de tantas outras produzidas do mesmo per\u00edodo. No final dos anos sessenta era estudante de r\u00e1dio e televis\u00e3o na Universidade de S\u00e3o Paulo. Ativa no movimento estudantil foi presa pela ditadura militar. Parece paradoxal, mas sua pris\u00e3o ao mesmo tempo inviabilizou seu projeto de trabalhar em emissoras de televis\u00e3o e possibilitou assumir a fotografia como linguagem e express\u00e3o. Em 1975, ap\u00f3s fotografar o cotidiano dos nordestinos em S\u00e3o Paulo, suas fotografias foram adquiridas pelo Museu de Arte Moderna de Nova York.<\/p>\n<div id=\"attachment_4509\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4509\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4509\" title=\"juan esteves-2008-nair-benedicto\" src=\"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/juan-esteves-2008-nair-benedicto-360x360.jpeg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"360\" \/><p id=\"caption-attachment-4509\" class=\"wp-caption-text\">Nair Benedicto. Foto: Juan Esteves, 2008<\/p><\/div>\n<p>Trabalhou a vida inteira como <em>free lancer<\/em> afirmando a cada trabalho sua independ\u00eancia. Essa coragem \u00e9 que lhe deu liberdade para olhar e fotografar qualquer tema sem restri\u00e7\u00f5es. Mais tarde, em 1979, fundou a Ag\u00eancia F-4 de fotojornalismo (com Juca Martins, Ricardo Malta e Delfim Martins) que marcou \u00e9poca e fez hist\u00f3ria. Em 1991 criou a N-Imagens e participou ativamente do grupo NAFOTO, respons\u00e1vel por organizar o M\u00eas Internacional da Fotografia na cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Sua fotografia ocupou as principais p\u00e1ginas dos jornais e revistas nacionais e internacionais, e documentou todo o movimento sindical do pa\u00eds, em particular o de S\u00e3o Bernardo do Campo e outros temas pol\u00eamicos e ainda ausentes da grande imprensa. Sua aceita\u00e7\u00e3o no mercado aos poucos revolucionou a m\u00eddia impressa, seja pela exig\u00eancia do cr\u00e9dito da imagem seja pelo engajamento profissional da fotografia. Conhecer minimamente essa trajet\u00f3ria \u00e9 reconhecer sua import\u00e2ncia na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds.<\/p>\n<div id=\"attachment_4513\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4513\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4513\" title=\"Travestis no Rio de Janeiro, de 1984\" src=\"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Travestis-no-Rio-de-Janeiro-de-1984-360x242.jpeg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"242\" \/><p id=\"caption-attachment-4513\" class=\"wp-caption-text\">Nair Benedicto, Travestis no Rio de Janeiro, 1984<\/p><\/div>\n<p>Sua paix\u00e3o s\u00e3o os grandes temas sociais e pol\u00edticos, e para isso mobilizou sua vida em torno dessas quest\u00f5es. Nair deu visibilidade \u00e0s condi\u00e7\u00f5es inumanas e sofridas das minorias \u2013 as mulheres, as crian\u00e7as, os homossexuais, os adolescentes, os \u00edndios, os travestis, as prostitutas, os grafiteiros, entre outros. Suas imagens trazem a energia da vida e n\u00e3o apenas mis\u00e9ria e sofrimento. S\u00e3o fotografias que tem esp\u00edrito forte e geralmente s\u00e3o s\u00ednteses de situa\u00e7\u00f5es lim\u00edtrofes. Raramente temos o registro de um evento singular ou de um momento decisivo, pois seu trabalho tem como estrat\u00e9gia o total respeito pelo Outro.<\/p>\n<p>Partindo da premissa de que fotografia \u00e9 tamb\u00e9m uma possibilidade de politizar a recep\u00e7\u00e3o, Nair consegue elaborar seu trabalho com forte cunho documental e acima de tudo insuspeito e afetivo. Verdadeiramente aut\u00eantico. Nada de enfatizar emerg\u00eancias desnecess\u00e1rias e sensacionalistas, mas dignificar o <em>continuum<\/em> da vida e revigorar a imagem buscando o momento de suspens\u00e3o no cotidiano das pessoas. Ali\u00e1s, a presen\u00e7a humana \u00e9 parte de sua percep\u00e7\u00e3o expandida voltada para a valoriza\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>O nome do livro \u2013 <strong>VI<\/strong>\u00a0 <strong>VER<\/strong> \u2013 assume todas as ambiguidades poss\u00edveis \u2013 o verbo ver (vi e ver) e a ess\u00eancia da vida (que \u00e9 viver) \u2013 marcam exatamente os diversos momentos de uma vida em permanente transi\u00e7\u00e3o. A foto que finaliza o livro \u00e9 o registro de uma superf\u00edcie pict\u00f3rica de um grafite que ao longo do tempo perde suas cores e sua materialidade, e ganha inser\u00e7\u00f5es naturais e sobreposi\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas ao acaso. De certa forma, a \u201cvida\u201d daquela parede inscrita \u00e9 muito parecida com a nossa vida. Ao longo do tempo, n\u00f3s humanos, perdemos e ganhamos, assim como naquela parede fotografada que faz prevalecer o sentido de vazio e uma atmosfera desoladora de desconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_4519\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4519\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-4519\" title=\"Grafite\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Grafite-620x465.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"465\" \/><p id=\"caption-attachment-4519\" class=\"wp-caption-text\">Nair Benedicto, Grafite sob o Minhoc\u00e3o, 2010<\/p><\/div>\n<p>Ao nos depararmos com as diferentes s\u00e9ries editadas podemos ter impress\u00e3o que se trata de ensaios completamente distintos. Mas o conjunto \u00e9 poderoso e acaba permitindo uma vis\u00e3o ampla e diferenciada do intenso trabalho de Nair Benedicto. Aos nossos olhos cabe reconhecer a import\u00e2ncia adquirida pelas imagens e perceber que s\u00e3o ecos de um mesmo movimento em momentos ass\u00edncronos. Claro, expressam a atitude libert\u00e1ria de Nair Benedicto diante da melanc\u00f3lica sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia imposta por aqueles que det\u00e9m algum poder.<\/p>\n<p>Temos a imagem da crian\u00e7a \u2013 seja ela urbana, abandonada, rural ou ind\u00edgena \u2013 que acima de tudo \u00e9 crian\u00e7a. Temos a imagem da mulher \u2013 que \u00e9 m\u00e3e, trabalhadora, batalhadora \u2013 que acima de tudo \u00e9 mulher. Temos a imagem do trabalhador \u2013 que \u00e9 \u00edndio, negro, garimpeiro, mateiro, sem terra \u2013 mas acima de tudo \u00e9 homem. Diante disso, com o livro em m\u00e3os \u00e9 poss\u00edvel criar diferentes camadas de leituras a partir das nossas conex\u00f5es mentais. \u00c9 poss\u00edvel explorar o tempo j\u00e1 que temos fotografias realizadas ao longo de quarenta anos mas que se mostram t\u00e3o atuais justamente porque nosso olhar mobilizado \u00e9 capaz de perceber a import\u00e2ncia atribu\u00edda ao car\u00e1ter e \u00e0 integridade presentes em cada ser humano.<\/p>\n<div id=\"attachment_4510\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4510\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-4510\" title=\"mulheres_do_sisalbahia_1985_por_nair_benedicto\" src=\"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/mulheres_do_sisalbahia_1985_por_nair_benedicto-620x408.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"408\" \/><p id=\"caption-attachment-4510\" class=\"wp-caption-text\">Nair Benedicto, Mulheres do Sisal, 1985<\/p><\/div>\n<p>A fotografia de Nair Benedicto n\u00e3o se enquadra facilmente nos poss\u00edveis g\u00eaneros que atribu\u00edmos para classificar uma imagem. N\u00e3o! \u00c9 muito mais do que isso: trata-se de um olhar humanista, que v\u00ea no Outro algum potencial criador, que valoriza a beleza das coisas simples. Ela jamais corre o risco de transformar uma situa\u00e7\u00e3o de riqueza humana e sensorial numa experi\u00eancia visual empobrecida. Diante de situa\u00e7\u00f5es com alguma desordem espacial e mesmo com ru\u00eddos indesej\u00e1veis, por exemplo, ela sutilmente se movimenta e procura se posicionar para registrar a cena com uma incr\u00edvel naturalidade. Essa experi\u00eancia adv\u00e9m do seu desejo at\u00e1vico de valorizar visualmente toda e qualquer atividade humana. E isso, \u00e0s vezes traz para sua fotografia elementos expressivos inexplic\u00e1veis e inesperados. Singularidades presentes apenas nos grandes mestres.<\/p>\n<div id=\"attachment_4512\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4512\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-4512\" title=\"tesao-no-forro-artista-nair-benedicto, TES\u00c3O NO FORR\u00d3 (FORR\u00d3 DO M\u00c1RIO ZAN) S\u00c3O PAULO, 1977\" src=\"http:\/\/iconica.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/tesao-no-forro-artista-nair-benedicto-TES\u00c3O-NO-FORR\u00d3-FORR\u00d3-DO-M\u00c1RIO-ZAN-S\u00c3O-PAULO-1977-360x270.jpeg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"270\" \/><p id=\"caption-attachment-4512\" class=\"wp-caption-text\">Nair Benedicto, Tes\u00e3o no Forr\u00f3 do M\u00e1rio Zan, 1977<\/p><\/div>\n<p>Cada fotografia conta uma hist\u00f3ria. Toda fotografia traz gente. As imagens s\u00e3o envolventes e singelas; contem cen\u00e1rios e adere\u00e7os preferencialmente populares. O tempo e o espa\u00e7o denotam narrativas povoadas de lembran\u00e7as. A pot\u00eancia deste livro \u00e9 exatamente essa mistura fina de imagens que se contaminam, de tempos que se superp\u00f5em, de espa\u00e7os que se associam, de hist\u00f3rias que se completam, de imagens que dilatam nossa imagina\u00e7\u00e3o. Nair Benedicto consegue desafiar nosso olhar ao nos conectar e nos confrontar com sua hist\u00f3ria que se mostra atrav\u00e9s das suas fotografias. Mergulhar nessa trama \u00e9 buscar uma compreens\u00e3o mais profunda e verdadeira do nosso povo e do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>O livro traz textos assinados por Andr\u00e9ia Peres, Aten\u00e9ia Feij\u00f3, Iza Salles, Jun\u00e9ia Mallas, La\u00eds Tapaj\u00f3s, Nair Benedicto, Rubens Fernandes Junior, Si\u00e3 Osair Sales-kachinawa e dire\u00e7\u00e3o de arte de Ricardo Tilkian.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 sempre muito dif\u00edcil escrever sobre o trabalho de uma pessoa muito querida e admirada como Nair Benedicto. Seu nome reina solit\u00e1rio na constela\u00e7\u00e3o da fotografia brasileira e est\u00e1 inscrito na hist\u00f3ria como uma autora engajada na grande aventura humana. Sua fotografia sempre foi politizada e independente, l\u00edrica e amorosa, suficientemente forte. Avassaladora. 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