{"id":418,"date":"2010-01-17T19:13:10","date_gmt":"2010-01-17T19:13:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=418"},"modified":"2017-03-01T12:34:19","modified_gmt":"2017-03-01T12:34:19","slug":"170-anos-de-fotografia-no-brasil-viva-a-fotografia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/170-anos-de-fotografia-no-brasil-viva-a-fotografia-brasileira\/","title":{"rendered":"170 anos de fotografia no Brasil. VIVA A FOTOGRAFIA BRASILEIRA!"},"content":{"rendered":"<p>No dia 17 de janeiro de 1840, seis meses ap\u00f3s o an\u00fancio oficial do advento da fotografia, uma experi\u00eancia de daguerreotipia foi realizada no Largo do Pa\u00e7o Imperial na cidade do Rio de Janeiro, pelo abade Louis Compte. Sabemos pelos an\u00fancios dos jornais da \u00e9poca que no navio-escola <em>L\u2019Orientale<\/em>, viajava o Abade Compte encarregado de propagar o advento da fotografia ao mundo. Suas experi\u00eancias foram realizadas em Salvador, em dezembro de 1839, no Rio de Janeiro e em Buenos Aires, mas apenas o daguerre\u00f3tipo de 17 de janeiro, tomado no Largo do Pa\u00e7o, sobreviveu aos nossos dias e pertence \u00e0 fam\u00edlia Imperial, ramo Petr\u00f3polis.<\/p>\n<div id=\"attachment_420\" style=\"width: 497px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-420\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-420\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/Louis-Compte-Pa\u00e7o-da-Cidade-Rio-de-Janeiro-18401-487x390.jpg\" alt=\"Abade Louis Compte. Daguerre\u00f3tipo, 1840.\" width=\"487\" height=\"390\" \/><p id=\"caption-attachment-420\" class=\"wp-caption-text\">Abade Louis Compte. Pa\u00e7o Imperial do Rio de Janeiro. Daguerre\u00f3tipo, 1840.<\/p><\/div>\n<p>O <em>Jornal do Commercio <\/em>registrou: \u201c\u00c9 preciso ter visto a cousa com os seus pr\u00f3prios olhos para se fazer id\u00e9ia da rapidez e do resultado da opera\u00e7\u00e3o. Em menos de nove minutos o chafariz do Largo do Pa\u00e7o, a pra\u00e7a do Peixe, o Mosteiro de S\u00e3o Bento, e todos os outros objetos circunstantes se acharam reproduzidos com tal fidelidade, precis\u00e3o e minuciosidade, que bem se via que a cousa tinha sido feita pela pr\u00f3pria m\u00e3o da natureza, e quase sem interven\u00e7\u00e3o do artista.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_421\" style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-421\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-421\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/D.-Pedro-II-Autorretrato-c.-1855-280x457.jpg\" alt=\"D. Pedro II. Autorretrato, c. 1855.\" width=\"280\" height=\"457\" \/><p id=\"caption-attachment-421\" class=\"wp-caption-text\">D. Pedro II. Autorretrato, c. 1855.<\/p><\/div>\n<p>Se relativizarmos a quest\u00e3o do tempo e do espa\u00e7o, seis meses na primeira metade do s\u00e9culo XIX \u00e9 um per\u00edodo pequeno para a fotografia ser disseminada mundo afora. Nessa experi\u00eancia realizada no Rio de Janeiro, um jovem de 14 anos ficou, como todos os presentes, encantado e estupefato com o resultado. Era D. Pedro II que encomendou um aparelho de daguerreotipia e tornou-se o primeiro fot\u00f3grafo amador brasileiro. Esse impulso, somado a uma s\u00e9rie de iniciativas pioneiras do Imperador, como a cria\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo <em>\u201cPhotographo da Casa Imperial\u201d<\/em> a partir de 1851, atribu\u00eddo a 23 profissionais (17 no Brasil e 6 no exterior), coloca a produ\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica do s\u00e9culo XIX como a mais importante da Am\u00e9rica Latina, qualitativa e quantitativamente falando. E Marc Ferrez, que recebeu o t\u00edtulo de <em>\u201cPhotographo da Marinha Imperial\u201d<\/em>, talvez seja o exemplo mais emblem\u00e1tico dessa produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que seu trabalho tem hoje\u00a0reconhecimento internacional frente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>A primeira grande sistematiza\u00e7\u00e3o da fotografia brasileira foi publicada no Rio de Janeiro, em 1946, pelo historiador Gilberto Ferrez (1908-2000), neto e herdeiro do fot\u00f3grafo, na Revista do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional, N\u00ba 10. O ensaio <em>A Fotografia no Brasil e um de seus mais dedicados servidores: Marc Ferrez (1843-1923)<\/em> ocupava as p\u00e1ginas 169-304, j\u00e1 trazia boas fotografias da sua cole\u00e7\u00e3o e buscava mapear o movimento da fotografia no per\u00edodo estudado. Trinta anos mais tarde, o historiador e professor Boris Kossoy, mostrou ao mundo que o franc\u00eas Antoine Hercule Romuald Florence (1804-1879), isoladamente na cidade Vila da S\u00e3o Carlos, atual Campinas, descobre em 1832 os processos de registro da imagem fotogr\u00e1fica. E mais, escreve a palavra <em>photographia<\/em> para denominar o processo. As pesquisas do professor Kossoy, desenvolvidas a partir de 1973 e comprovadas nos laborat\u00f3rios de Rochester, nos Estados Unidos, ganharam as p\u00e1ginas das principais revistas de arte e fotografia do mundo, entre elas, a <em>Art Forum<\/em>, de fevereiro de 1976 e a <em>Popular Photography<\/em>, de novembro de 1976. No mesmo ano foi publicada a primeira edi\u00e7\u00e3o do livro <em>Hercules Florence 1833: a descoberta isolada da fotografia no Brasil<\/em>, agora na terceira edi\u00e7\u00e3o ampliada pela EDUSP.<\/p>\n<div id=\"attachment_429\" style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-429\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-429\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/florence5-280x360.jpg\" alt=\"Retrato de Hercules Florence, 1875\" width=\"280\" height=\"360\" \/><p id=\"caption-attachment-429\" class=\"wp-caption-text\">Retrato de Hercules Florence, 1875<\/p><\/div>\n<p>A tese demonstrou que esse fato isolado provocou uma reviravolta e uma nova interpreta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da fotografia, que tem agora seu in\u00edcio n\u00e3o mais em Ni\u00e8pce e Daguerre, mas \u00e9 entendida como uma s\u00e9rie de iniciativas de pesquisa que foram desenvolvidas quase simultaneamente, gestando o advento da fotografia. Uma nova hist\u00f3ria da fotografia relaciona os nomes dos pioneiros sem hierarquiz\u00e1-los ou prioriz\u00e1-los do ponto de vista da descoberta.<\/p>\n<p>\u00c9 importante nos lembrarmos destas nossas iniciativas pioneiras, pois al\u00e9m de sistematizarem uma hist\u00f3ria m\u00ednima, nos propiciaram a possibilidade de buscar e relacionar outras fontes e trazer \u00e0 superf\u00edcie a hist\u00f3ria de muitos outros profissionais que desenvolveram incr\u00edveis trabalhos de documenta\u00e7\u00e3o e linguagem. O novo gesta-se no conhecido, uma id\u00e9ia que d\u00e1 import\u00e2ncia ao conhecimento acumulado por todos aqueles que t\u00eam preocupa\u00e7\u00e3o de pesquisar e democratizar informa\u00e7\u00f5es com o intuito de que outros pesquisadores desenvolvam novas reflex\u00f5es e indaga\u00e7\u00f5es diversas a partir do que foi estabelecido.<\/p>\n<p>Nesses \u00faltimos anos, diversos livros foram publicados sobre a produ\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica brasileira produzida no s\u00e9culo XIX e primeira metade do s\u00e9culo XX, enriquecendo a iconografia conhecida e agregando alguns dados novos sobre a biografia dos fot\u00f3grafos e suas trajet\u00f3rias profissionais. Al\u00e9m disso, o interesse despertado em jovens pesquisadores, em todo o Brasil, evidencia a urg\u00eancia de sistematizar informa\u00e7\u00f5es, divulgar acervos e cole\u00e7\u00f5es e estabelecer par\u00e2metros de an\u00e1lise e cr\u00edtica sobre a produ\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica. Dezenas de disserta\u00e7\u00f5es de Mestrado e teses de Doutorado foram apresentadas nos \u00faltimos anos, algumas delas j\u00e1 publicadas, demonstrando que precisamos encorpar, relacionar e preservar nossa fotografia, bem como discutir a produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea com o intuito de produzir um <em>corpus<\/em> m\u00ednimo capaz de facilitar nossa compreens\u00e3o sobre a fotografia enquanto fato cultural da maior import\u00e2ncia para a identidade e mem\u00f3ria de um povo.<\/p>\n<p>Infelizmente nenhum Museu ou Institui\u00e7\u00e3o Cultural programou alguma atividade para celebrar os 170 anos da fotografia no Brasil, mas com este texto queremos refor\u00e7ar a m\u00e1xima popular que diz \u201cum pa\u00eds sem mem\u00f3ria \u00e9 um pa\u00eds sem hist\u00f3ria\u201d. Particularmente, estamos programando um Semin\u00e1rio, ainda este semestre, cujo objetivo ser\u00e1 comemorar esta data, com discuss\u00e3o, reflex\u00e3o e cr\u00edtica sobre a fotografia brasileira. O momento \u00e9 olhar um pouco para tr\u00e1s para fortalecer o presente e criar bases s\u00f3lidas para refletir sobre o novo cen\u00e1rio da imagem t\u00e9cnica, particularmente a fotografia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 17 de janeiro de 1840, seis meses ap\u00f3s o an\u00fancio oficial do advento da fotografia, uma experi\u00eancia de daguerreotipia foi realizada no Largo do Pa\u00e7o Imperial na cidade do Rio de Janeiro, pelo abade Louis Compte. Sabemos pelos an\u00fancios dos jornais da \u00e9poca que no navio-escola L\u2019Orientale, viajava o Abade Compte encarregado de propagar o advento da fotografia ao mundo. Suas experi\u00eancias foram realizadas em Salvador, em dezembro de 1839, no Rio de Janeiro e em Buenos Aires, mas apenas o daguerre\u00f3tipo de 17 de janeiro, tomado no Largo do Pa\u00e7o, sobreviveu aos nossos dias e pertence \u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":419,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[824,821],"tags":[384,1034,490],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7222,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418\/revisions\/7222"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/419"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}