{"id":3956,"date":"2012-06-04T05:40:02","date_gmt":"2012-06-04T05:40:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=3956"},"modified":"2022-12-04T13:14:17","modified_gmt":"2022-12-04T13:14:17","slug":"a-fotografia-como-teatro-da-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/a-fotografia-como-teatro-da-memoria\/","title":{"rendered":"A fotografia como teatro da mem\u00f3ria*"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_3962\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Como-un-secreto-seduce-a-si-mismo-20051.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3962\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3962 size-full\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Como-un-secreto-seduce-a-si-mismo-2005.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"517\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Como-un-secreto-seduce-a-si-mismo-2005.jpg 620w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Como-un-secreto-seduce-a-si-mismo-2005-768x640.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3962\" class=\"wp-caption-text\">Luis Gonzalez Palma, &#8220;Como un secreto seduce a si mismo&#8221; (s\u00e9rie Hierarquias da Intimidade), 2005<\/p><\/div>\n<p>De onde v\u00eam estas cenas de Luis Gonzalez Palma? Da mem\u00f3ria \u2013 \u00e9 f\u00e1cil responder. O pr\u00f3prio artista nos diz em um texto de apresenta\u00e7\u00e3o de seu trabalho: \u201cmem\u00f3rias imaginadas\u201d.\u00a0 Mas que diferen\u00e7a h\u00e1 entre \u201cmem\u00f3rias imaginadas\u201d e nossas recorda\u00e7\u00f5es vulgares? Mesmo aquelas que a dist\u00e2ncia no tempo esmaeceu?<\/p>\n<p>Walter Benjamin escreveu uma vez que, na hora da morte, isso que passa pela cabe\u00e7a dos homens s\u00e3o como as figurinhas que colecionava quando crian\u00e7a \u2013 figurinhas que envolviam um feixe de balas em forma de palitos. Isto \u00e9, s\u00e3o imagens fixas que enfeixam um monte de outras. Um feixe de lembran\u00e7as onde se misturam o vivido e o n\u00e3o vivido (por\u00e9m, sonhado). Mas estas imagens v\u00eam e v\u00e3o, muito rapidamente. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ret\u00ea-las por tempo suficiente para fix\u00e1-las com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>H\u00e1 aqui um problema de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a esta mem\u00f3ria que n\u00e3o \u00e9 simples recorda\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 poss\u00edvel dar-lhes uma fei\u00e7\u00e3o que as possa comunicar, como torn\u00e1-las vis\u00edveis?\u00a0 Como atribuir-lhes uma moldura, um contorno, uma finitude f\u00edsica? Opera\u00e7\u00e3o complicada, pois este tipo de imagem, longe de ser uma coisa, \u00e9 antes um inv\u00f3lucro, um envolt\u00f3rio, um fio que faz com que certas lembran\u00e7as \u00a0estejam atadas umas a outras.<\/p>\n<p>Este fio n\u00e3o \u00e9 outro se n\u00e3o aquele com os quais tecemos a n\u00f3s mesmos como sujeitos. O fio da mem\u00f3ria e do esquecimento: que ora reluz, ora desaparece no tecido de nossas vidas.\u00a0 O artista nos diz que suas fotografias s\u00e3o imagens da \u201cvida interior\u201d e que com elas procura \u201cencher os vazios\u201d. Mas o que ele nos entrega n\u00e3o \u00e9 a paisagem densa da qual todo o espa\u00e7o vazio foi banido, mas um tipo de preenchimento que carrega o vazio junto consigo. A s\u00e9rie \u201cHierarquias da Intimidade\u201d, assim como quase toda a obra recente do fot\u00f3grafo, \u00e9 formada basicamente de encena\u00e7\u00f5es. Mas nessa <em>mise-en-sc\u00e8ne<\/em> da mem\u00f3ria, uma cena nunca \u00e9 a reconstitui\u00e7\u00e3o de um vivido, mas resulta dessa mescla que traz consigo o imaginado, o desejado e o jamais vivido: o vazio.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo Gilles Deleuze disse uma vez que aquilo que se op\u00f5e \u00e0 mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 o esquecimento, mas o esquecimento do esquecimento. O que estas imagens colocam em cena \u2013 e isto \u00e9 parte do seu grande estranhamento e beleza \u2013 n\u00e3o s\u00e3o fragmentos de uma narrativa que o espectador possa preencher, como se fossem \u201cfotografias de cena\u201d de um filme.\u00a0 S\u00e3o quadros dram\u00e1ticos que demandam de nossa pr\u00f3pria mem\u00f3ria e imagina\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, cenas cujos vazios ser\u00e3o preenchidos por imagens oriundas do nosso pr\u00f3prio esquecimento. Se, em sua motiva\u00e7\u00e3o original, estas fotografias procuram expressar a mem\u00f3ria fragmentada do artista, elas igualmente pretendem nos abrir vias de acesso provis\u00f3rias \u00e0 nossa pr\u00f3pria vida interior, pois como o fot\u00f3grafo afirmou na entrevista que concedeu por ocasi\u00e3o do F\u00f3rum de Fotografia de S\u00e3o Paulo, em 2010: \u201cNingu\u00e9m sai inc\u00f3lume da inf\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<p>As encena\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o estranhas \u00e0 fotografia. Come\u00e7aram a ser largamente utilizadas no simbolismo, nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, e seguiram sendo praticadas, neste contexto, at\u00e9 o advento e hegemonia do modernismo nas d\u00e9cadas de 1920 e 1930. Mas permaneceram em vigor no \u00e2mbito das vanguardas hist\u00f3ricas: \u00a0nas justaposi\u00e7\u00f5es surrealistas, por exemplo, a fotografia funcionava como um \u201cpalco\u201d, um ambiente homog\u00eaneo, capaz acolher as mais dram\u00e1ticas combina\u00e7\u00f5es de elementos disparatados. Uma vez que a fotografia instant\u00e2nea realizava-se em um \u201cum piscar de olhos\u201d, a fotografia surrealista procurava por imagens que se deixassem contaminar pelo que os olhos \u201cviam\u201d quando estavam cerrados. Mas tudo que a fotografia surrealista podia oferecer era o meio transparente, o testemunho neutro destes encontros \u201csurreais\u201d.\u00a0 Mas nas cenas de Gonzalez Palma, o meio nunca \u00e9 neutro. Ele tem sua pr\u00f3pria textura e sua pr\u00f3pria dimens\u00e3o. Sua pr\u00f3pria <strong>materialidade.<\/strong><\/p>\n<p>L\u00e2minas de ouro ou prata, viragens, tecidos, cabelos&#8230; Neste teatro da mem\u00f3ria, as cenas da vida interior n\u00e3o se desenvolvem diante de mim como um espet\u00e1culo, mas se <strong>desenrolam<\/strong> como um pergaminho, um texto antigo, uma tape\u00e7aria. \u00a0N\u00e3o evoco os tapetes por acaso. Trata-se, a meu ver, de uma analogia precisa, pois nestas cenas, a lembran\u00e7a \u00e9 a trama, e o esquecimento a urdidura.<\/p>\n<div id=\"attachment_3963\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Tu-mirada-me-distorsiona-sin-saberlo-1-Guardaespaldas-20091.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3963\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3963 size-full\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Tu-mirada-me-distorsiona-sin-saberlo-1-Guardaespaldas-2009.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"493\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Tu-mirada-me-distorsiona-sin-saberlo-1-Guardaespaldas-2009.jpg 620w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Tu-mirada-me-distorsiona-sin-saberlo-1-Guardaespaldas-2009-768x610.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3963\" class=\"wp-caption-text\">Luis Gonzalez Palma, &#8220;Tu mirada me distorsiona sin saberlo #1&#8221; (s\u00e9rie Guardaespaldas), 2009<\/p><\/div>\n<p>Dar conta desta mem\u00f3ria, tramar e desenrolar esta tape\u00e7aria tem suas exig\u00eancias po\u00e9ticas pr\u00f3prias. Primeiramente, no \u00e2mbito da materialidade dos objetos e das texturas. H\u00e1 objetos e m\u00f3veis nestas cenas, mas estes nunca se conformam em ser apenas parte dos cen\u00e1rios. Cadeiras, mesas, camas, lustres, disputam o protagonismo. Quando o alcan\u00e7am, tornam-se de algum modo <strong>animados<\/strong>, mas nunca deixam de ser objetos e de aparecer como objetos. As texturas por sua vez, tamb\u00e9m insistem: p\u00e1ginas de jornal e livros, l\u00e2minas de prata e ouro, estojos, tecidos. A essa estranha combina\u00e7\u00e3o de precariedade e fragilidade (do papel, por exemplo) e eternidade (do ouro), o artista tem dado o nome de <strong>espessura. <\/strong><\/p>\n<p>A espessura nos impede de pensar nestas imagens apenas como sonhos distantes ou lembran\u00e7as et\u00e9reas. Por meio das materialidades, estas imagens se mostram vivas, elas nos perturbam, pesam, duram.<\/p>\n<p>O segundo elemento desta po\u00e9tica \u00e9 a <strong>repeti\u00e7\u00e3o<\/strong>, a insist\u00eancia, o retorno: dos objetos, dos personagens, dos ambientes, das texturas. Repeti\u00e7\u00f5es que ocorrem no interior de uma mesma imagem, no interior de uma s\u00e9rie, e de uma s\u00e9rie a outra. A repeti\u00e7\u00e3o nos diz da insist\u00eancia das lembran\u00e7as, mas tamb\u00e9m da insaciabilidade dos vazios e na inesgotabilidade da mem\u00f3ria.<\/p>\n<div id=\"attachment_3961\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Se-iba-apagando-la-luz-de-su-mirada20041.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3961\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3961 size-full\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Se-iba-apagando-la-luz-de-su-mirada2004.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"606\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Se-iba-apagando-la-luz-de-su-mirada2004.jpg 620w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Se-iba-apagando-la-luz-de-su-mirada2004-768x750.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Se-iba-apagando-la-luz-de-su-mirada2004-24x24.jpg 24w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Se-iba-apagando-la-luz-de-su-mirada2004-48x48.jpg 48w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3961\" class=\"wp-caption-text\">Luis Gonzalez Palma, &#8220;Se iba apagando la luz de su mirada&#8221; (s\u00e9rie Hierarquias da Intimidade), 2004<\/p><\/div>\n<p>O terceiro elemento po\u00e9tico que reconhe\u00e7o no fot\u00f3grafo \u00e9 a \u201cdist\u00e2ncia\u201d. As dist\u00e2ncias tamb\u00e9m se multiplicam, tal como tudo mais. E isso n\u00e3o chega a surpreender em um projeto que ganhou este nome raro, verdadeiramente paradoxal: \u201chierarquias da intimidade\u201d. Pois, o que se costuma dizer \u00e9 que a intimidade abole a hierarquia (no trabalho, na escola). Mas na obra de Gonzalez Palma trata-se do contr\u00e1rio. Trata-se de desdobrar a intimidade at\u00e9 que nos defrontamos com a dist\u00e2ncia que ali vive em segredo. Dist\u00e2ncia do sagrado (<em>Hieros<\/em>) naquilo que est\u00e1 pr\u00f3ximo a n\u00f3s. Dist\u00e2ncia daquilo nos \u00e9 mais \u00edntimo, onde se guarda, misteriosa, quase irreconhec\u00edvel, nossa \u201corigem\u201d (<em>arch\u00e9<\/em>). \u00a0Mesmo quando aparecem vizinhos um do outro, pessoas e objetos familiares, est\u00e3o distantes. Por\u00e9m, quando ocorrem afastados um do outros, est\u00e3o presos a um mesmo v\u00ednculo secreto.<\/p>\n<p>E h\u00e1 finalmente, o gesto. O gesto, e n\u00e3o o olhar, \u00e9 o grande operador destas fotografias. \u00c9 o gesto que re\u00fane objetos, rostos, que arranja os espa\u00e7os e texturiza as superf\u00edcies. E \u00e9 por meio do gesto que lembran\u00e7as supostamente mortas ganham vida. \u00c9 o gesto que desenrola esse papiro, que desdobra as lembran\u00e7as, que examina suas ocorr\u00eancias e combina\u00e7\u00f5es, e lhes confere <strong>espessura<\/strong>. \u00c9 por meio do gesto que as imagens interiores provam sua exist\u00eancia e que testemunhamos sua insist\u00eancia. E, no entanto, o gesto quase nunca se faz representar diretamente.<\/p>\n<div id=\"attachment_3968\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.iconica.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Estudio-de-la-Anunciaci\u00f3n-de-Reni200.jpeg\" class=\"broken_link\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3968\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3968 size-large\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Estudio-de-la-Anunciaci\u00f3n-de-Reni200-674x900.jpeg\" alt=\"\" width=\"674\" height=\"900\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3968\" class=\"wp-caption-text\">Luis Gonzalez Palma, Estudio de la Anunciaci\u00f3n de Reni, 2006<\/p><\/div>\n<p>Mas o fot\u00f3grafo tem uma s\u00e9rie assombrosa, chamada \u201cAnuncia\u00e7\u00e3o\u201d, em que o gesto adquire uma visibilidade absoluta nas m\u00e3os que se isolam e se desdobram em infinitas varia\u00e7\u00f5es. M\u00e3os que s\u00e3o pura pot\u00eancia de realiza\u00e7\u00e3o, impregnadas da factura dos grandes pintores, mas isoladas daquilo que anunciam. H\u00e1 uma curiosa e intrigante rela\u00e7\u00e3o entre esta s\u00e9rie e as \u201cHierarquias\u201d, pois o gesto da \u201canuncia\u00e7\u00e3o\u201d, conforme a teologia crist\u00e3, \u00e9 o mediador da transforma\u00e7\u00e3o da imagem em carne. Isso \u00e9 o que mais me fascina na obra de Luis Gonzalez Palma: n\u00e3o se trata de simples \u201crepresenta\u00e7\u00e3o\u201d de mem\u00f3rias, imaginadas ou n\u00e3o. A representa\u00e7\u00e3o, apenas, n\u00e3o seria suficiente para \u201cencher o vazio\u201d (e rechear de vazio, o vazio cheio); foi preciso evocar o teatro para que, al\u00e9m da representa\u00e7\u00e3o, houvesse ali uma encarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Reencarnar as imagens, at\u00e9 as mais remotas, inacess\u00edveis, interiores, essa parece ser a tarefa deste fot\u00f3grafo-anunciador em um tempo em que a visualidade do mundo e de n\u00f3s mesmos se tornou a cada vez mais flu\u00edda, mais impalp\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>* Este texto \u00e9 o resultado de uma conversa com Luis Gonzalez Palma, por ocasi\u00e3o do encerramento exposi\u00e7\u00e3o \u201cEscenas\u201d, na Galeria do Instituto Cervantes, no Rio de Janeiro, em 15\/09\/2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De onde v\u00eam estas cenas de Luis Gonzalez Palma? Da mem\u00f3ria \u2013 \u00e9 f\u00e1cil responder. 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