{"id":3873,"date":"2012-05-21T11:38:29","date_gmt":"2012-05-21T11:38:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=3873"},"modified":"2016-05-28T14:09:48","modified_gmt":"2016-05-28T14:09:48","slug":"a-imagem-como-teoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/a-imagem-como-teoria\/","title":{"rendered":"A imagem como teoria"},"content":{"rendered":"<p>Neste \u00faltimo s\u00e1bado, estive no <em><a href=\"http:\/\/estudiomadalena.tumblr.com\/tagged\/pensamentoereflexao\" target=\"_blank\">I Encontro Pensamento e Reflex\u00e3o na Fotografia<\/a><\/em>, no MIS, conversando sobre a experi\u00eancia do <em>Ic\u00f4nica<\/em> com os amigos Fernando de Tacca, da <em><a href=\"http:\/\/www.studium.iar.unicamp.br\/\" target=\"_blank\">Revista Studium<\/a><\/em>, e Mane Adaro, do blog <em><a href=\"http:\/\/chilenosenfotografia.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Chilenizaci\u00f3n de la Fotografia<\/a><\/em>. A proposta era pensar a internet como espa\u00e7o de difus\u00e3o do pensamento sobre a fotografia.<\/p>\n<div id=\"attachment_3878\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Screen-Shot-2012-05-21-at-13.58.351.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3878\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-3878\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Screen-Shot-2012-05-21-at-13.58.35-620x414.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"414\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3878\" class=\"wp-caption-text\">Mesa Web \/\/ Difus\u00e3o e experi\u00eancia: A multiplicidade de meios e converg\u00eancias na contemporaneidade - Mane Adaro, Ronaldo Entler e Fernando de Tacca. Foto de Marcela Jones<\/p><\/div>\n<p>O Ic\u00f4nica nasceu da vontade de compartilhar de um modo mais informal nossas pesquisas e intui\u00e7\u00f5es, e da constata\u00e7\u00e3o de que a internet \u00e9 um grande espa\u00e7o para fazer circular o pensamento. O blog \u00e9, de fato, uma ferramenta que faz convergir uma voca\u00e7\u00e3o da academia, que \u00e9 de produzir reflex\u00f5es de certa profundidade, com o potencial de uma rede social, que \u00e9 o de permitir uma interlocu\u00e7\u00e3o bastante ampla.<\/p>\n<p>O Ic\u00f4nica \u00e9 um blog dedicado \u00e0 teoria e \u00e0 cr\u00edtica, talvez \u00e0quilo que a l\u00edngua inglesa tem definido como <em>criticism,<\/em>\u00a0o exerc\u00edcio de uma capacidade de julgamento e discernimento que visa construir as condi\u00e7\u00f5es para o conhecimento de um objeto, no nosso caso, a fotografia. Essa no\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica \u00e9 derivada de Kant.\u00a0O desafio aqui \u00e9 o de exercitar o pensamento com a profundidade que nossa voca\u00e7\u00e3o acad\u00eamica demanda, mas com a liberdade que um blog nos permite. Isso significa temperar a tradi\u00e7\u00e3o kantiana ao nosso modo. Significa teorizar por meio de constru\u00e7\u00f5es que nos aproximam quase sempre do ensaio e, muitas vezes, tamb\u00e9m da fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Olhando retrospectivamente para nossos posts, tentei organiz\u00e1-los em tr\u00eas categorias (que, no final das contas, revelam-se uma coisa s\u00f3, e sempre nos conduzem de volta \u00e0s imagens):<\/p>\n<p>&#8211; H\u00e1 no blog an\u00e1lises de experi\u00eancias: eventos, publica\u00e7\u00f5es, acontecimentos e, muitas vezes, obras fotogr\u00e1ficas e exposi\u00e7\u00f5es. Por vezes, comentamos a po\u00e9tica de um artista e um projeto curatorial. A\u00ed sim, nos aproximamos da \u201ccr\u00edtica\u201d, no sentido mais recorrente do termo. Mas, com muita frequ\u00eancia, o que fazemos \u00e9 tentar intuir um pensamento constru\u00eddo pelas pr\u00f3prias imagens. N\u00e3o se trata de tentar captar \u201co que o autor quis dizer\u201d. As imagens, uma vez lan\u00e7adas ao mundo, dizem mais do que seus autores e seu tempo permitiriam apreender. Isso nunca constituir\u00e1 um m\u00e9todo, e sempre estar\u00e1 sujeito ao filtro daquilo que estamos aptos a perceber, mas \u00e9 sempre um bom exerc\u00edcio esse de tentar ouvir das imagens o pensamento que elas nos prop\u00f5e sob a forma de um sussurro, quase um sil\u00eancio. Esse pensamento \u00e9 de dif\u00edcil tradu\u00e7\u00e3o, por isso, o que nos resta muitas vezes \u00e9 convocar outras imagens para negociar uma forma de express\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&#8211; H\u00e1 no blog muitas investiga\u00e7\u00f5es sobre a hist\u00f3ria, sem distinguir entre uma hist\u00f3ria da fotografia e uma hist\u00f3ria por meio da fotografia. Quando preciso, recorremos \u00e0s fontes consolidadas para apoiar nossas narrativas. Mas isso n\u00e3o \u00e9 tudo. Falamos tamb\u00e9m da hist\u00f3ria do modo como ela atravessa nosso caminho, e nos esbarra nos ombros quando menos esperamos, no meio da multid\u00e3o. Mais do que na erudi\u00e7\u00e3o, essas narrativas se apoiam na pr\u00f3pria experi\u00eancia com as imagens. Por isso, assumem muitas vezes a forma de cr\u00f4nica, e buscam devolver aos eventos, mesmo aqueles que j\u00e1 foram bastante estudados, a singularidade os objetos assumem numa cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Por fim, discutimos conceitos forjados dentro de teorias v\u00e1rias que podem agenciar nossa compreens\u00e3o da fotografia. Mas tamb\u00e9m nos apropriamos de imagens que fazem exatamente o mesmo. \u00c9 Nietzsche que nos lembra que o &#8220;conceito&#8221;, essa entidade t\u00e3o abstrata e est\u00e1vel, n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m de uma met\u00e1fora que, pela for\u00e7a do h\u00e1bito, nos imp\u00f5e o esquecimento de sua origem (Sobre a verdade e a mentira no sentido extra moral, 1873). Tentamos ent\u00e3o intuir certas formas dos res\u00edduos imag\u00e9ticos que restam nos conceitos. \u00c9 assim que nos aproximamos da fic\u00e7\u00e3o. Da\u00ed, podemos nos perguntar, por exemplo, sobre <a href=\"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=2538\" target=\"_blank\">o anjo que zela pelas mais banal das fotos<\/a>, ou sobre <a href=\"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=3674\" target=\"_blank\">as imagens que Benjamin pode pensar mesmo que n\u00e3o tenha chegado a conhecer<\/a>.\u00a0\u00c9 assim que podemos <a href=\"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=1696\" target=\"_blank\">forjar um contexto que permita devolver um sentido a um conjunto de fotografias, an\u00f4nimas e rasgadas<\/a>; ou expressar a partir de certos acidentes o temor de que, <a href=\"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=2439\" target=\"_blank\">por pouco, toda a hist\u00f3ria da fotografia poderia n\u00e3o ter acontecido<\/a>.<\/p>\n<p>Flertar com a fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa romper com a realidade das coisas. Aprendemos isso com a hist\u00f3ria da fotografia: primeiro, acreditamos mais do que dever\u00edamos em sua verdade; depois, quando a descobrimos como constru\u00e7\u00e3o cultural, denunciamos sua mentira. Estamos hoje em condi\u00e7\u00f5es enfrentar os potenciais e limites da fotografia sem essa conota\u00e7\u00e3o moral, de perceber \u2013 junto com a literatura, a pintura e o cinema \u2013 que as imagens que inventamos s\u00e3o uma forma poderosa de falar de aspectos menos evidentes da realidade, e nem por isso menos verdadeiros.<\/p>\n<p>No final das contas, nosso pensamento cr\u00edtico \u00e9 aquele que se faz com uma raz\u00e3o impura, perme\u00e1vel \u00e0 proposta lan\u00e7ada por Barthes, quando pergunta \u201co que meu corpo sabe sobre a fotografia\u201d.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia da nossa mesa, tivemos outra sobre \u201ccuradoria\u201d. Ali me parece ter acontecido o debate mais intenso do evento. Tive a surpresa de encontrar numa fala de Eder Chiodetto algo pr\u00f3ximo do que tentei expressar. Falando sobre a escrita, ele disse que o curador assume muitas vezes a tarefa de pensar as imagens mas, \u00e0s vezes, tamb\u00e9m de pensar dentro das imagens. Como exemplo, ele trouxe um texto (ou uma imagem, se preferirmos) que produziu para a exposi\u00e7\u00e3o Dark Room, de Carlos Dadoorian (Galeria Fauna, 2011), e que roubei ao final do evento.<\/p>\n<div id=\"attachment_3874\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.iconica.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/darkroom.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3874\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-3874\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/darkroom-620x413.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3874\" class=\"wp-caption-text\">Carlos Dadoorian, s\u00e9rie Dark Room, exposta na Galeria Fauna em 2011, com curadoria de Eder Chiodetto<\/p><\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.iconica.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/texto-eder.jpeg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-3875\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/texto-eder-620x935.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"935\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste \u00faltimo s\u00e1bado, estive no I Encontro Pensamento e Reflex\u00e3o na Fotografia, no MIS, conversando sobre a experi\u00eancia do Ic\u00f4nica com os amigos Fernando de Tacca, da Revista Studium, e Mane Adaro, do blog Chilenizaci\u00f3n de la Fotografia. 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