{"id":33,"date":"2009-10-29T15:37:48","date_gmt":"2009-10-29T15:37:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=33"},"modified":"2016-05-28T14:35:35","modified_gmt":"2016-05-28T14:35:35","slug":"miseria-editorial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/miseria-editorial\/","title":{"rendered":"Mis\u00e9ria editorial"},"content":{"rendered":"<p>Dizem que Giovanni Pico della Mirandola, um erudito do s\u00e9culo XV, orgulhava-se de ter lido aos 30 anos de idade todas as obras escritas e dispon\u00edveis em sua \u00e9poca. Isso s\u00f3 era poss\u00edvel, claro, porque a recente descoberta de Gutenberg ainda n\u00e3o tinha produzido seus efeitos.\u00a0Com o mercado editorial produzindo mais do que nunca, quem poderia dizer algo parecido hoje?<\/p>\n<p>Talvez um jovem pesquisador da fotografia possa fazer uma visita \u00e0 melhor livraria de sua cidade e, depois de algumas semanas, dizer que leu todos os ensaios dispon\u00edveis sobre o tema.\u00a0Mas n\u00e3o \u00e9 motivo para orgulho.<\/p>\n<p>No post anterior, o Rubens apontou muito bem a import\u00e2ncia de <em>A Ilus\u00e3o Especular<\/em> em nossas pesquisas, e a necessidade de reedit\u00e1-lo. Dei uma repassada em minha biblioteca \u2013 nas coisas que tenho, nas que me faltam \u2013 e decidi fazer um pequeno balan\u00e7o.<\/p>\n<p>Temos visto um espa\u00e7o crescente para a publica\u00e7\u00e3o de cat\u00e1logos e livros com obras de fot\u00f3grafos. \u00c9 uma conquista, e os livros est\u00e3o cada vez mais bem diagramados e impressos. \u00a0Mas a d\u00edvida das editoras com a pesquisa sobre fotografia \u00e9 enorme. Muitas vezes, nem com edi\u00e7\u00f5es feias podemos contar.<\/p>\n<p>A exemplo do livro de Arlindo Machado, outros t\u00edtulos escritos em portugu\u00eas est\u00e3o esgotados ou s\u00e3o dif\u00edceis de encontrar. Alguns textos importantes nunca foram traduzidos.<\/p>\n<div id=\"attachment_231\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-231\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-231\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/filosofia-da-caixa-preta-300x410.jpg\" alt=\"Filosofia da Caixa Preta, de Flusser, dispon\u00edvel em turco (acima), russo, chin\u00eas, japon\u00eas e outras tantas l\u00ednguas\" width=\"300\" height=\"410\" \/><p id=\"caption-attachment-231\" class=\"wp-caption-text\">Filosofia da Caixa Preta, de Flusser, dispon\u00edvel em turco (acima), russo, chin\u00eas, japon\u00eas e outras tantas l\u00ednguas<\/p><\/div>\n<p>At\u00e9 que n\u00e3o podemos reclamar de alguns cl\u00e1ssicos: <em>Sobre fotografia<\/em>, de Sontag, e <em>Filosofia da Caixa Preta<\/em>, de Flusser, ficaram uns bons 15 anos longe das livrarias mas reapareceram e s\u00f3 ent\u00e3o pude substituir minhas c\u00f3pias alternativas. <em>Fotografia e Hist\u00f3ria<\/em>, do Boris Kossoy, n\u00e3o tenho certeza se chegou a esgotar, mas felizmente tamb\u00e9m ganhou uma edi\u00e7\u00e3o revisada. <em>A C\u00e2mara Clara<\/em>, de Barthes, est\u00e1 por a\u00ed, resistindo bravamente. Mesmo assim, na semana passada, s\u00f3 vi dispon\u00edveis na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista) exemplares dos livros do Boris e de Sontag. O de Barthes precisava ser encomendado. Flusser, inacredit\u00e1vel, nem encomendando. Algu\u00e9m sabe se esgotou de novo?<\/p>\n<p>Publica\u00e7\u00f5es recentes, como\u00a0<em>A M\u00e1quina de Esperar<\/em>, de Maur\u00edcio Lissovsky ou\u00a0<em>Fotografia e Viagem<\/em>, de Antonio Fatorelli, j\u00e1 se tornaram livros importantes, mas n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio que os encontremos em livrarias de S\u00e3o Paulo. Ser\u00e1 que \u00e9 bairrismo? Nessas horas, s\u00f3 a internet nos salva, mas tamb\u00e9m demora.<\/p>\n<p>Mais&#8230;\u00a0O livro de Philippe Dubois demorou muito a chegar: quando ele veio ao Brasil lan\u00e7ar\u00a0<em>O ato fotogr\u00e1fico<\/em>, aproveitou para dizer\u00a0 em v\u00e1rias palestras que j\u00e1 n\u00e3o acreditava tanto no que havia escrito. <em>O Fotogr\u00e1fico<\/em>, de Rosalnd Krauss, s\u00f3 chegou com uma edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas lan\u00e7ado por uma editora espanhola (G&amp;G).<\/p>\n<p>Recentemente, houve rumores de que ter\u00edamos uma tradu\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Photographie Plasticienne,<\/em><em> <\/em>de Dominique Baqu\u00e9, que j\u00e1 estava dispon\u00edvel em espanhol. \u00a0Acho que desistiram, afinal, a pr\u00f3pria autora lan\u00e7ou uma continua\u00e7\u00e3o desse livro (um outro trabalho, n\u00e3o apenas uma reedi\u00e7\u00e3o), tentando dar conta da r\u00e1pida transforma\u00e7\u00e3o vivida pela fotografia na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p><em>Fotografia e Sociedade<\/em>, de Gisele Freund, foi lan\u00e7ado em Portugal, mas provavelmente est\u00e1 esgotado. Os usados s\u00e3o dif\u00edceis de encontrar e custam caro. Hoje, no site Estante Virutal, h\u00e1 um exemplar em espanhol (<a href=\"http:\/\/www.estantevirtual.com.br\/Gisele-Freund-La-Fotografia-Como-Documento-Social-19145896.html\"><em>La Fotografia Como Documento Social<\/em><\/a>)por R$ 319,00.<\/p>\n<p>Autores como Raul Beceyro (<em>Ensayos Sobre Fotografia<\/em>), Henri Van-Lier (<em>Philosophie de la Photographie<\/em>), Joan Fontcunberta (<em>El Beso de Judas<\/em>), Andr\u00e9 Ruille (<em>La photographie<\/em>), Geoffrey Batchen (<em>Burning with desire: The Conception of Photography<\/em>), que foram ou t\u00eam sido sistematicamente lidos por aqui, nunca foram sequer traduzidos. E <em>The History of Photography<\/em>, de Beaumont Newhall? S\u00f3 em espanhol. Ou qualquer outro de hist\u00f3ria mundial&#8230;? Temos \u00e9 claro obras como\u00a0<em>A fotografia moderna no Brasil (<\/em>Helouise Costa e Renato Rodrigues) e a colet\u00e2nea <em>Fotografia: usos e fun\u00e7\u00f5es no s\u00e9culo XIX<\/em> (organizado por Annateressa Frabris), ambos com recortes bem espec\u00edficos. Mas algu\u00e9m me ajuda a lembrar de um bom livro de hist\u00f3ria da fotografia mundial, escrito ou editado em portugu\u00eas, que possamos encontrar hoje nas livrarias (n\u00e3o vale nos sebos ou leil\u00f5es de obras raras)&#8230;?<\/p>\n<p>Imaginem quanta gente deve ter passado batido. Maur\u00edcio Lissovsky recomendou um autor portugu\u00eas, Pedro Miguel Frade (<em>Figuras do Espanto: a fotografia antes de sua cultura<\/em>). Eu desconhecia, n\u00e3o lembro de t\u00ea-lo visto algum dia em livrarias por aqui. Tentei achar, mas j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel sequer em Portugal.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m deve haver autores brasileiros publicando seus trabalhos em pequenas editoras ou editoras universit\u00e1rias, coisas cujo acesso ser\u00e1 sempre dif\u00edcil. Ou pesquisadores cujas teses de mestrado ou doutorado, com um pouco de sorte, s\u00f3 v\u00e3o circular em PDF. Tudo isso num momento em que j\u00e1 temos dois (que eu conhe\u00e7a) cursos de gradua\u00e7\u00e3o em Fotografia, muitos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o distribu\u00eddos pelo Brasil com linhas de pesquisa que apontam para a fotografia.<\/p>\n<p>Ainda bem que temos os blogs, que n\u00e3o esgotam&#8230; Mas podem sair do ar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem que Giovanni Pico della Mirandola, um erudito do s\u00e9culo XV, orgulhava-se de ter lido aos 30 anos de idade todas as obras escritas e dispon\u00edveis em sua \u00e9poca. 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