{"id":3047,"date":"2011-12-06T03:25:37","date_gmt":"2011-12-06T03:25:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=3047"},"modified":"2016-05-28T13:42:15","modified_gmt":"2016-05-28T13:42:15","slug":"fotografias-radiantes-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/fotografias-radiantes-ii\/","title":{"rendered":"Fotografias radiantes II"},"content":{"rendered":"<p>A produ\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica atual \u00e9 quantitativamente alucinante e sua circula\u00e7\u00e3o \u00e9 garantida pelas novas plataformas tecnol\u00f3gicas, mas fica evidente que \u00e9 quase imposs\u00edvel destacar as singularidades visuais. Ser\u00e1 que a fotografia passa por uma crise de aceita\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo de cria\u00e7\u00e3o? Haveria uma nova maneira de entender a fotografia como a representa\u00e7\u00e3o maqu\u00ednica do nosso tempo?\u00a0 Diante desse impasse e da dificuldade de redefinir seus par\u00e2metros, \u00e9 inevit\u00e1vel que apare\u00e7am alguns pressupostos que nos convidam a repensar a fotografia.<\/p>\n<p>O importante \u00e9 que a fotografia continua provocando discuss\u00e3o e produzindo incertezas. E \u00e9 exatamente essa imagina\u00e7\u00e3o inquieta que a caracteriza como uma manifesta\u00e7\u00e3o visual contempor\u00e2nea. Antes imaginava que a hist\u00f3ria da fotografia era um imenso iceberg do qual conhec\u00edamos quase nada diante da exist\u00eancia de uma produ\u00e7\u00e3o que estava submersa nas profundezas dos arquivos inacess\u00edveis e nos esquecimentos aterrorizantes. Hoje, sinto que cada fotografia \u00e9 esse iceberg, pois a imagem \u00e9 apenas uma forma visual do desejo at\u00e1vico do seu criador.<\/p>\n<p>Algumas fotografias causam estupefa\u00e7\u00e3o; outras nada provocam. E, diante desse hiato, buscamos alguns par\u00e2metros para compreender o fen\u00f4meno desta produ\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica no panorama das artes visuais. Uma imagem pode dizer tantas coisas assim como pode n\u00e3o dizer nada. O sujeito que simplesmente se submete a uma leitura de circunst\u00e2ncia limita-se a tentar compreender a fotografia em sua apar\u00eancia. O que devemos ativar \u00e9 um processo que elabora a subjetividade de modo relacional, ou seja, que busca perceber na imagem uma atmosfera que ressalta o desequil\u00edbrio entre a vis\u00e3o imediata e o conhecimento exigido para a recep\u00e7\u00e3o plena.<\/p>\n<p>Esta quest\u00e3o tem desencadeado reflex\u00f5es interessantes que merecem ser mencionadas. A revista francesa <em>R\u00e9ponses Photo<\/em>, Hors Serie N\u00ba 13, outono\/inverno de 2011, publica um interessante f\u00f3rum de discuss\u00e3o sobre o tema. Claudine Doury, fot\u00f3grafa e membro da Ag\u00eancia Vu, defende que \u201cuma fotografia deve ser portadora de alguma coisa misteriosa, indecifr\u00e1vel, e que tal qual a Mona Lisa, n\u00e3o cessa de nos interrogar\u201d. Os variados depoimentos tornam claro que, quanto mais inexplic\u00e1vel a imagem, maior \u00e9 a chance de decifrar enigmas, de aflorar emo\u00e7\u00f5es, de engendrar possibilidades.<\/p>\n<div id=\"attachment_3049\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/foam1.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3049\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-3049\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/foam-360x464.png\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"464\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3049\" class=\"wp-caption-text\">Foam Internacional Photography Magazine<\/p><\/div>\n<p>J\u00e1 a revista holandesa <em><a href=\"http:\/\/www.foammagazine.nl\/\" target=\"_blank\">Foam Magazine<\/a><\/em>, N\u00ba 29, inverno 2011\/2012, que mant\u00e9m um excelente espa\u00e7o f\u00edsico em Amsterdam para discuss\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o de fotografias, traz como tema a pergunta \u201cWhat\u2019s next?\u201d, assumindo em seu editorial que o momento seguinte, apesar de parecer sempre mais fascinante, nunca poderia ser anunciado com precis\u00e3o pois n\u00e3o temos bola de cristal para conjecturas. Por isso mesmo, a edi\u00e7\u00e3o faz um esfor\u00e7o para idealizar qual seria o futuro da fotografia, dos fot\u00f3grafos e de um museu da fotografia, atrav\u00e9s de depoimentos, entrevistas e textos de curadores, pesquisadores, fot\u00f3grafos e diretores de diferentes museus e galerias internacionais.<\/p>\n<p>Essas iniciativas que surgem de tempos em tempos reacendem o debate em torno da fotografia. Mas, independentemente disso, nos interessa mesmo \u00e9 indagar sobre a imagem contempor\u00e2nea. \u00c9 poss\u00edvel apontar algumas tend\u00eancias. Dentre elas podemos destacar uma produ\u00e7\u00e3o ruidosa, ou seja, aquela que busca de alguma forma trair o referente, e para isso, se concentra em buscar alternativas nos procedimentos de cria\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o da fotografia, aproximando-se de outras linguagens, em particular o v\u00eddeo e a instala\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m h\u00e1 aquelas que se distanciam da tradi\u00e7\u00e3o apresentando-se como simples imagens que, pela sua obviedade, incendeiam nossos cora\u00e7\u00f5es. S\u00e3o simples manifesta\u00e7\u00f5es na apar\u00eancia, mas fortes o suficiente para desencadearem uma obra aberta, que sugere, evoca, insinua e n\u00e3o oferece evid\u00eancias.<\/p>\n<p>A milit\u00e2ncia e a persist\u00eancia desses fot\u00f3grafos \u2013 artistas que querem sensibilizar o sujeito com imagens centradas na diversidade \u2013 s\u00e3o determinantes na arte contempor\u00e2nea, pois centram seus trabalhos numa zona do desconforto, ousam nas experimenta\u00e7\u00f5es e incentivam a combina\u00e7\u00e3o das mais diversas conex\u00f5es interpretativas. Os rearranjos estruturais provocam ambival\u00eancia e intensificam a import\u00e2ncia das fotografias, que s\u00e3o como icebergs porque desencadeiam narrativas, estimulam o racioc\u00ednio, aprimoram a capacidade de produzir estrat\u00e9gias que buscam compreender dialeticamente o momento contempor\u00e2neo \u2013 influenciando-o e sendo por ele influenciado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A produ\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica atual \u00e9 quantitativamente alucinante e sua circula\u00e7\u00e3o \u00e9 garantida pelas novas plataformas tecnol\u00f3gicas, mas fica evidente que \u00e9 quase imposs\u00edvel destacar as singularidades visuais. Ser\u00e1 que a fotografia passa por uma crise de aceita\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo de cria\u00e7\u00e3o? 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