{"id":2751,"date":"2011-10-03T08:33:23","date_gmt":"2011-10-03T08:33:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=2751"},"modified":"2016-05-28T13:42:30","modified_gmt":"2016-05-28T13:42:30","slug":"40-anos-de-viagem-pelo-fantastico-fotografias-de-boris-kossoy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/40-anos-de-viagem-pelo-fantastico-fotografias-de-boris-kossoy\/","title":{"rendered":"40 anos de Viagem pelo Fant\u00e1stico \u2013 fotografias de Boris Kossoy"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_2753\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/capa_viagem_boris1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2753\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-2753\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/capa_viagem_boris-360x500.jpg\" alt=\"Viagem pelo Fant\u00e1stico - Capa\" width=\"360\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/capa_viagem_boris-360x500.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/capa_viagem_boris-768x1067.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/capa_viagem_boris.jpg 665w\" sizes=\"(max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2753\" class=\"wp-caption-text\">Viagem pelo Fant\u00e1stico - Capa<\/p><\/div>\n<p>H\u00e1 poucos dias fui surpreendido pelo curador de fotografia da Pinacoteca do Estado, Di\u00f3genes Moura, com um coment\u00e1rio: \u201cvoc\u00ea sabia que faz 40 anos que foi publicado o livro <em>Viagem pelo Fant\u00e1stico<\/em>, de Boris Kossoy?\u201d. Realmente, n\u00e3o tinha me dado conta da data \u2013 junho de 1971 \u2013, mas imediatamente indaguei se poderia usar essa informa\u00e7\u00e3o para escrever aqui no Ic\u00f4nica. Liberado, me questionei: se tenho um bom arquivo, se documento uma cronologia da fotografia brasileira h\u00e1 d\u00e9cadas para manter-me atualizado, por que n\u00e3o fa\u00e7o consultas com regularidade para poder celebrar certas datas?<\/p>\n<p>Devemos respeitar mais nossa hist\u00f3ria e comemorar algumas efem\u00e9rides que pontuam as principais refer\u00eancias. E para isso precisamos refrescar permanentemente\u00a0nossa mem\u00f3ria. O livro de fotografias de Boris Kossoy, <em>Viagem pelo Fant\u00e1stico<\/em>, da Livraria Kosmos Editora, esgotad\u00edssimo, ainda hoje \u00e9 desconcertante. Para a nova gera\u00e7\u00e3o de artistas e fot\u00f3grafos que n\u00e3o teve a oportunidade de folhear as p\u00e1ginas desta viagem, \u00e9 preciso descrever um pouco o ousado projeto gr\u00e1fico e a dire\u00e7\u00e3o de arte (ambos de Kossoy).<\/p>\n<p>O livro \u00e9 tril\u00edngue \u2013 portugu\u00eas, ingl\u00eas e franc\u00eas \u2013, coisa rara naquele momento, \u00e9 impresso em dois tipos de papel, craft e couche, formato 22 X 31,3 cm, e tem pref\u00e1cio de Pietro Maria Bardi, o ent\u00e3o diretor do Museu de Arte de S\u00e3o Paulo. Na primeira guarda, traz uma fotografia em forma circular de um ber\u00e7o (lado direito) e de um rel\u00f3gio (lado direito) que marca exatamente 6H44m. Na outra guarda, a fotografia tamb\u00e9m circular de um manequim menino (lado direito) e de um rel\u00f3gio distorcido (lado esquerdo), como as representa\u00e7\u00f5es surrealistas de Salvador Dali. O tempo passou pelas p\u00e1ginas da viagem e as fotografias deixam claro que nada \u00e9 gratuito nesta obra diferenciada no cen\u00e1rio editorial do Brasil e da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<div id=\"attachment_2756\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Screen-shot-2011-10-03-at-00.14.251.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2756\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-2756\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Screen-shot-2011-10-03-at-00.14.25-620x462.png\" alt=\"Boris Kossoy\" width=\"620\" height=\"462\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2756\" class=\"wp-caption-text\">Boris Kossoy, Outros Tempos (3), 1970<\/p><\/div>\n<p>Depois do texto de Bardi, que exalta o trabalho fotogr\u00e1fico e se refere a ele dizendo que \u201cestamos vivendo num tempo de novos ideogramas\u201d, chegamos \u00e0s fotografias de Kossoy divididas como se fossem dez pequenos ensaios \u2013 A mulher e a cidade; Cenas num parque; Aeroporto; A estrada de ferro; A montanha; O viaduto; Cenas numa casa; Poder m\u00e1gico; O maestro; Outros tempos&#8230; Ali\u00e1s, o pr\u00f3prio autor recentemente denominou os cap\u00edtulos de \u201ccontos fotogr\u00e1ficos que exploravam o drama existencial, os cen\u00e1rios urbanos, al\u00e9m de enveredar pelo pol\u00edtico, a partir de imagens simb\u00f3licas\u201d.<\/p>\n<p>Kossoy prop\u00f5e e assume em sua fotografia um car\u00e1ter ficcional e traz elementos conflitantes na cena questionando nossa certeza sobre o estatuto da veracidade fotogr\u00e1fica (vide a sequ\u00eancia Cenas num parque). Em outros ensaios migra de uma fotografia documental incomum para imagens que provocam d\u00favidas acerca da nossa compreens\u00e3o de realidade. Uma esp\u00e9cie de <em>tableau vivant<\/em> que combina intensa dramaticidade com um cen\u00e1rio absolutamente <em>non sense<\/em>.<\/p>\n<div id=\"attachment_2758\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Screen-shot-2011-10-03-at-00.12.261.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2758\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-2758\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Screen-shot-2011-10-03-at-00.12.26-620x404.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"404\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2758\" class=\"wp-caption-text\">Boris Kossoy, Aeroporto, S\u00e3o Paulo, 1971<\/p><\/div>\n<p>As fotografias querem contar uma hist\u00f3ria, mas as conex\u00f5es e as combina\u00e7\u00f5es s\u00e3o de responsabilidade do leitor que tece uma narrativa poss\u00edvel dentre as in\u00fameras propostas pelo autor. Ou seja, podemos entender o livro <em>Viagem pelo Fant\u00e1stico<\/em> como uma obra aberta, uma vez que a intensa qualidade narrativa possibilita a proximidade de imagens d\u00edspares. Por exemplo, como justapor a fotografia da mulher-noiva aguardando os acontecimentos na esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria com aquela do maestro diante de dezenas de t\u00famulos (um dos quais mostra o nome de Perp\u00e9tua), regendo dramaticamente uma sinfonia silenciosa?<\/p>\n<div id=\"attachment_2754\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Screen-shot-2011-10-03-at-00.13.441.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2754\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-2754\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Screen-shot-2011-10-03-at-00.13.44-620x433.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"433\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2754\" class=\"wp-caption-text\">Boris Kossoy A Noiva (1), Franco da Rocha, 1970<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_2755\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Screen-shot-2011-10-03-at-00.12.471.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2755\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-2755\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Screen-shot-2011-10-03-at-00.12.47-620x424.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"424\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2755\" class=\"wp-caption-text\">Boris Kossoy, O Maestro, Caieiras, 1970<\/p><\/div>\n<p>O interessante \u00e9 justamente buscar entender em nossa livre associa\u00e7\u00e3o que Kossoy n\u00e3o segue a tradi\u00e7\u00e3o da fotografia documental produzida naquele momento no pa\u00eds, mas busca se enveredar pela tens\u00e3o, pelo instante aparentemente encontrado ao acaso, mas\u00a0 que foi meticulosamente engendrado. A literatura \u00e9 sua principal influ\u00eancia, da\u00ed essa sensa\u00e7\u00e3o de inquietude que instiga nossa curiosidade sobre sua representa\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica que cria espa\u00e7os para buscar aproximar aquele mundo representado da nossa experi\u00eancia s\u00f3cio-cultural.<\/p>\n<p>Olhando com os olhos de hoje, o livro \u00e9 muito especial e raro. Primeiro, porque talvez ele represente o melhor da experi\u00eancia com a linguagem fotogr\u00e1fica; depois, porque re\u00fane Bardi e Kossoy, dois nomes emblem\u00e1ticos das artes visuais no Brasil; e, finalmente, porque \u00e9 o projeto editorial de livro fotogr\u00e1fico mais arrojado que tivemos nas \u00faltimas d\u00e9cadas. E mais, <em>Viagem pelo Fant\u00e1stico<\/em> permanece contempor\u00e2neo porque confere \u00e0 nossa imagina\u00e7\u00e3o o poder de criar sem obviedade uma livre associa\u00e7\u00e3o homem-mundo. Quando escrevo contempor\u00e2neo, quero me aproximar da proposta de Giorgio Agamben: \u201ccontempor\u00e2neo \u00e9 aquele que mant\u00e9m fixo o olhar no seu tempo, para nele perceber n\u00e3o as luzes, mas o escuro. (&#8230;) o contempor\u00e2neo \u00e9 justamente aquele que percebe o escuro do seu tempo como algo que lhe concerne e n\u00e3o cessa de interpel\u00e1-lo, algo que, mais do que toda a luz, dirige-se direta e singularmente a ele. Contempor\u00e2neo \u00e9 aquele que recebe em pleno rosto o facho das trevas que prov\u00e9m do seu tempo\u201d.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>Site de Boris Kossoy:<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.boriskossoy.com\/\" target=\"_blank\">www.boriskossoy.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 poucos dias fui surpreendido pelo curador de fotografia da Pinacoteca do Estado, Di\u00f3genes Moura, com um coment\u00e1rio: \u201cvoc\u00ea sabia que faz 40 anos que foi publicado o livro Viagem pelo Fant\u00e1stico, de Boris Kossoy?\u201d. Realmente, n\u00e3o tinha me dado conta da data \u2013 junho de 1971 \u2013, mas imediatamente indaguei se poderia usar essa informa\u00e7\u00e3o para escrever aqui no Ic\u00f4nica. Liberado, me questionei: se tenho um bom arquivo, se documento uma cronologia da fotografia brasileira h\u00e1 d\u00e9cadas para manter-me atualizado, por que n\u00e3o fa\u00e7o consultas com regularidade para poder celebrar certas datas? 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