{"id":269,"date":"2009-11-08T07:20:18","date_gmt":"2009-11-08T07:20:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=269"},"modified":"2016-12-15T13:11:03","modified_gmt":"2016-12-15T13:11:03","slug":"mario-ramiro-e-a-fotografia-de-espiritos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/mario-ramiro-e-a-fotografia-de-espiritos\/","title":{"rendered":"Mario Ramiro e a fotografia de esp\u00edritos"},"content":{"rendered":"<p>Amanh\u00e3 (09\/11) come\u00e7a o IV SEMIN\u00c1RIO ARTE CULTURA E FOTOGRAFIA: MEM\u00d3RIA, OUTROS DEBATES, na ECA-USP. A programa\u00e7\u00e3o est\u00e1 \u00f3tima, com o m\u00e9rito de abrir espa\u00e7o para jovens pesquisadores e de aproximar da fotografia cr\u00edticos e te\u00f3ricos que n\u00e3o s\u00e3o os nomes mais recorrentes desse campo.<\/p>\n<p>Queria indicar uma apresenta\u00e7\u00e3o, em especial: <strong>A fotografia de esp\u00edritos no Brasil: uma iconografia do outro mundo<\/strong>, de Mario Ramiro, programada para o dia 10\/11.<\/p>\n<p>Mario Ramiro \u00e9 um artista irriquieto que integrou no final dos anos 70 o coletivo <em><strong>3 n\u00f3s 3<\/strong><\/em>, junto com Hudinilson Jr e Rafael Fran\u00e7a. Fez experi\u00eancias com v\u00eddeo, fax, xerox, secret\u00e1ria eletr\u00f4nica, muito antes de falarmos t\u00e3o deslumbradamente das novas tecnologias. Passou algum tempo na Alemanha e, de volta ao Brasil, seguiu produzindo e tornou-se professor da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP.<\/p>\n<p>No ano passado, tive a oportunidade de participar da banca de seu doutorado, na qual apresentou a tese &#8220;O Gabin\u00ea Fluidificado e a fotografia dos esp\u00edritos no Brasil&#8221;, com orienta\u00e7\u00e3o de Donato Ferrari. Dividi a banca com nomes de peso: Annateresa Fabris, Jo\u00e3o Musa, Sandra Stoll, al\u00e9m do orientador. Foi uma das teses mais interessantes que li na minha vida, e volta e meia sou visto com ela debaixo do bra\u00e7o, mostrando para colegas e alunos.<\/p>\n<div id=\"attachment_271\" style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-271\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-271\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/Milit\u00e3o-1879-851-280x419.jpg\" alt=\"Retrato feito por Milit\u00e3o Augusto de Azevedo, com suposta aparei\u00e7\u00e3o ao fundo.\" width=\"280\" height=\"419\" \/><p id=\"caption-attachment-271\" class=\"wp-caption-text\">Retrato feito por Milit\u00e3o Augusto de Azevedo, com suposta aparei\u00e7\u00e3o ao fundo.<\/p><\/div>\n<p>Ramiro se debru\u00e7ou sobre um campo nebuloso da hist\u00f3ria da fotografia: o registro de esp\u00edritos, fantasmas, manifesta\u00e7\u00f5es ectoplasm\u00e1ticas e outros fen\u00f4menos medi\u00fanicos ou paranormais. Conhec\u00edamos bem esfor\u00e7os realizados desde o s\u00e9culo XIX que visam dar forma atrav\u00e9s da c\u00e2mera ao invis\u00edvel. Conhec\u00edamos tamb\u00e9m um livro relativamente f\u00e1cil de encontrar, <em>O trabalho dos Mortos<\/em>, publicado pela Sociedade Esp\u00edrita Brasileira, que j\u00e1 oferecia alguma iconografia.<\/p>\n<p>Ramiro faz um percurso bastante amplo: resgatou experi\u00eancias importantes feitasnos Estados Unidos e na Europa, \u00e0s vezes envolvendo nomes c\u00e9lebres, e analisou o modo como a fotografia esp\u00edrita se desenvolveu de modo particularmente sistem\u00e1tico no Brasil. O trabalho \u00e9 riqu\u00edssimo em ilustra\u00e7\u00f5es, apresentando desde casos discretos e obscuros, at\u00e9 outros mais famosos, como a pol\u00eamica reportagem da revista <em>O Cruzeiro<\/em> sobre o grupo mineiro de Chico Xavier, al\u00e9m de outras ocorr\u00eancias de paranormalidade veiculadas pela grande imprensa.<\/p>\n<p>O tema \u00e9 delicado mas, com a sutileza de quem anda sobre uma corda, o texto consegue ser cr\u00edtico quanto \u00e0s evidentes manipula\u00e7\u00f5es que \u00e0s imagens trazem e, ao mesmo tempo, respeitoso com as fontes mais envolvidas com o tema que, conforme o autor, colaboraram sem impor exig\u00eancias.<\/p>\n<p>Tudo isso j\u00e1 comp\u00f5e uma tese densa e original, mas Ramiro traz no trabalho uma segunda quest\u00e3o. Ele compara a capacidade inventiva da fotografia esp\u00edrita com aquela da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica contempor\u00e2nea. O salto \u00e9 abrupto, e Ramiro teve que responder a perguntas um tanto duras da banca sobre essa compara\u00e7\u00e3o. Mas ele deu uma aula, e foi tamb\u00e9m uma oportunidade para conhecer a pesquisa que fez na Alemanha e alguma de suas produ\u00e7\u00f5es recentes como artista, trabalhos que tamb\u00e9m discutem \u2013 sem deslumbramento \u2013 a rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel entre novas tecnologias e fen\u00f4menos paranormais.<\/p>\n<p>Seja pela originalidade, seja pelos riscos que assume, vale conferir.<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o do evento pode ser conferida no site da ECA-USP: <a href=\"http:\/\/www.cap.eca.usp.br\/eventos.html\">http:\/\/www.cap.eca.usp.br\/eventos.html<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amanh\u00e3 (09\/11) come\u00e7a o IV SEMIN\u00c1RIO ARTE CULTURA E FOTOGRAFIA: MEM\u00d3RIA, OUTROS DEBATES, na ECA-USP. 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