{"id":1839,"date":"2011-05-09T05:10:09","date_gmt":"2011-05-09T05:10:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=1839"},"modified":"2016-05-28T13:46:54","modified_gmt":"2016-05-28T13:46:54","slug":"geracao-00","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/geracao-00\/","title":{"rendered":"Gera\u00e7\u00e3o 00"},"content":{"rendered":"<p>O que poderia trazer de novidade uma exposi\u00e7\u00e3o que busca ser uma esp\u00e9cie de retrospectiva e s\u00edntese do que foi a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI para a fotografia brasileira? Aparentemente nada. Mas, convenhamos, n\u00e3o d\u00e1 ficar impass\u00edvel diante da exuber\u00e2ncia desta coletiva. Eder Chiodetto acertou em cheio ao assumir os artistas selecionados como aqueles que, de certa maneira, representam as diferentes possibilidades do fazer fotogr\u00e1fico contempor\u00e2neo. Tend\u00eancias de g\u00eaneros e t\u00e9cnicas fotogr\u00e1ficas que se fundem para ati\u00e7ar a sintaxe, que de tempos em tempos precisam ser sacudidas e renovadas.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o desta \u00faltima d\u00e9cada prova que o caminho ainda \u00e9 longo e muitas incertezas ainda rondam a nova fotografia. De qualquer modo, o que temos \u00e9 uma visualidade contagiante, que nos surpreende na maioria das experi\u00eancias mostradas. Claro, numa precisa avalia\u00e7\u00e3o isolada, alguns dos ensaios podem parecer imaturos, mas o conjunto \u00e9 poderoso, fluente, desafiador, e nos toca justamente porque a curadoria soube articular criativamente as diferentes propostas.<\/p>\n<div id=\"attachment_1848\" style=\"width: 497px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1848\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-1848\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/IMG_47713-487x257.jpg\" alt=\"\" width=\"487\" height=\"257\" \/><p id=\"caption-attachment-1848\" class=\"wp-caption-text\">Helga Stein, sem t\u00edtulo, 2006<\/p><\/div>\n<p>O impacto da mostra \u00e9 total e manifesta o grau de seriedade da pesquisa realizada, pois n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 provocativa como evidencia que os artistas selecionados, na maioria das vezes, sabem vivenciar a profundidade do tempo presente. Eles t\u00eam suas percep\u00e7\u00f5es treinadas para enfrentar os desafios e as muta\u00e7\u00f5es da contemporaneidade. \u00c9 interessante olhar os espa\u00e7os exclusivos de cada artista e contrastar sua obra com o entorno e com o conjunto. Vamos encontrar harmonias e disson\u00e2ncias entre elas, como se as imagens fossem fragmentos que pulsam em nossas retinas com a finalidade de tornar o car\u00e1ter ef\u00eamero do instante um eterno desconhecido.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o curatorial foi avaliar as principais linhas de for\u00e7a da fotografia brasileira da \u00faltima d\u00e9cada e optar por dois grandes blocos: &#8220;Limites, Metalinguagem&#8221; e &#8220;Documental Imagin\u00e1rio, Novo Fotojornalismo&#8221;. A divis\u00e3o sugerida \u00e9 ampla, mas contempla praticamente as diferentes possibilidades e potencialidades de uma produ\u00e7\u00e3o recente que toma de assalto os principais festivais do Brasil e do exterior; que tem apoio e resson\u00e2ncia na cr\u00edtica internacional; que integra cole\u00e7\u00f5es importantes; que ocupa os espa\u00e7os de museus e galerias; e que atua como uma esp\u00e9cie de centro nervoso na produ\u00e7\u00e3o das artes visuais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Como toda mostra coletiva, a Gera\u00e7\u00e3o 00 tamb\u00e9m \u00e9 pol\u00eamica. Mas vale salientar a coragem com que Eder Chiodetto examina e analisa as tend\u00eancias. Mesmo consciente de que toda escolha \u00e9 deliberada e subjetiva, gosto muito da id\u00e9ia de valorizar o processo criativo e os procedimentos encontrados pelos artistas para concretizar os seus trabalhos. Cada vez mais sinto a import\u00e2ncia da imagem centrada no fazer fotogr\u00e1fico e podemos identificar na exposi\u00e7\u00e3o diversas abordagens que tornam as interven\u00e7\u00f5es no processo absolutamente diferenciadas e inovadoras.<\/p>\n<div id=\"attachment_1842\" style=\"width: 497px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1842\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-1842\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Joao_Castilho_Geracao_00-487x365.jpg\" alt=\"\" width=\"487\" height=\"365\" \/><p id=\"caption-attachment-1842\" class=\"wp-caption-text\">Jo\u00e3o Castilho, Redemunho, 2006<\/p><\/div>\n<p>Podemos entender esta produ\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica contempor\u00e2nea, mais esgar\u00e7ada e lim\u00edtrofe, que caminha em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es e se deixa contaminar por outras m\u00eddias, aceitando dialogar com outras linguagens, como fotografia expandida. Na mostra Gera\u00e7\u00e3o 00, percebe-se tamb\u00e9m as tend\u00eancias daqueles que se utilizam dos procedimentos fotogr\u00e1ficos para criar imagens de significa\u00e7\u00f5es inst\u00e1veis \u2013 expans\u00e3o dos limites da identidade, do corpo, da mem\u00f3ria, da materialidade, da paisagem, entre outros.<\/p>\n<p>Entre os artistas h\u00e1 aqueles que olham para as refer\u00eancias paradigm\u00e1ticas da fotografia praticada nas d\u00e9cadas anteriores; outros que se apropriam de um presente tecnol\u00f3gico j\u00e1 descartado para gerar imagens aleat\u00f3rias e imprecisas; h\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que buscam reencontrar o fio condutor de uma mem\u00f3ria coletiva; e outros que investem no presente com um olhar daquilo que poder\u00e1 ser o futuro. Enfim, diferentes linhas de for\u00e7a que provocam deliberadamente nossa imagina\u00e7\u00e3o, como se fossem resultantes de uma espont\u00e2nea organiza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o criativa do artista. Na verdade, s\u00e3o experimenta\u00e7\u00f5es distintas que trazem essa capacidade incisiva de difundir visualidades que estimulam nossas percep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_1843\" style=\"width: 497px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1843\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-1843\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/05\/Claudia_Andujar_Geracao_00-487x453.jpg\" alt=\"\" width=\"487\" height=\"453\" \/><p id=\"caption-attachment-1843\" class=\"wp-caption-text\">Claudia Andujar, Urihi-A, 1976<\/p><\/div>\n<p>A surpresa que fica no meio do caminho, entre os blocos expositivos, \u00e9 uma imensa tela que reproduz uma fotografia de Claudia Andujar. Apenas uma imagem de grandes dimens\u00f5es e 300 quilogramas, suspensa no ar, com incr\u00edvel leveza. Uma fotografia a\u00e9rea do espa\u00e7o habitacional dos \u00edndios Yanomami, cravado na floresta densa, de tom avermelhada, cuja emenda deixa vazar pequenos pontos de luz incorporados pela artista e denominados de \u201cos esp\u00edritos da floresta\u201d. Mais uma vez Claudia rompe com maestria o limite entre a fotografia documental e a abstra\u00e7\u00e3o, e viabiliza um universo po\u00e9tico intenso e de rara beleza. Um momento de \u00eaxtase que conecta todos os trabalhos e celebra a fotografia como uma das mais expressivas linguagens do nosso tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que poderia trazer de novidade uma exposi\u00e7\u00e3o que busca ser uma esp\u00e9cie de retrospectiva e s\u00edntese do que foi a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI para a fotografia brasileira? Aparentemente nada. Mas, convenhamos, n\u00e3o d\u00e1 ficar impass\u00edvel diante da exuber\u00e2ncia desta coletiva. 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