{"id":1520,"date":"2011-02-01T15:48:40","date_gmt":"2011-02-01T15:48:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=1520"},"modified":"2016-05-28T13:47:41","modified_gmt":"2016-05-28T13:47:41","slug":"norman-rockwell-behind-the-camera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/norman-rockwell-behind-the-camera\/","title":{"rendered":"Norman Rockwell \u2013 behind the camera"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1524\" style=\"width: 497px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/estudo-auto-retrato1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1524\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-1524\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/estudo-auto-retrato-487x300.jpg\" alt=\"estudo auto retrato\" width=\"487\" height=\"300\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1524\" class=\"wp-caption-text\">Triplo aurretrato, 1960 \u2013 capa The Saturday Evening Post, 13 de fevereiro de 1960<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left\">O universo da imagem sempre nos surpreende. H\u00e1 algumas semanas, visitando a exposi\u00e7\u00e3o do ilustrador Norman Rockwell (1894-1978), no <a href=\"http:\/\/www.brooklynmuseum.org\" target=\"_blank\">Brooklyn Museum<\/a>, em NYC, mais um mist\u00e9rio \u00e9 desvendado. A exposi\u00e7\u00e3o torna p\u00fablica, pela primeira vez, o uso da fotografia nos trabalhos daquele que \u00e9 considerado o maior nome do desenho e da ilustra\u00e7\u00e3o norte-americana entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1970. Ali\u00e1s, \u00e9 na d\u00e9cada de 1930 que ele incorpora a fotografia em seus trabalhos e a exposi\u00e7\u00e3o, com curadoria de Ron Schick, desvenda todo o mist\u00e9rio \u2013 seus parceiros fot\u00f3grafos, alguns dos seus episc\u00f3pios (projetores) utilizados para ampliar as imagens, a c\u00f3pia contato, a dire\u00e7\u00e3o de cena, enfim todos os procedimentos que o transformaram no artista que melhor soube trazer o imagin\u00e1rio do cidad\u00e3o norte-americano para a publicidade e para as capas das principais revistas do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">\n<div id=\"attachment_1522\" style=\"width: 497px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/estudo-menina-no-espelho1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1522\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-1522\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/estudo-menina-no-espelho-487x277.jpg\" alt=\"estudo menina no espelho\" width=\"487\" height=\"277\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1522\" class=\"wp-caption-text\">Girl at mirror, 1954 \u2013 capa de The Saturday Evening Post, 6 mar\u00e7o de 1954<\/p><\/div>\n<p>Rockwell trabalhou durante 47 anos para a revista <em>The Saturday Evening Post<\/em> e assinou 323 capas neste per\u00edodo. Ele tamb\u00e9m trabalhou com diversos fot\u00f3grafos durante os mais de 40 anos em que usou a imagem da c\u00e2mera como matriz do seu desenho e da sua pintura, mas apenas tr\u00eas s\u00e3o os respons\u00e1veis pela maioria das fotografias de seu arquivo que hoje ultrapassa o n\u00famero de 18 mil negativos, devidamente catalogados e arquivados no <em>Norman Rockwell Museum<\/em>, em Stockbridge, Massachusetts, respons\u00e1vel inclusive por manter por tanto tempo o segredo da originalidade do trabalho de Rockwell.<\/p>\n<p><strong>Gene Pelham<\/strong> (1909-2004) foi fot\u00f3grafo de Rockwell durante 14 anos, quando ele morou em Vermont. Pelham utilizou inicialmente uma c\u00e2mera 5X7 polegadas e mais tarde a 4X5 polegadas, e produziu fotografias de excepcional qualidade, j\u00e1 que assumia a fun\u00e7\u00e3o de criativo assistente e \u00f3timo laboratorista. <strong>Bill Scovill<\/strong> (1915-1996) foi o primeiro fot\u00f3grafo com quem Rockwell trabalhou em Stockbridge. Diferentemente de Pelhman, que tamb\u00e9m era modelo, Scovill era tecnicamente eficiente e ajudava-o a contratar fot\u00f3grafos locais quando viajavam. Ele colaborou na cria\u00e7\u00e3o de 160 ilustra\u00e7\u00f5es e documentou toda a atua\u00e7\u00e3o de Rockwell na dire\u00e7\u00e3o dos personagens no est\u00fadio. <strong>Louie Lamone<\/strong> (1918-2007) foi inicialmente contratado para ajud\u00e1-lo em sua mudan\u00e7a para Stockbridge e aos poucos se tornou seu assistente geral. Lamone trabalhou com Rockwell durante 23 anos, mas come\u00e7ou a fotografar somente em 1961, tornando-se primeiro fot\u00f3grafo em 1963. Os dois \u00faltimos tamb\u00e9m utilizavam a c\u00e2mera 4X5 polegadas e o 35mm para selecionar modelos e loca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_1521\" style=\"width: 497px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/3-fotografos-rockwell1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1521\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-1521\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/3-fotografos-rockwell-487x214.jpg\" alt=\"3 fotografos rockwell\" width=\"487\" height=\"214\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1521\" class=\"wp-caption-text\">Seus tr\u00eas fot\u00f3grafos: Bill Scovill, Gene Pelham e Louie Lamone (da esquerda para a direita)<\/p><\/div>\n<p>No in\u00edcio da sua carreira, Rockwell contratava modelos profissionais que, aos poucos, foram sendo substitu\u00eddos por pessoas que viviam ao seu redor: os amigos e seus filhos, familiares e vizinhos. Isso gerou uma aproxima\u00e7\u00e3o e uma cumplicidade muito grande entre o artista e os leitores das revistas ilustradas \u2013 os principais ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o de massa na d\u00e9cada de 1930. \u00c9 incr\u00edvel perceber, atrav\u00e9s das fotografias selecionadas para a exposi\u00e7\u00e3o, sua intensa participa\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o das imagens e o modo como ele utilizava diferentes artif\u00edcios para dar conforto aos seus modelos n\u00e3o profissionais. Dizia ele: \u201ceu retrato humanos com cara de humanos\u201d.<\/p>\n<p>Outra curiosidade trazida pela exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 que Rockwell sempre procurava se posicionar muito pr\u00f3ximo da c\u00e2mera fotogr\u00e1fica. Al\u00e9m de estar presente na cena e control\u00e1-la em suas nuances, isso facilitava muito sua transcri\u00e7\u00e3o para o papel, ocasi\u00e3o em que ele fazia os pequenos ajustes para eliminar os excessos e valorizar as express\u00f5es e os movimentos congelados pela c\u00e2mera fotogr\u00e1fica. Esse an\u00fancio \u2013 <em>First Trip to the Beauty Shop<\/em>, de 1972 \u2013 \u00e9 um exemplo t\u00edpico de como ele soube explorar o uso da fotografia para criar uma iconografia das mais emblem\u00e1ticas do povo norte-americano.<\/p>\n<div id=\"attachment_1523\" style=\"width: 497px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/estudo-menina-cabelo1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1523\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-1523\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/estudo-menina-cabelo-487x240.jpg\" alt=\"estudo menina cabelo\" width=\"487\" height=\"240\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1523\" class=\"wp-caption-text\">First Trip to the Beauty Shop, 1972<\/p><\/div>\n<p>Sabemos da rela\u00e7\u00e3o \u00edntima entre a pintura e a fotografia e conhecemos a import\u00e2ncia da fotografia nos trabalhos de Delacroix, Ingres, Courbet, Gauguin, Degas, Picasso, entre outros. Norman Rockwell tinha conhecimento de que, j\u00e1 antes do Renascimento, muitos artistas trabalharam diretamente com a <em>camara obscura<\/em> e isso nunca foi um obst\u00e1culo para ele. Seus cen\u00e1rios arranjados lembram as composi\u00e7\u00f5es de Robinson e Rejlander do s\u00e9culo XIX ou mesmos as encena\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas de Cindy Sherman e Jeff Wall. Rockwell, assim como Rejlander, tamb\u00e9m finalizava suas imagens a partir de v\u00e1rios fragmentos fotografados separadamente. Enfim, os procedimentos em busca da perfei\u00e7\u00e3o, da meticulosa precis\u00e3o, dos \u00e2ngulos necess\u00e1rios para enfatizar os olhares da cena, da ilumina\u00e7\u00e3o correta, evidenciam sua aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da fotografia, ess\u00eancia primeira de sua arte.<\/p>\n<p>Norman Rockwell deixou sua obra muito bem documentada e a maioria dos fot\u00f3grafos contratados para trabalhos espec\u00edficos, al\u00e9m dos seus tr\u00eas preferidos, est\u00e3o devidamente nomeados. Isso significa que ele assumia a fotografia como parte do seu processo criativo e com certeza muitas delas devem ser de sua pr\u00f3pria autoria, mas ainda n\u00e3o est\u00e3o identificadas. De qualquer modo, \u00e9 sempre bom lembrar que ele foi um ex\u00edmio desenhista desde crian\u00e7a. Em um dos seus di\u00e1rios de trabalho ele escreveu: \u201ceu desafio qualquer um a me mostrar quando comecei a usar fotografia. Afinal, sempre fui conhecido como o garoto com olhos de c\u00e2mera\u201d.<\/p>\n<p>Confesso, sempre admirei o trabalho de Norman Rockwell (talvez por ser t\u00e3o fotogr\u00e1fico) e conhe\u00e7o alguns dos seus principais livros, mas jamais tive com clareza a evidencia fotogr\u00e1fica que mostra esta exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_1525\" style=\"width: 497px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/estudo-circo1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1525\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-1525\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/estudo-circo-487x218.jpg\" alt=\"estudo circo\" width=\"487\" height=\"218\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1525\" class=\"wp-caption-text\">Circus, 1955 \u2013 um dos 81 desenhos de propaganda criados durante 10 anos para a Massachusetts Mutual Life Insegurance Company. Rockwell \u00e9 o que est\u00e1 em p\u00e9 na fotografia<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_1526\" style=\"width: 497px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/pe1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1526\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-1526\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/pe-487x286.jpg\" alt=\"pe\" width=\"487\" height=\"286\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1526\" class=\"wp-caption-text\">Leaving the Hospital, 1954 \u2013 fotografia produzida para ilustrar uma pe\u00e7a publicit\u00e1ria<\/p><\/div>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O universo da imagem sempre nos surpreende. 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