{"id":11922,"date":"2017-08-23T23:42:15","date_gmt":"2017-08-23T23:42:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/site\/?p=11922"},"modified":"2018-01-22T17:11:44","modified_gmt":"2018-01-22T17:11:44","slug":"quando-e-preciso-o-desvio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/quando-e-preciso-o-desvio\/","title":{"rendered":"Quando \u00e9 preciso o desvio | Di\u00e1logo com o livro de Galciani Neves"},"content":{"rendered":"<h5>[Pref\u00e1cio escrito para o livro <em>Exerc\u00edcios Cr\u00edticos: gestos e procedimentos de inven\u00e7\u00e3o<\/em>, de Galciani Neves &#8211; Edusp, 2016]<\/h5>\n<p><a href=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/14362532_1027559660693467_8382418089996054746_o-2.jpg\" data-size=\"947x1358\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-11927\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/14362532_1027559660693467_8382418089996054746_o-2-349x500.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/14362532_1027559660693467_8382418089996054746_o-2-349x500.jpg 349w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/14362532_1027559660693467_8382418089996054746_o-2-768x1101.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/14362532_1027559660693467_8382418089996054746_o-2-628x900.jpg 628w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/14362532_1027559660693467_8382418089996054746_o-2.jpg 947w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a>Nossa civiliza\u00e7\u00e3o soube imaginar em suas mitologias uma palavra capaz de tocar com precis\u00e3o o cerne de cada coisa. Esse teria sido, segundo certa interpreta\u00e7\u00e3o do G\u00eanesis, um dom que Deus ofereceu \u00e0quele que criou \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a. Mas essa criatura logo se revelou humana e quis jogar com a linguagem. Expulsa do para\u00edso, foi condenada \u00e0 err\u00e2ncia e ao desentendimento: desde ent\u00e3o, ao dizer uma coisa, diz v\u00e1rias. Cabe \u00e0 arte, segundo a interpreta\u00e7\u00e3o de Benjamin, o esfor\u00e7o de aproximar a linguagem dos homens dessa linguagem origin\u00e1ria da natureza (<em>Sobre a linguagem em geral e sobre a linguagem do homem<\/em>, 1916). Espelhando esse racioc\u00ednio, podemos dizer que a arte s\u00f3 existe na fissura que se abre entre uma e outra, entre o esfor\u00e7o humano de libertar as pot\u00eancias da linguagem e esse para\u00edso criado pelo idioma perfeito daquele que tudo pode. O desejo de religar essas inst\u00e2ncias coloca nossa palavra numa intensa peregrina\u00e7\u00e3o. Ela passeia pelo mundo em busca de um sentido pleno e, mesmo que jamais o encontre, permanece incans\u00e1vel porque toma gosto pelas imagens que encontra no caminho.<\/p>\n<p>Aquilo que aparece como castigo nesse mito de cria\u00e7\u00e3o \u00e9, no final das contas, um privil\u00e9gio. \u00c9 na imprecis\u00e3o de sua linguagem que o ser humano se torna, tamb\u00e9m ele, um criador. Faz isso \u00e0 sua pr\u00f3pria maneira, n\u00e3o com o poder da palavra precisa de Deus, que faz a luz ao diz\u00ea-la, mas com aquilo que ele teve de assumir ao abrir m\u00e3o do para\u00edso: a imprecis\u00e3o de sua fala, o suor de seu corpo. Nas m\u00e3os humanas, cria\u00e7\u00e3o \u00e9 desvio e, por isso mesmo, \u00e9 trabalho cont\u00ednuo. \u00c9 esse fazer incerto e surpreendente que, desde ent\u00e3o, temos chamado de poesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">#<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, projetamos em certa autoridade o dom de resolver essas fissuras. Imaginamos algu\u00e9m que, com capacidade de discernimento superior a dos mortais, poderia resolver a falibilidade daquilo que expressamos. Tantas vezes o <em>cr\u00edtico <\/em>\u00e9 colocado no lugar de algu\u00e9m que possa, com o rigor de seus <em>crit\u00e9rios<\/em>, aliviar a <em>crise<\/em> instaurada em nossas linguagens. Sabemos que essas palavras \u2013 cr\u00edtica, crit\u00e9rio, crise \u2013 t\u00eam uma origem comum, mas a rela\u00e7\u00e3o que se estabelece entre elas chega at\u00e9 n\u00f3s com certo jogo. Fi\u00e9is \u00e0 ambiguidade a que fomos condenados, somos aqui convidados a decidir se a cr\u00edtica que interessa \u00e0 arte do nosso tempo \u00e9 aquela que restitui a ordem das coisas ou, ao contr\u00e1rio, que instaura disrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste trabalho, Galciani Neves recusa a vis\u00e3o do cr\u00edtico como uma autoridade apaziguadora. N\u00e3o reconhece em sua atividade aquela certeza da palavra divina, do mesmo modo que n\u00e3o v\u00ea no trabalho de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica nada de demi\u00fargico. Ambos participam de uma g\u00eanese que \u00e9 processo laborioso, extenso, muitas vezes infinito, porque deriva de um gesto \u2013 para citar de uma s\u00f3 vez Marcel Duchamp e Cec\u00edlia Salles \u2013 definitivamente inacabado. O papel do cr\u00edtico n\u00e3o \u00e9 o de resolver, mas o de testar, ecoar e renovar as tens\u00f5es das linguagens. Longe de um <em>escrever certo por linhas tortas<\/em>, ele busca um caminho coeso para tocar o que permanece incerto no trabalho do artista. A retid\u00e3o de sua tarefa \u2013 se assim podemos falar de seu compromisso e de sua assertividade \u2013 tem a ver com a necessidade de explorar e garantir as aberturas de sentido que as linguagens humanas oferecem. Com a leitura que se segue, aprendemos que, como o guia que tantas vezes esperamos que ele fosse, a tarefa do cr\u00edtico \u00e9 fazer andar produzindo descaminhos.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos esperar deste livro uma defini\u00e7\u00e3o simples e funcional do que \u00e9 a cr\u00edtica de arte. O percurso proposto n\u00e3o \u00e9 o mais f\u00e1cil nem o mais curto: \u201cvisualiza-se a cr\u00edtica de arte sob o car\u00e1ter de um exerc\u00edcio em pleno movimento de complexidade, transforma\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, portanto, de natureza mutante e afeita a imprevisibilidades e inventividades, e em sua \u2018emerg\u00eancia sist\u00eamica\u2019, na qual est\u00e3o envolvidos em pactos e fluxos outros subsistemas s\u00edgnicos \u2013 a cultura, a arte, o p\u00fablico, a pol\u00edtica, a hist\u00f3ria, o contexto social, as percep\u00e7\u00f5es, os agentes, as institui\u00e7\u00f5es \u2013 que se conectam, colidem, partilham saberes e experi\u00eancias\u201d. Galciani far\u00e1 esse alerta um tanto mais adiante, quando os di\u00e1logos com diversos cr\u00edticos atuantes no cen\u00e1rio brasileiro j\u00e1 tiverem demostrado, por si mesmos, a amplitude de procedimentos que esse exerc\u00edcio abrange. Um trajeto longo de reflex\u00e3o se faz necess\u00e1rio justamente onde a abstra\u00e7\u00e3o sint\u00e9tica do dicion\u00e1rio e da enciclop\u00e9dia mostra sua insufici\u00eancia. Como veremos, ser\u00e1 preciso reencontrar algumas trilhas da hist\u00f3ria, e ser\u00e1 preciso percorr\u00ea-la muito pr\u00f3ximo aos acontecimentos.<\/p>\n<p>O livro come\u00e7a relatando o debate da cr\u00edtica brasileira, nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, em torno do modo como nossa arte deveria dar conta de uma identidade nacional. \u00c9 nesse contexto que os artistas e os intelectuais esbo\u00e7am uma intera\u00e7\u00e3o maior na busca de um modelo pr\u00f3prio de agenciar as tradi\u00e7\u00f5es e as rupturas. A ideia de antropofagia surge como uma resposta que n\u00e3o \u00e9 nem de recusa, nem de subservi\u00eancia \u00e0s tend\u00eancias europeias. Antropofagia \u00e9 um modo de fazer sua a for\u00e7a do outro. Esgar\u00e7ando um pouco essa met\u00e1fora, podemos tom\u00e1-la como um princ\u00edpio de complexidade que permite entender outros agenciamentos. Por exemplo, o pr\u00f3prio modo como artistas e cr\u00edticos passam a explorar um o territ\u00f3rio do outro e a se alimentar reciprocamente das tens\u00f5es que essa rela\u00e7\u00e3o produz. O cr\u00edtico que se forma nessa esp\u00e9cie de experi\u00eancia antropof\u00e1gica \u00e9 o avesso do estere\u00f3tipo do cr\u00edtico gastron\u00f4mico, que preserva sua identidade e sua autoridade, que se mant\u00e9m distanciado, que desfruta daquilo que julga com express\u00e3o impass\u00edvel para, no dia seguinte, decretar se o p\u00fablico deve ou n\u00e3o degustar o alimento que j\u00e1 lhe chega mastigado. Na perspectiva que aqui interessa, e que se consolida na segunda metade do s\u00e9culo XX, artista e cr\u00edtico podem manter seus lugares de prefer\u00eancia, mas sentam-se confortavelmente \u00e0 mesma mesa e se olham de frente, a partir de uma mesma estatura.<\/p>\n<p>Diante de todas as aberturas promovidas pelas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970, o exerc\u00edcio da cr\u00edtica se confunde em boa medida com o fazer do fil\u00f3sofo, do historiador, do educador e, ainda, aproxima-se intensamente do fazer do artista. No caso particular do Brasil, onde a disciplina da cr\u00edtica de arte nunca foi exatamente uma institui\u00e7\u00e3o com sede pr\u00f3pria, tanto mais se conseguir\u00e1 demonstrar que ela existe e que tem for\u00e7a, quanto mais se puder observar sua complexidade. Como veremos neste livro, imprimir \u00e0 cr\u00edtica uma forma po\u00e9tica n\u00e3o significa, como antes, querer estabelecer um g\u00eanero liter\u00e1rio aut\u00f4nomo, mas impregnar-se dos processos e da mat\u00e9ria art\u00edstica que prop\u00f5e analisar. Privilegiando justamente esse per\u00edodo, Galciani assume um desafio: buscar as formas mais plurais da cr\u00edtica e, ao mesmo tempo, reconhecer os contornos m\u00ednimos que identificam esse fazer. Porque s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel localizar uma atua\u00e7\u00e3o transgressora quando ela n\u00e3o se dissolve totalmente no territ\u00f3rio sobre o qual avan\u00e7a. Se a autora tenta responder \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o ressentida de que \u201cn\u00e3o h\u00e1 cr\u00edtica de arte no Brasil\u201d, seria insuficiente trat\u00e1-la como uma postura reflexiva corriqueira que se manifesta no trabalho de todo artista ou de todo pensador que observa o campo da arte. O \u201cser\u201d da cr\u00edtica existe, mas \u00e9 constitu\u00eddo daquilo que ele \u00e9 capaz de tornar-se (a express\u00e3o \u00e9 adaptada de\u00a0P\u00edndaro: \u201ctorna-te o que tu \u00e9s\u201d).\u00a0A cr\u00edtica que interessa a esta pesquisa \u00e9 feita de mat\u00e9ria perme\u00e1vel e relativizada, mas ainda tem seu corpo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio da cr\u00edtica \u00e9 visto aqui em seu papel comunicacional e age para ampliar o territ\u00f3rio partilh\u00e1vel entre artista e p\u00fablico. Cabe considerar os limites e os riscos dessa atua\u00e7\u00e3o diante dos efeitos amb\u00edguos gerados pelas experimenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas desse per\u00edodo: de um lado, elas investem numa aproxima\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico apropriando-se de objetos que habitam sua vida cotidiana e buscando alternativas de circula\u00e7\u00e3o al\u00e9m dos espa\u00e7os institucionais de arte. De outro, deixam nu o olhar de um p\u00fablico minimamente erudito, vestido dos crit\u00e9rios formalistas j\u00e1 disseminados que, at\u00e9 ent\u00e3o, permitiam uma razo\u00e1vel identifica\u00e7\u00e3o com a arte moderna. Nesse momento de desconforto, a cr\u00edtica deve decidir entre aproveitar-se de uma \u201cdemanda de explica\u00e7\u00f5es\u201d para repor a erudi\u00e7\u00e3o perdida e afirmar a suposta depend\u00eancia que o artista t\u00eam de sua palavra certeira (aquela palavra divina concedida \u00e0 Ad\u00e3o, que lhe permitia dar o nome certo a cada coisa rec\u00e9m-criada). Ou, em vez disso, pode preferir contaminar sua escrita desses acontecimentos t\u00e3o novos quanto fugidios, para construir ou ampliar um espa\u00e7o em que possam ser efetivamente experimentados, mesmo quando ainda n\u00e3o foram nomeados. Nesta \u00faltima condi\u00e7\u00e3o, os discursos e as narrativas que antes pareciam perturbar o sil\u00eancio da contempla\u00e7\u00e3o se tornam mat\u00e9ria integrante da obra de arte. Em momentos cruciais como esse, o cr\u00edtico, a quem muitas vezes atribu\u00edmos o papel de \u201cfacilitador\u201d, tem a tarefa de garantir a complexidade daquilo que ajuda a comunicar.<\/p>\n<p>Como em toda boa pesquisa, os problemas aqui propostos n\u00e3o surgem da oportunidade que a universidade oferece de jogar com as ideias. Antes disso, esses problemas j\u00e1 se faziam leg\u00edveis nas marcas que a conviv\u00eancia com os artistas havia deixado no corpo. Por isso mesmo, as respostas esbo\u00e7adas seguem transbordando na dire\u00e7\u00e3o de um cotidiano de trabalho da autora. Sabemos que, em sua atua\u00e7\u00e3o como cr\u00edtica \u2013 que se traduz nesta e em tantas outras escritas, mas tamb\u00e9m em curadorias, no trabalho em sala de aula e nos grupos de acompanhamento \u2013, Galciani tem articulado seus pensamentos muito rente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de jovens artistas.<\/p>\n<p>O valor deste livro est\u00e1 no fato de Galciani buscar entender o trabalho de cr\u00edticos brasileiros investindo numa proximidade semelhante \u00e0 que mant\u00e9m com esses\u00a0artistas. O olhar distanciado n\u00e3o lhe interessa nem dentro nem fora da academia. Al\u00e9m das tantas leituras que acumula, este trabalho se construiu a partir de entrevistas e conversas diretas com importantes pensadores da arte no Brasil: Aracy Amaral, Frederico Morais, Ronaldo Brito, Paulo Sergio Duarte, Annateresa Fabris, Paulo Ven\u00e2ncio Filho, Fernando Cocchiarale, Gl\u00f3ria Ferreira, Tadeu Chiarelli, que t\u00eam em comum o fato de terem vivido de perto a efervesc\u00eancia art\u00edstica das d\u00e9cadas de 1960 e 1970. Apoiou-se tamb\u00e9m em di\u00e1logos com Maria Am\u00e9lia Bulh\u00f5es, M\u00f4nica Zielinsky, Marcio Doctors, Cristina Freire e S\u00f4nia Salzstein. E, mesmo quando a dist\u00e2ncia j\u00e1 estava imposta, soube construir uma escuta muito viva e atenta das vozes de Sergio Milliet, Mario Pedrosa e Walter Zanini.<\/p>\n<p>H\u00e1 um outro lado dessa abordagem que permite tomar como objeto uma hist\u00f3ria que permanece em curso e na qual se est\u00e1 profundamente implicado. Quando a an\u00e1lise e o gesto se tornam insepar\u00e1veis dentro de uma pesquisa, ela revela sua pot\u00eancia pol\u00edtica. Essa dimens\u00e3o parece interessar particularmente \u00e0 autora e est\u00e1 claramente presente na atua\u00e7\u00e3o dos cr\u00edticos e artistas com que dialoga: quando os ateli\u00eas, as salas de aula, as reda\u00e7\u00f5es de jornais est\u00e3o sob vigil\u00e2ncia, artistas e cr\u00edticos saem a campo e buscam novas formas de colocar seus pensamentos em circula\u00e7\u00e3o para responder \u00e0s urg\u00eancias de seu tempo. Esse momento em que todas as liberdades s\u00e3o negadas \u00e9 para artistas e cr\u00edticos a ocasi\u00e3o de criar formas que permitam express\u00e1-las ainda mais intensamente. Quando os direitos s\u00e3o restitu\u00eddos e as coisas parecem calmas, baixamos a guarda e demoramos a perceber como as formas hist\u00f3ricas de viol\u00eancia tamb\u00e9m se reinventam. Relembrar o papel da cr\u00edtica naqueles tempos turbulentos n\u00e3o constitui uma oportunidade de celebr\u00e1-la, de oferecer a ela um monumento. \u00c9 tamb\u00e9m uma forma de manter de prontid\u00e3o as for\u00e7as transformadoras que a arte \u00e9 capaz de mobilizar. A mem\u00f3ria convocada por esta pesquisa \u00e9 intensamente pol\u00edtica e est\u00e1 dedicada ao que vem adiante.<\/p>\n<div id=\"attachment_11931\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/02-ricardo-basbaum_001-1.jpg\" data-size=\"1000x410\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-11931\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-11931 size-large\" src=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/02-ricardo-basbaum_001-1-674x276.jpg\" alt=\"\" width=\"674\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/02-ricardo-basbaum_001-1-674x276.jpg 674w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/02-ricardo-basbaum_001-1-360x148.jpg 360w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/02-ricardo-basbaum_001-1-768x315.jpg 768w, https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/02-ricardo-basbaum_001-1.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 674px) 100vw, 674px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11931\" class=\"wp-caption-text\">Ricardo Basbaum. Diagrama. Da s\u00e9rie &#8220;Me-You&#8221;, 2005<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas m\u00e3os humanas, cria\u00e7\u00e3o \u00e9 desvio e, por isso mesmo, \u00e9 trabalho cont\u00ednuo. \u00c9 esse fazer incerto e surpreendente que, desde ent\u00e3o, temos chamado de poesia.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11929,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[834],"tags":[1185,1188,1186,1187,796],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11922"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11922"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11922\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11939,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11922\/revisions\/11939"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}