{"id":1029,"date":"2010-08-22T20:40:02","date_gmt":"2010-08-22T20:40:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iconica.com.br\/?p=1029"},"modified":"2017-03-01T12:29:27","modified_gmt":"2017-03-01T12:29:27","slug":"henri-cartier-bresson-o-seculo-moderno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iconica.com.br\/site\/henri-cartier-bresson-o-seculo-moderno\/","title":{"rendered":"Henri Cartier-Bresson &#8211; O s\u00e9culo moderno"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1037\" style=\"width: 287px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/Screen-shot-2010-08-23-at-00.31.051.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1037\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1037\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/Screen-shot-2010-08-23-at-00.31.051.png\" alt=\"Capa do livro\" width=\"277\" height=\"367\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1037\" class=\"wp-caption-text\">Capa do livro<\/p><\/div>\n<p>A editora Cosac Naify, num raro senso de oportunidade, publica o livro <em>Henri Cartier-Bresson: o s\u00e9culo moderno<\/em>, simultaneamente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em exibi\u00e7\u00e3o no Museu de Arte Moderna de Nova York neste momento, dando nova visibilidade \u00e0 import\u00e2ncia da parceria estabelecida entre a editora e o MOMA.<\/p>\n<p>O livro, organiza\u00e7\u00e3o de Peter Galassi, que tamb\u00e9m assina a curadoria da mostra, permite-nos ter acesso n\u00e3o apenas \u00e0s imagens de Cartier-Bresson (1908 \u2013 2004), um dos nomes mais emblem\u00e1ticos da fotografia produzida no s\u00e9culo passado, como possibilita ampliar significativamente sua esfera de atua\u00e7\u00e3o com informa\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas de sua trajet\u00f3ria. Cartier-Bresson tamb\u00e9m foi cineasta, ator, editor, diretor de document\u00e1rios e de filmes de publicidade, pintor e desenhista, entre muitas outras atividades desenvolvidas ao longo de seus 96 anos de idade.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 ambicioso, pois quem imaginava conhecer Cartier-Bresson vai se deparar com uma quantidade enorme de novidades sobre sua vida, seus percursos e sua extensa obra. Com a abertura total dos arquivos, agora reunidos na Funda\u00e7\u00e3o Cartier-Bresson pela vi\u00fava Martine Franck, Peter Galassi soube articular uma enormidade de dados e valoriz\u00e1-los com a finalidade de trazer \u00e0 luz um conjunto expressivo de informa\u00e7\u00f5es que seguramente abrir\u00e1 novas possibilidades de investiga\u00e7\u00e3o para outros cr\u00edticos e pesquisadores.<\/p>\n<div id=\"attachment_1034\" style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/Cartier-Bresson-Turkish-Coffee-Shop-Mostar-Bosnia-and-Hercegovina-19651.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1034\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1034\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/Cartier-Bresson-Turkish-Coffee-Shop-Mostar-Bosnia-and-Hercegovina-1965-280x187.png\" alt=\"Cartier-Bresson, Coffee Shop, Bosnia and Hercegovina, 1965\" width=\"280\" height=\"187\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1034\" class=\"wp-caption-text\">Cartier-Bresson, Coffee Shop, Bosnia and Hercegovina, 1965<\/p><\/div>\n<p>Enfatiza sua ascend\u00eancia familiar burguesa, sua rela\u00e7\u00e3o com o ide\u00e1rio do Partido Comunista dos anos 20 e 30 que sonhava com uma sociedade mais igualit\u00e1ria, sua participa\u00e7\u00e3o no movimento surrealista, seu engajamento em produzir informa\u00e7\u00f5es sobre as col\u00f4nias francesas e sobre a \u00c1sia, sua conex\u00e3o com os fot\u00f3grafos de seu tempo e, em particular, sua participa\u00e7\u00e3o na Ag\u00eancia Magnum. Tamb\u00e9m valoriza seu relacionamento com os editores das revistas e jornais em que prestava servi\u00e7os, e sua proximidade com Robert Capa \u2013 que foi decisivo para a carreira de Bresson e respons\u00e1vel por ele assumir-se como fotojornalista, j\u00e1 que n\u00e3o queria ser rotulado apenas como fot\u00f3grafo surrealista. Esse est\u00edmulo foi fundamental para seus in\u00fameros deslocamentos em busca de uma fotografia documental de qualidade e diferenciada.<\/p>\n<p>Sua participa\u00e7\u00e3o na Ag\u00eancia Magnum n\u00e3o significou abandonar a esfera art\u00edstica coerente em favor de um trabalho estranho, pois para ele ser um fotojornalista significava ampliar sua atua\u00e7\u00e3o e ser tamb\u00e9m um diplomata, viajante, rep\u00f3rter e historiador. Para Peter Galassi, essa trajet\u00f3ria como fotojornalista \u00e9 que se torna a ess\u00eancia do seu trabalho no p\u00f3s-guerra \u2013 \u201ca mais completa, variada, abrangente e convincente descri\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo moderno que um fot\u00f3grafo j\u00e1 nos deu\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_1038\" style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/Cartier-Bresson-Simone-de-Beauvoir-Paris-19461.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1038\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1038\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/Cartier-Bresson-Simone-de-Beauvoir-Paris-1946-280x424.png\" alt=\"Cartier-Bresson, Simone de Beauvoir, Paris, 1946\" width=\"280\" height=\"424\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1038\" class=\"wp-caption-text\">Cartier-Bresson, Simone de Beauvoir, Paris, 1946<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m de defender a tese de que Cartier-Bresson, desde o in\u00edcio dos anos 1930, ajudou a definir o modernismo fotogr\u00e1fico, Galassi tamb\u00e9m mostra que ele soube como ningu\u00e9m transitar com liberdade tanto pela fotografia art\u00edstica quanto pelas publica\u00e7\u00f5es nas revistas ilustradas. O livro reflete na realidade o projeto curatorial e expositivo sobre a trajet\u00f3ria e a obra de Cartier-Bresson, dividido no texto cr\u00edtico de apresenta\u00e7\u00e3o em diferentes momentos \u2013 o fot\u00f3grafo, o prod\u00edgio, o artista, o idealista, o observador, o profissional e o historiador.<\/p>\n<p>Da\u00ed sua tem\u00e1tica ser a sociedade, a cultura e a civiliza\u00e7\u00e3o, pois para ele ser fot\u00f3grafo significava \u201cenvolver-se com a totalidade do mundo\u201d. O livro tamb\u00e9m traz um quadro detalhado de como ele trabalhava \u2013 tanto sobre as especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas de c\u00e2meras e filmes, como a log\u00edstica das viagens com seus colaboradores e os preciosos mapas desenhados por Adrian Kitzinger, que minuciosamente tra\u00e7ou todos os deslocamentos de Cartier-Bresson entre 1930 e 1960.<\/p>\n<p>Muito j\u00e1 se sabia sobre Cartier-Bresson, mas poucos perceberam que de todos os grandes fot\u00f3grafos da primeira metade do s\u00e9culo passado ele foi um dos poucos que floresceu e consolidou uma obra fotogr\u00e1fica ap\u00f3s a Segunda Guerra. Peter Galassi nos mostra as estrat\u00e9gias que Bresson elaborou para continuar viajando, produzindo e publicando seu material nas revistas e jornais mais importantes do mundo, e iniciando seu circuito de exposi\u00e7\u00f5es.\u00a0 Por exemplo, sua primeira individual foi realizada em Nova York, em 1947, depois em Londres, em 1952. J\u00e1 em Paris, isso s\u00f3 aconteceu em 1955.<\/p>\n<div id=\"attachment_1039\" style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/Cartier-Bresson-Houston-Texas-19571.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1039\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1039\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/Cartier-Bresson-Houston-Texas-1957-280x428.png\" alt=\"Cartier-Bresson, Houston, Texas, 1957\" width=\"280\" height=\"428\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1039\" class=\"wp-caption-text\">Cartier-Bresson, Houston, Texas, 1957<\/p><\/div>\n<p>Outra novidade do livro \u00e9 tornar p\u00fablico algumas c\u00f3pias contato, procedimento de produzir um copi\u00e3o para selecionar as melhores tomadas. No caso de Bresson avaliado pelo autor, ao se deparar com as c\u00f3pias contato, desvenda-se parcialmente o processo de cria\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o das imagens. Pode-se verificar o quanto ele era econ\u00f4mico em sua produ\u00e7\u00e3o. Para cada assunto em particular, com raras exce\u00e7\u00f5es, ele realizava de cinco a dez fotogramas para em seguida de concentrar em outro tema. Cartier-Bresson tinha um esp\u00edrito independente e empreendedor e isso foi determinante para desenvolver sua fotografia centrada numa intelig\u00eancia r\u00e1pida e intuitiva, associada \u00e0 sua vasta e sofisticada cultura.<\/p>\n<p>Essa perspic\u00e1cia e determina\u00e7\u00e3o provam que Bresson estudava atentamente seu objeto antes de fotografar, e ver agora sua c\u00f3pia contato tamb\u00e9m possibilita perceber seus movimentos em torno daquilo que lhe chamava a aten\u00e7\u00e3o. Enquanto n\u00e3o conseguia enquadrar o assunto \u00e0 sua maneira, \u201cdan\u00e7ava\u201d em torno dele. \u00c9 incr\u00edvel nesses casos ter a dimens\u00e3o exata de seu trabalho, tanto que Galassi salienta que ele disparava o obturador da c\u00e2mera somente ap\u00f3s haver \u201ctraduzido o assunto em imagem\u201d.<\/p>\n<p>Cartier-Bresson desenvolveu dois ensaios \u2013 Gandhi e Pequim \u2013 que se tornaram seus pilares de reputa\u00e7\u00e3o profissional. Ele apreendeu e registrou apenas o que era importante, descartando do seu enquadramento o que era insignificante. Essa atitude \u00e9 que permitiu seu reconhecimento junto \u00e0s revistas ilustradas que buscavam fotografias que fossem s\u00edntese e tivessem clareza e transpar\u00eancia, indispens\u00e1veis para dar respeitabilidade ao material publicado.<\/p>\n<div id=\"attachment_1040\" style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/Cartier-Bresson-Preparations-for-the-Baris-Dance-Ubud-Bali-Indonesia-19491.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1040\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1040\" src=\"http:\/\/192.249.123.35\/~iconic16\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/Cartier-Bresson-Preparations-for-the-Baris-Dance-Ubud-Bali-Indonesia-1949-280x425.png\" alt=\"Cartier-Bresson, Preparations for the Baris Dance, Ubud, Bali, Indonesia, 1949\" width=\"280\" height=\"425\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1040\" class=\"wp-caption-text\">Cartier-Bresson, Preparations for the Baris Dance, Ubud, Bali, Indonesia, 1949<\/p><\/div>\n<p>Suas atividades extra fotografia, explicitadas neste livro, s\u00f3 se viabilizaram gra\u00e7as \u00e0 meticulosa sistematiza\u00e7\u00e3o de guarda e registro estabelecida pelo fot\u00f3grafo ao longo de sua vida, que soube organizar seu material para agora tornar-se p\u00fablico. Peter Galassi\u00a0 valorizou e ordenou cada informa\u00e7\u00e3o encontrada de modo que chega a surpreender o leitor pela farta documenta\u00e7\u00e3o acumulada por Cartier-Bresson. Claro que n\u00e3o esgotou o assunto, mas com certeza abriu caminhos que ainda poder\u00e3o revelar muitas outras surpresas.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o impressionantes: em 1976, ele ultrapassou o rolo de n\u00famero 14 mil, somando mais de meio milh\u00e3o de fotografias em tr\u00eas d\u00e9cadas de trabalho. Como atesta Peter Galassi, \u201co trabalho de Cartier-Bresson \u00e9 extraordin\u00e1rio n\u00e3o necessariamente por sua amplitude geogr\u00e1fica e cultural, mas tamb\u00e9m por seu alcance hist\u00f3rico ao largo das vastas transforma\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo moderno\u201d. O livro <em>Henry Cartier-Bresson: o s\u00e9culo moderno,<\/em> da Cosac Naify, traz ainda uma listagem cronol\u00f3gica dos jornais e revistas que publicaram as fotografias de Bresson em todo o mundo; uma expressiva listagem das principais exposi\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas e livros publicados; e uma selecionada bibliografia e filmografia do autor.<\/p>\n<p>[As imagens de Cartier-Bresson foram retiradas da <a href=\"http:\/\/moma.org\/interactives\/exhibitions\/2010\/henricartierbresson\/#\/\" target=\"_self\">apresenta\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o no site do MoMA<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A editora Cosac Naify, num raro senso de oportunidade, publica o livro Henri Cartier-Bresson: o s\u00e9culo moderno, simultaneamente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em exibi\u00e7\u00e3o no Museu de Arte Moderna de Nova York neste momento, dando nova visibilidade \u00e0 import\u00e2ncia da parceria estabelecida entre a editora e o MOMA. O livro, organiza\u00e7\u00e3o de Peter Galassi, que tamb\u00e9m assina a curadoria da mostra, permite-nos ter acesso n\u00e3o apenas \u00e0s imagens de Cartier-Bresson (1908 \u2013 2004), um dos nomes mais emblem\u00e1ticos da fotografia produzida no s\u00e9culo passado, como possibilita ampliar significativamente sua esfera de atua\u00e7\u00e3o com informa\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas de sua trajet\u00f3ria. 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