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A fotografia e o desejo de happening

Ronaldo Entler | 15.set.2015

Ao mostrar Jackson Pollock em ação, os registros de Hans Namuth (1950-51) deram um desenho mais nítido àquele corpo em movimento que já era de algum modo visível nas próprias pinturas. O gesto pode ser intuído de qualquer pintura, seja um Rembrandt, seja um Van Gogh mas, no caso de Pollock e de todos os pintores que foram associados à Action Painting, a reconexão de um resultado com esse gesto que lhe deu origem é um dos sentidos almejados pela obra. Na medida em que os artistas se abrem a tantas novas experimentações, acentua-se o desejoLeia Mais

Voto de Ana

Pio Figueiroa | 3.maio.2015

“Tudo se finge, primeiro; germina autêntico é depois”, Guimarães Rosa em seus últimos escritos, publicado em 1967 no Tutaméia Na última Bienal de São Paulo (2014), a fotógrafa Ana Lira expôs “Voto”, obra que foi oportunamente coligida num livro homônimo e que veio à luz sob o selo da Pingado Prés. É de se louvar o esforço dessa editora responsável por dar forma de livro às boas ideias, ela que, seguramente, merece o olhar de quem deseja publicar fotografias. No pavilhão da Bienal, a obra ganhou em escala ao ser firmada sobreLeia Mais
O ensaio Recontro, 2014, de Lívia Aquino, faz-se pensar por pelo menos dois movimentos. O primeiro forma-se pela luz invasora que deixa as imagens com o aspecto de desenhos que despertam das expressões que somam-se, uma a uma, constituindo a série. O outro, a saber, é aquele em que as pessoas aparecem ou quase desaparecem, após dedicarem miradas, olhares desconcertantes, deixando claro que a fotógrafa estava lidando com o desconforto dado pelo real sentido de ser estrangeira, mais que isso, exótica àquelas ruas. Fotografamos assim: ali a cena, estamos daqui, parte observadores e,Leia Mais

O olhar como performance

Ronaldo Entler | 26.set.2011

A atividade do olhar é normalmente entendida como captação discreta e passiva dos movimentos do mundo. Mas o próprio olhar é movimento, como diz Alfredo Bosi, “com propriedades dinâmicas de energia e calor graças a seu enraizamento nos afetos e na vontade” (“Fenomenologia do Olhar”, 1988. p. 77). Alguns artistas buscam reconhecer os momentos em que o olhar revela sua espessura, em que se torna por si mesmo uma performance, gesto que afeta também aquilo que é visto. Quando o olhar se torna visível, seus vetores compõem um enredo: oLeia Mais

Rodrigo Braga num sentido extra-moral

Ronaldo Entler | 16.maio.2011

Na semana passada, Rodrigo Braga realizou uma palestra sobre seu trabalho em São Paulo. Uma fala calma, lúcida, em busca das palavras certas, que destoa da erupção de formas violentas que encontramos em seu trabalho. Isso foi uma surpresa? Não propriamente, mas evidenciou certa ansiedade que sua presença desperta. A maioria de nós estava ali porque gosta de seu trabalho. Para alguns, gostar engloba também o reconhecimento de uma “verdade”: sabemos que a violência que fere nossos olhos, passou antes pelo corpo dele próprio. Naquele momento, esse mesmo corpo estavaLeia Mais

Gordon Matta-Clark: o registro como obra

Ronaldo Entler | 23.fev.2010

Gordon Matta-Clark (1943-1978) pertenceu a uma geração de artistas que, a partir dos anos 60 e 70, rompeu com as linguagens tradicionais para realizar ações cujo valor está sobretudo na experiência e nos debates que propiciam. Seus trabalhos mais importantes são intervenções em espaços urbanos, às vezes sutis como a compra de propriedades minúsculas e inúteis que restaram da especulação imobiliária em Nova York; às vezes grandiosas, como orifícios e recortes gigantescos feitos em edifícios que estavam prestes a desaparecer da paisagem. Para nós, é uma boa oportunidade para discutirLeia Mais