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O Pior é infinito é uma manifestação crítica aos acontecimentos mais recentes na vida de nosso país. São séries desenvolvidas como reação a um Brasil que faz prevalecer as estruturas de exploração inerentes à nossa história, solapando alguns dos lampejos emancipatórios que experimentamos nas últimas décadas. Cada fotografia dessa coleção é uma expressão fragmentária sobre o que percebo vivendo em um estado de golpe. O referente dessa pesquisa são as imagens publicadas nas redes sociais, arena expressiva, imagética e prenhe de sintomas de nossa atualidade. Em uma distância que coloca aLeia Mais
Adelaide Ivánova escreve. Escreve com tanta frequência, produz tanto, que, penso, escreve até mais do que vive. Seu texto é urgente, imediato. Sempre com um gosto de uma conversa impulsiva. Suas palavras me chegam radiosas, incontroláveis; ora machucadas, arranhadas, escapulidas de uma ebulição qualquer. Mas este post aqui, na verdade, é sobre um outro matiz de seu trabalho, um livro de fotografias recentemente publicado. Primeiras lições de hidrologia – e outras observações é, ao mesmo tempo, um álbum de família e um guia crítico do Recife. Adelaide mostra uma cidadeLeia Mais

Travessias

Rubens Fernandes Junior | 6.jul.2015

German Lorca é, seguramente, uma das poucas unanimidades na fotografia brasileira. Sua obra pode ser entendida por meio das diversas travessias que percorreu ao longo de sua extensa trajetória, em busca de imagens que agradassem seu espírito inquieto e seu olhar curioso. Uma obra que nos faz ver o visível através de uma gênese inspirada diante do mágico espetáculo da vida cotidiana. Da primeira experiência com a fotografia, em meados dos anos 1940, ainda muito jovem, até sua última série, Geometria das Sombras, realizada em 2014, podemos vislumbrar algumas característicasLeia Mais
No próximo dia 27 de maio, entra em cartaz a exposição Ver do Meio, um trabalho de Nelson Brissac, que provocou três fotógrafos a apreender uma cidade que “não se dar a ver”. Faço parte desse grupo ao lado de Arnaldo Pappalardo e Mauro Restiffe. São Paulo, com sua trama urbana que não garante precisões, nos levou a uma fotografia que se fez na rua, no embate do corpo com a cidade. Nelson Brissac publica aqui no Icônica  seu texto curatorial acompanhado de algumas imagens que estarão expostas. © Arnaldo Pappalardo   VerLeia Mais

A sombra da escrita

Pio Figueiroa | 14.jul.2014

Um tempo querendo escrever algo para um post, mas venho sendo atrapalhado pela pulsão de fotografar. É curioso, a intensidade de fotografar dispersa-me da capacidade de escrever. Tem estratégias nessas duas atividades que não se combinam, não se permitem. A fotografia é mundana, ágil, externa. Deixa trancada o que é a necessária introspecção. Tem parte com ver de perto, sem muito ritmo para aquele espaço de diálogo da escrita, aquele consigo; da linguagem com o pensamento; o de conceber na medida que escolhem-se as palavras. Tenho feito fotografia no campoLeia Mais

Carta a Rodrigo, de Valparaíso

Pio Figueiroa | 2.maio.2014

São Paulo, 29 de abril de 2014. Querido Rodrigo Gomez Rovira, Há tempos queria tê-lo escrito para falar de mim. Voltei às pressas de sua cidade tentando resolver o fim de uma história profissional construída em grupo, que me colocou, abruptamente, em uma nova trajetório de trabalho. Uma saída corrida em busca do que não havia jeito… Não escrevi antes. Esperava ter coragem, esperava o tempo que você merecia para saber sobre a minha volta tão rápida a São Paulo. Mas há poucos dias vi a sua cidade pela notíciaLeia Mais

Moderna para Sempre: Foto Clube Bandeirante

Rubens Fernandes Junior | 5.fev.2014

Depoimento concedido ao Itaú Cultural sobre o Foto Clube Bandeirante, em torno da exposição Moderna para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú Cultural.Leia Mais

Experimentação e engajamento

Ronaldo Entler | 17.jun.2012

A fotografia conquistou seu lugar no mundo alardeando seu compromisso com a realidade. Muitas vezes, ela ignorou essa promessa e inventou mundos para si, outras tantas, ela negociou modos bastante paradoxais de cumpri-la. Mas permaneceu de prontidão: sempre que a realidade se voltava contra os homens, a fotografia estava lá para denunciá-la. Esse raciocínio é válido. Mas ele pode se contorcer numa fórmula histórica perigosa que opõe a experimentação plástica às demandas sociais dos tempos de crise. Acabo de visitar uma exposição no MAC-SP, e lá estava um trecho deLeia Mais
Jorge de Lima. O nome da Musa (Acervo IEB)

As fotomontagens de Jorge de Lima

Rubens Fernandes Junior | 23.abr.2012

Na historia da fotografia brasileira temos algumas experiências isoladas que merecem nossa atenção. Na maioria das vezes, são iniciativas que adquiriram importância por estarem desconectadas do fluxo sequencial da linguagem ou por se tornarem demonstração de interesses particulares de artistas mais inquietos que foram atraídos por alguns aspectos inusitados do fazer fotográfico. Um desses artistas é Jorge de Lima (1893 – 1953), alagoano, médico, romancista, poeta, pintor (esteve na I Bienal de São Paulo, em 1951) e que, por um curto período, também trabalhou com a fotografia. Mas não foiLeia Mais

A fotografia e a Semana de 22 – Parte II

Rubens Fernandes Junior | 26.mar.2012

A Semana de Arte Moderna comemora seus noventa anos e acredito que ninguém pode negar sua importância como evento que rompeu alguns paradigmas que imperavam na literatura e nas artes em geral daquele momento. Entendo a Semana como uma pequena insurreição que deve sim ser celebrada, mas hoje, com o distanciamento histórico, podemos também apontar alguns vazios que não foram ocupados pelos precursores do movimento. Como entender, por exemplo, a ausência da fotografia e do cinema, duas linguagens em plena ebulição nas primeiras décadas do século passado? Nesse mesmo período,Leia Mais

A fotografia e a Semana de 22 – Parte I

Rubens Fernandes Junior | 26.fev.2012

Na celebração dos noventa anos da Semana de Arte Moderna, há várias homenagens e publicações que tentam dar conta da extensão e da importância que o evento teve nas artes em geral. Mas poucos discutem as lacunas e as ausências cada vez mais evidentes à medida que nos distanciamos no tempo. No dia 15 fevereiro de 1922, duas semanas antes do Carnaval, teve início a Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo. Em tese, este acontecimento cultural com preocupações nacionalistas poderia ter ampliado sua ressonância caso seLeia Mais

Fotografias deserdadas II – Vivian Maier

Rubens Fernandes Junior | 19.set.2011

Quem me conhece sabe que tenho apreço especial pela fotografia que por algum motivo não ganhou visibilidade pública. Algumas vezes, nem privada, através dos álbuns ou das caixas de sapato. E é essa exatamente a história recém descoberta da norte-americana Vivian Maier (1926 – 2009). De mãe francesa e pai austríaco, ela trabalhou como babá por mais de quarenta anos, mas sempre fotografou – no começo com uma Kodak Brownie e, a partir de 1952, com uma Rolleiflex, quando sua produção teve uma radical transformação.Leia Mais

Viva Farkas!

Rubens Fernandes Junior | 29.mar.2011

Na última sexta-feira a fotografia brasileira perdeu o seu maior entusiasta: Thomaz Farkas. Também o cinema perdeu a inteligência e a sensibilidade de um dos nomes mais emblemáticos da imagem criativa da segunda metade do século XX. Trabalhamos juntos na Coleção Pirelli-Masp por 20 anos e em muitas outras oportunidades. Posso afirmar que sua alegria de viver intensamente todos os momentos sempre foi explícita e a imagem, em particular a fotografia, foi uma das suas paixões mais delirantes. Desde o início dos anos 1940, quando participa do Foto Clube Bandeirante,Leia Mais

Viver o novo e compartilhar emoções

Rubens Fernandes Junior | 14.mar.2011

Como sempre, a cidade de São Paulo oferece muitas opções para quem gosta e aprecia a fotografia. Seja diletante, artista, estudante, pesquisador, crítico de artes visuais, a oferta é sempre muito grande e diversificada nos espaços institucionalizados. Neste momento, a Pinacoteca do Estado, exibe Revolução na Fotografia, de Aleksander Rodtchenko; o Instituto Moreira Salles, Uma Antologia Pessoal, retrospectiva de Thomaz Farkas; a Caixa Cultural, Olhar-Imaginário, de German Lorca; o Instituto Tomie Ohtake, Relicário, de Vik Muniz; o Centro de Cultura Judaica, Marcados, de Cláudia Andujar (abertura prevista para dia 15Leia Mais

Seria Gregori Warchavchik um fotógrafo moderno?

Rubens Fernandes Junior | 24.nov.2009

Há anos venho colecionando fotografias. Recentemente adquiri um retrato de René Thiollier, um dos patronos do modernismo no Brasil e fundador da Academia Paulista de Letras. A autoria é de Gregori Warchavchik (Ucrania, 1896 – São Paulo, 1972) e isso bastou para lembrar sua produção fotográfica. Warchavchik chegou ao Brasil em 1923, no auge da vanguarda modernista experimentada pela Semana de 22, e encontrou um terreno fértil para suas idéias centradas nos arquitetos Walter Gropius, Le Corbusier e Mies van der Rohe. Casou-se em 1927 com Mina Klabin irmã deLeia Mais

E a fotografia de José Oiticica Filho (1906-1964)?

Rubens Fernandes Junior | 19.out.2009

O pavoroso incêndio que destruiu parte expressiva do Acervo de Obras de Hélio Oiticica no último sábado, dia 17 de outubro, seguramente entrará para a história como mais um descaso no tratamento, preservação e guarda da arte brasileira. Já conhecemos esta história e sabemos como as autoridades em geral, os familiares e a mídia tratam o assunto. Mas, curiosamente, em nada que eu li e vi sobre o assunto, há referências à obra de José Oiticica Filho, que mais do que o pai de Hélio Oiticica tem seu lugar garantidoLeia Mais