São Paulo – cidade da fotografia

[10.nov.2009]

Mario Cravo Neto, Exu na grota do mar, c. 2000.

Mario Cravo Neto, Exu na grota do mar, c. 2000.

São Paulo é, sem sombra de dúvida, uma capital cultural. A cidade vem exibindo nestas últimas e próximas semanas, imperdíveis mostras de fotografias que merecem nossa atenção. No Instituto Tomie Ohtake, temos uma retrospectiva de Mario Cravo Neto (1946-2009), denominada Eternamente Agora – tributo a Mario Cravo Neto, curadoria de Paulo Herkenhoff e Christian Cravo. O Instituto Moreira Salles exibe Otto Stupakoff (1935-2009), com 70 fotografias de moda, mulheres e celebridades, até 22 de novembro e, em seguida, Norte, fotografias de Marcel Gautherot (1910-1936). No Itaú Cultural, a imperdível exposição A Invenção de um Mundo, curadoria de Jean-Luc Monterosso e Eder Chiodetto, que reúne fotografias da coleção da Maison Européenne de la Photographie,  e exibe trabalhos dos artistas Sarah Moon, Joan Fontcuberta, Duane Michals, Jan Saudek, Joel-Peter Witkin, Pierre e Gilles, Vicente de Mello, Pierre Molinier, Bernard Faucon, entre outros, até 13 de dezembro. No Espaço Porto Seguro Fotografia, reúne os premiados da 9º edição sob o tema A Fotografia e o Tempo, com destaque para Miguel Rio Branco, até 15 de novembro. O Centro Cultural FIESP exibe 106 imagens do fotógrafo francês Robert Doisneau (1912-1994), na mostra A Renault de Doisneau, até 06 de dezembro. O Sesc Pinheiros Henri-Cartier Bresson – Fotógrafo, apresenta 133 imagens do artista do acervo da Fundação Cartier Bresson e Agência Magnum, além da mostra Bressonianas, com os trabalhos de Juan Esteves, Cristiano Mascaro,  Carlos Moreira, Tuca Vieira, Flavio Damm, Orlando Azevedo e Marcelo Buaianin, até 20 de dezembro. Na Caixa Cultural, na Praça da Sé, a boa retrospectiva com 40 fotografias de Ed Viggiani, Meu olho esquerdo, é imperdível pois traz o melhor da fotografia documental brasileira dos últimos 15 anos, até 19 de novembro. A Galeria Cultural Olido, da Secretaria Municipal de Cultura mostra Pierre Verger – Andalucia 1935, que reúne 70 fotografias que foram realizadas por Verger (1902-1996) na província espanhola na primavera de 1935, antes de radicar-se no Brasil, até 22 de dezembro. E o Masp, Museu de Arte de São Paulo, traz pela primeira vez ao Brasil a retrospectiva Walker Evans (1903-1975), que traz imagens da Grande Depressão americana às experiências com a Polaroid, até 10 de janeiro de 2010. No mesmo Masp também é possível se emocionar com a exposição Rodin: do Ateliê ao Museus – Fotografias e Esculturas, que mostra 193 fotografias, parte do acervo do parisiense Eugene Rodin (1840-1917), e que retratam o processo de criação do artista, até 13 de dezembro. No Museu da Casa Brasileira, uma boa surpresa com a exposição do canadense Robert Polidori, que reúne diferentes ensaios sobre a fragilidade do homem diante das intempéries naturais e dos desastres provocados pelo homem, até 12 de dezembro.

Que cidade no mundo tem consegue trazer à luz essa quantidade de artistas de reconhecimento internacional, com trabalhos e/ou séries de excepcional qualidade, que fazem de São Paulo um centro irradiador do melhor da fotografia moderna e contemporânea produzida no mundo. Ainda é possível ver também espalhados em mostras coletivas os trabalhos de Cris Bierrenbach e Rochelle Costi, no Centro Cultural São Paulo; Albano Afonso e Ana Lucia Mariz, na Funarte; Pierre Verger e Mario Cravo Neto, no Museu Afro-Brasil; e a instalação Corpo da Alma, de Rosangela Rennó, na Galeria Vermelho.

E se você ainda não viu nada, não diga que nada acontece na cidade de São Paulo.

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Jornalista, curador e crítico de fotografia, doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, professor e diretor da Faculdade de Comunicação da Fundação Armando Alvares Penteado (Facom-FAAP).

5 Respostas

  1. Que post!

    Algumas vezes, a sorte ajuda. Fui ver Viggiani dois dias depois de encerrada a exposição de J. R. Ripper e a mostra não tinha sido desmontada e estava aberta. Dois grandes documentaristas no mesmo prédio!

    Também, é bom ficar de olho nas galerias. Em agosto, Luiz Braga estava na Galeria Leme.

  2. Gostaria de incluir no seu roteiro duas mostras que não foram muito notadas pela imprensa e ainda estão em cartaz, ambas no mesmo espaço.
    A Humanidade em Guerra,( que comemora 150 anos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha) com imagens históricas de diferentes épocas, Guerra Civil americana e Vietnã, entre outros conflitos e recentes conflitos documentados especialmente pela VII Agence, com imagens de Ron Aviv, Anton Kratochvil, Cristopher Morris, James Nachtwey entre outros.
    No mesmo prédio, no andar de cima, “O lado de lá” belíssima mostra do fotógrafo Ricardo Teles,com imagens feitas na Africa ( Benim e Angola) . As imagens estão no novo espaço Matilha Cultural, que fica na rua Rego Freitas 542, o centro de São PAulo. Duas mostras imperdíveis.

  3. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, fico à espera de que uma ou outra exposição dessas passe por aqui…

  4. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, fico à espera de que uma ou outra exposição dessa passe por aqui…

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