Novidades no Icônica

[03.ago.2011]

Na próxima semana, quem diria, publicaremos nosso centésimo post.

Trabalho com o Rubens há quase 20 anos, quase 25, se eu somar os cursos que fiz como aluno dele. Tornaram-se cotidianas as conversas sobre leituras, pesquisas, exposições. Muitas vezes lamentamos não poder ampliar essas discussões, e a idéia de fazer um blog apareceu e desapareceu algumas vezes. Escrever era sempre uma gestação lenta, faltava coragem para soltar os textos sem os rituais acadêmicos.

Pensávamos nisso quando conheci pessoalmente alguns autores de blogs que acompanhava, sobretudo Livia Aquino, do Dobras Visuais, Alexandre Belém e Geórgia Quintas, do Olhavê, e Pio Figueiroa, da Cia de Foto. Eles botaram pilha. Eu ainda não tinha tido uma palavra final do Rubens quando, em 2009, numa mesa do evento “A invenção de um mundo”, com o auditório cheio, apontei para ele e disse publicamente que começaríamos um blog. Não teve volta. Gastamos algum tempo pensando no que escrever e com que formato. No final das contas, temos falado sobre o que dá vontade, do jeito que sabemos fazer.

A internet é um lugar fácil pra se perder. Isso significa não chegar a lugar algum, mas também, de vez em quando, encontrar algo bom que não estávamos buscando. Sou conservador, ainda não aprendi a usar decentemente as redes sociais. Mas vejo nos blogs uma boa medida pra essa aventura: escolhemos alguns poucos por afinidade, sabemos de onde partir quando o ar fica viciado, e sabemos pra onde voltar quando abrimos janelas demais. Continua sendo fundamental debater tête-à-tête, mas sinto que algumas trocas que acontecem pelas redes cumpre às vezes o papel de grandes eventos.

Tem sido uma ótima experiência. E tomamos como pretexto o tal centésimo post para fazer algumas mudanças no Icônica. Primeiro, um pequeno tapa no layout e um banho de plugin, pra tentar melhorar a leitura e a navegação. Mas isso não é nada.

A grande novidade é a chegada de dois novos colaboradores: Mauricio Lissovsky, do Rio de Janeiro, e Claudia Linhares Sanz, carioca, morando hoje em Brasília. São amigos, pensadores também formados no ambiente acadêmico, que transitam bem tanto pela história quanto pela produção atual. O critério para o convite foi bastante simples: são pessoas que nós gostaríamos de encontrar mais e ler mais.

Próxima semana, post de Maurício Lissovsky

Ao lado do Rubens, o Maurício foi uma figura importante na minha formação quando, uns vinte anos atrás, fui aluno dele em workshops sobre Walter Benjamin. A Claudia é uma jovem pesquisadora e professora, foi também aluna do Maurício, e tem um trabalho de reflexão muito consistente. Encontrei com ela algumas poucas vezes em congressos e eventos de fotografia, e fiquei muito impressionado todas as vezes em que a escutei. Curiosamente, fui descobrindo seus textos graças aos amigos blogueiros que sãosempre bons garimpeiros.

Arriscamos o convite, e eles toparam. Vamos continuar falando do que der vontade, no mesmo ritmo: um post novo por semana, de vez em quando, dois.

Na próxima segunda, testaremos as mudanças no layout, e começaremos com um texto muito legal do Maurício, chamado “A fotografia e seus duplos”. Cláudia chega no final de agosto.

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jornalista, pesquisador, doutor em Artes pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), professor e coordenador de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação da Fundação Armando Alvares Penteado (Facom-FAAP).

11 Respostas

  1. Um quarteto e tanto pra gente acompanhar, ler e pensar! Boas vindas a Claudinha e Maurício!

  2. Parabéns a vocês por este excelente blog que acompanho sempre com muito prazer. Espero ansiosamente pelos novos textos, novos temas. Boa sorte aos novos membros do Icônica.

  3. Muito, MUITO bom!

  4. Ronaldo e Rubens,

    Parabéns pelo centésimo post e por esta batalha que é manter um blog com conteúdo.

    Beijos,

    Alexandre Belém & Georgia Quintas.

  5. Que bom!
    Parabéns!

  6. Vida longa ao Icônica!

  7. Quero parabenizar aos dois pelo centezimo post deste blog que por minha felicidade conheci hoje através do OLhavê de Alexandre Belem. Vou viajar por este centena de informações e espalhar este trabalho maravilhoso, honesto e inteligente. Um abraço de um novo fã.

  8. Ótima surpresa!
    E que continuem os posts inspirados e inspiradores!
    Grande abraço.

  9. Caro Ronaldo Entler e equipe do blog Iconica, uma coisa tem me chamado a atenção no direcionamento dos artigos publicados. Quase todos trabalham a questão contemporânea da fotografia e insistem em adotar as teorias construtivistas de Soulages onde é afirmado a desnecessidade de uma definição fotográfica: que justamente a ontologia fotográfica é esta abertura para os possíveis. Não questiono esta característica, contudo me parece que a construção de algumas destas imagens tem processos totalmente diversos do que poderíamos chamar de fotografia. Por que não nomeá-las de forma diferente? Essa distinção se justifica na quase impossibilidade de separar uma determinada linguagem do meio ou canal que a propaga, mesmo quando essas fronteiras se confundem numa mistura muitas vezes confusa. Parece-me que a dita “fotografia” esta numa imensa crise existencial. Qual é o problema com as questões icônicas e indicial da fotografia? Esse tipo de desconstrução de um fazer faz parte de meu trabalho desde a década de 80 e desde essa época não chamamos um quimigrama ou um fotograma de fotografia. Um grande compendio de novas definições para um processo que evoluiu podem ser encontrados no livro de Luis Guimarães Monforte. Acredito que vocês devam ter questões mais pertinentes a encarar, contudo, parebenizo-os, pensadores que tanto me alegram e instigam, mas gostaria de compartilhar esta dúvida entre outras.

    Iury Bueno

  10. Parabéns meninos!
    Continuarei acompanhando vocês 🙂

    Beijo!

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