Tema: Fotografia Contemporânea

Como parte do projeto Morar, o coletivo Garapa produziu uma série de daguerreótipos de objetos que fazem referência ao Edifício Mercúrio, recentemente demolido no centro de São Paulo. Para essa empreitada que durou uma semana, contaram com a ajuda do fotógrafo Fernando Schmitt, e o know-how de Chico da Costa, maior especialista em daguerreotipia no Brasil. Eu apareci por lá duas vezes para bisbilhotar. Achei que tinha uma boa idéia de como a coisa funcionava, mas é impossível supor as sutilezas do ritual que os daguerreótipos exigem: além de umLeia Mais

O olhar que desconfia serenamente

Ronaldo Entler | 11.jul.2011

Na ansiedade de afirmar seu caráter híbrido e ficcional, a fotografia contemporânea que buscávamos nos anos 90 correu dois riscos: primeiro, de explorar suas possibilidades de experimentação com extravagância e certo didatismo, pois não bastava ter conquistado tal liberdade, era preciso anunciá-la; segundo, de enfatizar exageradamente, numa outra fotografia a que se opunha, um purismo e uma veracidade que nunca existiram. Esse tempo passou, espero. O que restou de todo esse esforço? Por um lado, aquela liberdade experimental pôde ser exercida de modo mais discreto, sem precisar anunciar-se sempre comoLeia Mais

O processo de criação como memória

Rubens Fernandes Junior | 5.jul.2011

A exposição Bom Retiro e Luz: um roteiro (1976 – 2011), curadoria de Diógenes Moura, no Centro de Cultura Judaica, traz fotografias de Cristiano Mascaro, Bob Wolfenson, Marlene Bergamo e do Coletivo Cia de Foto. O projeto teve como ponto de partida um ensaio de Cristiano Mascaro, produzido em 1976, especialmente para ser exibido na Pinacoteca do Estado, à época dirigida pela crítica Aracy Amaral, que buscava aproximar comunidade e museu, e criar laços de cultura e identidade. Gostaria de concentrar minha atenção na produção da Cia de Foto –Leia Mais
Esta é a primeira parte da apresentação que fiz na mesa “A Cena Cultural e a Fotografia Contemporânea”, ao lado de Geórgia Quintas e Pio Figueiroa, na programação do Seminário Nafoto, dia 18/06/11, na Caixa Cultural Sé, em S. Paulo. Ser e sentir-se contemporâneo Ernest Gombrich disse uma vez que a arte moderna demorou 50 anos para se tornar contemporânea. Isto significa que os olhares em torno dela precisaram desse tempo para reconhecê-la como uma arte do seu tempo presente. Com a fotografia contemporânea ocorreu algo semelhante, exatamente ao longoLeia Mais

Tiago Santana – o Brasil na coleção Photo Poche

Rubens Fernandes Junior | 20.jun.2011

Recentemente, a emblemática coleção Photo Poche, criada e dirigida por Robert Delpire (editor do clássico Les Américans, de Robert Frank), tornou pública sua mais recente edição: Sertão, de Tiago Santana. Inserido na série Photo Poche Société, o livro traz 71 fotografias realizadas entre 1992 e 2006, com introdução do cubano Eduardo Manet, e sintetiza uma experiência visceral de um fotógrafo comprometido com sua região e sua gente. Tiago Santana nasceu no Crato, região do Cariri, CE, e foi criado em Juazeiro do Norte. Vive em Fortaleza, educou-se na fé profundaLeia Mais
A Ilusão Especular, de A. MAchado; O Ato Fotográfico, de Ph. Dubois; A Imagem Precária, de J.-M. Schaeffer
Aparentemente, a vocação mais natural de toda teoria é definir “o que é” seu objeto de análise. Nossos debates acadêmicos se consolidaram colocando uma questão dessa ordem: o que define a especificidade da fotografia? Chamamos essa perspectiva teórica de “ontológica”.  Ontologia é, em resumo, o campo da filosofia que se pergunta sobre o “ser das coisas” ou, para dizer mais facilmente, “o que as coisas são, em sua essência” (a ontologia clássica fala em “substância”). Perguntar-se sobre o “ser” da fotografia é buscar aquilo que lhe concede uma identidade singular,Leia Mais

Rodrigo Braga num sentido extra-moral

Ronaldo Entler | 16.maio.2011

Na semana passada, Rodrigo Braga realizou uma palestra sobre seu trabalho em São Paulo. Uma fala calma, lúcida, em busca das palavras certas, que destoa da erupção de formas violentas que encontramos em seu trabalho. Isso foi uma surpresa? Não propriamente, mas evidenciou certa ansiedade que sua presença desperta. A maioria de nós estava ali porque gosta de seu trabalho. Para alguns, gostar engloba também o reconhecimento de uma “verdade”: sabemos que a violência que fere nossos olhos, passou antes pelo corpo dele próprio. Naquele momento, esse mesmo corpo estavaLeia Mais

Geração 00

Rubens Fernandes Junior | 9.maio.2011

O que poderia trazer de novidade uma exposição que busca ser uma espécie de retrospectiva e síntese do que foi a primeira década do século XXI para a fotografia brasileira? Aparentemente nada. Mas, convenhamos, não dá ficar impassível diante da exuberância desta coletiva. Eder Chiodetto acertou em cheio ao assumir os artistas selecionados como aqueles que, de certa maneira, representam as diferentes possibilidades do fazer fotográfico contemporâneo. Tendências de gêneros e técnicas fotográficas que se fundem para atiçar a sintaxe, que de tempos em tempos precisam ser sacudidas e renovadas.Leia Mais

NAFOTO – Uma experiência coletiva: 1991–2011

Rubens Fernandes Junior | 3.maio.2011

Sábado próximo, dia 7 de maio, a partir das onze horas, na Caixa Cultural Sé, teremos a abertura da exposição coletiva dos 20 anos de atividades do NAFOTO – Núcleo dos Amigos da Fotografia. Coletivo de fotografia que se reúne pioneiramente em 1991 para concretizar um sonho: criar no Brasil um evento internacional de fotografia, valorizar e inserir nossa produção na cena do circuito cultural mundial. Nos dias 17 e 18 de junho próximo será realizado o Seminário “O NAFOTO e a fotografia brasileira”. Ao final da exposição, teremos oLeia Mais

A construção de uma geração

Ronaldo Entler | 19.abr.2011

Geração 00 é uma mostra que assume um grande desafio e, claro, alguns riscos: pensar a produção fotográfica de um período marcado pela liberdade de procedimentos, pela velocidade das mudanças, uma década sem um marco inicial e sem um desfecho evidente, vivida por artistas de formações e idades muito distintas. Seria pretensioso propor o mapa de um território movediço que, se tem uma marca evidente, é a despreocupação com suas fronteiras (aquilo que distingue a fotografia de outras linguagens artísticas e, ainda, aquilo que define cada um de seus usosLeia Mais

Viver o novo e compartilhar emoções

Rubens Fernandes Junior | 14.mar.2011

Como sempre, a cidade de São Paulo oferece muitas opções para quem gosta e aprecia a fotografia. Seja diletante, artista, estudante, pesquisador, crítico de artes visuais, a oferta é sempre muito grande e diversificada nos espaços institucionalizados. Neste momento, a Pinacoteca do Estado, exibe Revolução na Fotografia, de Aleksander Rodtchenko; o Instituto Moreira Salles, Uma Antologia Pessoal, retrospectiva de Thomaz Farkas; a Caixa Cultural, Olhar-Imaginário, de German Lorca; o Instituto Tomie Ohtake, Relicário, de Vik Muniz; o Centro de Cultura Judaica, Marcados, de Cláudia Andujar (abertura prevista para dia 15Leia Mais

João Castilho é mestre

Ronaldo Entler | 25.jan.2011

Em dezembro de 2010, eu postei no Twitter: “João Castilho é mestre”. Várias pessoas concordaram e algumas acrescentaram outros adjetivos. Os elogios eram merecidos, Castilho já demonstrou seu talento como artista, mas minha afirmação era um pouco mais literal. Eu tinha acabado de participar de sua banca de mestrado na Universidade Federal de Minas Gerais, onde ele apresentou a dissertação “A fotografia entrópica de Robert Smithson”. Não é tão óbvio encontrar um artista com vocação e disposição para a pesquisa acadêmica. Ainda vemos bons programas de pós-graduação acolhendo artistas queLeia Mais

O tempo que passa ou a inquietação dos sentidos

Rubens Fernandes Junior | 21.dez.2010

Acompanhei de perto as publicações sobre os 30 anos da morte de John Lennon. Invariavelmente, lembrei-me de uma frase dele que diz mais ou menos assim: “enquanto você sonha com o futuro, sua vida acontece”. Para nós, o tempo passou rapidamente, mas para ele o tempo foi interrompido. Ou parou? Parece incrível! Conhecemos muitas fotografias do Beatle mais talentoso e rebelde, mas fico chocado com a imutável juventude fixada nas imagens. Claro, mito morre cedo e jamais envelhece. E minha geração não só perdeu John Lennon, como também Janis Joplin,Leia Mais
No trabalho que levou à Bienal, Jonathas de Andrade toma como referência uma série de cartazes propostos pelo educador Paulo Freire para a alfabetização de adultos, e estabelece relações entre novas imagens e palavras a partir de conversas que manteve com um grupo de mulheres analfabetas (vejam mais informações no site do artista). Barthes disse uma vez que a língua é fascista, não porque impede de dizer, mas porque obriga a dizer (Barthes, A aula).  Usar uma palavra é filiar-se a uma estrutura cuja tradição espera impor um sentido. Cabe aoLeia Mais

Formas puras e abstrações pertinentes

Rubens Fernandes Junior | 29.nov.2010

Fragmento do texto de apresentação do livro Bonito – Confins do Novo Mundo, fotografias de Valdir Cruz. A exposição com 25 fotografias encontra-se na Galeria Lourdina Jean Rabieh, Avenida Gabriel Monteiro da Silva, 147, telefone 3062-7173. “O que é real é a mudança contínua da forma: a  forma é apenas uma visão instantânea da transição” Henri Bergson A fotografia é a primeira manifestação tecnológica na história das artes visuais e também é a linguagem que mais se reinventou nos últimos 170 anos. Um olhar retrospectivo nos possibilita entender que desdeLeia Mais

CLAUDIA ANDUJAR – CLAUDINE HAAS

Rubens Fernandes Junior | 25.out.2010

Este texto foi escrito para por ocasião do II Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo, realizado no Itaú Cultural, em que tive a oportunidade de entrevistar a artista Claudine Haas, ou melhor, Claudia Andujar. Acompanho o trabalho de Cláudia e sua trajetória desde os anos sessenta e setenta como leitor da revista Realidade. Mais tarde, tive a oportunidade de estar com ela em diversas ocasiões. A única certeza era que o tema do Fórum – Fora de Casa, Fora do Eixo, Exílios e Migrações na Fotografia – tinha fortesLeia Mais

Incubadora

Ronaldo Entler | 12.out.2010

Nesta quinta, dia 14/10, começaremos na Galeria Olido a exposição do Projeto Incubadora, do qual participo junto com Felipe Russo, gUi Mohallem, Breno Rotatori, Pio Figueiroa, Lua Cruz e Lucas Simões. Do que se trata? Quem estiver lá nesse dia, verá uma montagem inacabada de três trabalhos: Welcome Home, do gUi, Sopro, do Breno, e Borda, do Felipe. Também estaremos lá para um bate-papo. A exposição deverá se reconfigurar e, no dia 28/10, haverá uma nova abertura. A principal interface do projeto é um blog, onde se pode acompanhar o desenvolvimentoLeia Mais

Um momento especial para a fotografia

Rubens Fernandes Junior | 4.out.2010

Nunca na história da fotografia, nacional e internacional, vivemos um momento tão intenso como este. Pelo fato da fotografia passar por uma nova consolidação de seu suporte tecnológico, tem provocado uma atenção especial à sua produção. Sua legitimidade como manifestação artística e cultural é indiscutível e podemos assistir agora em São Paulo uma verdadeira explosão fotográfica de qualidade inquestionável. É possível acessar exposições em que a fotografia, moderna e contemporânea, ocupa espaços nobres da cidade e provoca nossa imaginação. O século XX possibilitou a consolidação da fotografia graças aos artistasLeia Mais

Muita fotografia e vídeo na Bienal

Ronaldo Entler | 19.set.2010

Fui procurar saber o que haveria de fotografia na 29a Bienal de São Paulo: Guy Veloso, Jonathas de Andrade, Rochelle Costi, Rosangela Rennó, Miguel Rio Branco, Alice Miceli, Alfredo Jaar, Nan Goldin são nomes que consigo identificar na lista oficial de participantes. Certamente, há outros fotógrafos que não conheço, e artistas menos óbvios que eventualmente podem se aproximar dessa linguagem. Já se insinuou que a intensa presença da fotografia e do vídeo nas Bienais coincidia com a escassez de obras consagradas e com o fim dos “núcleos históricos”, sintomas deLeia Mais

Luiz Braga – ruptura e contemplação

Rubens Fernandes Junior | 15.ago.2010

Luiz Braga é um fotógrafo diferenciado dentro da produção visual contemporânea brasileira. Primeiro, porque basicamente trabalha apenas na sua cidade, Belém, e no entorno; e depois, porque ao longo de mais de trinta anos, desenvolveu uma fotografia com características próprias, totalmente diversas daquela produzida em outras regiões do país. Suas raízes e seu conhecimento da cidade viabilizaram uma fotografia marcante, centrada na cor e na luz, elementos determinantes na construção de sua sintaxe. Ele acredita que o território do olhar é o seu espaço interior e isto potencializa sua fotografiaLeia Mais