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O Pior é infinito é uma manifestação crítica aos acontecimentos mais recentes na vida de nosso país. São séries desenvolvidas como reação a um Brasil que faz prevalecer as estruturas de exploração inerentes à nossa história, solapando alguns dos lampejos emancipatórios que experimentamos nas últimas décadas. Cada fotografia dessa coleção é uma expressão fragmentária sobre o que percebo vivendo em um estado de golpe. O referente dessa pesquisa são as imagens publicadas nas redes sociais, arena expressiva, imagética e prenhe de sintomas de nossa atualidade. Em uma distância que coloca aLeia Mais
Os artistas foram muitas vezes movidos pela "obrigação de se libertar". Mais seguros de suas conquistas, eles se dão agora a "liberdade de ser livre", o que pressupõe a liberdade de manter-se dentro de alguma tradição, quando assim se queira.Leia Mais

Lily Sverner – Para ver sem pressa

Rubens Fernandes Junior | 5.ago.2016

Sem dúvida, Lily Sverner é uma artista que pertence a seu tempo; um tempo presente condicionado pelos ecos do passado. Ela vê o mundo sem pressa. Vê e registra seu momento como se buscasse suspender a passagem do tempo. Cada uma das suas fotografias parece muito mais com um fluxo contínuo de lembranças vividas com intensidade. Para ela, a fotografia se tornou uma fantástica ferramenta para exaltar o que surge e desaparece na incrível velocidade cotidiana. Mas, Lily não tem pressa. Em suas imagens nos deparamos com a interrupção deLeia Mais
Wim Wenders tem uma relação intensa com a fotografia: ele produziu um corpo de trabalhos importante, usa fotos como ferramenta de pesquisa na produção de seus filmes, incorpora com frequência imagens e personagens fotógrafos às suas histórias e, vez ou outra, aventura-se a teorizar sobre essa linguagem. As trasnformações tecnológicas da fotografia são para ele um tema sensível. Houve um tempo em que Wenders depositava boa dose de confiança na capacidade dessa imagem de produzir uma relação intensa entre o olhar e o mundo. É pela fotografia que Phil, o jornalista em crise deLeia Mais

Ao vô Manoel

Pio Figueiroa | 20.jul.2015

São Paulo, 24 de junho de 2015. Oi vô, nesta carta, é a você que quero expressar minha percepção sobre uma pesquisa recente que compõe a exposição Ver do Meio. Sinto que você desenhou a minha vida desde que deixou Jurema, fugido pelas discórdias na política. Em Gravatá, para onde levou a família, sua filha – minha mãe – conheceu meu pai. Meu pai descendente de italianos: Calábria Lapenda. Eu nasci em Recife. Adulto, parti para São Paulo. Devo falar aqui sobre migração e lembrei da gente. Em mim moraLeia Mais
Gilvan Barreto tem uma relação forte com a palavra, seja pela prosa envolvente que mistura vivências com processos de trabalho, seja pela escrita concisa e poética que apresenta seus livros, seja pela forte ligação que tem com a literatura. Mas, como se vê também, ele tem uma vocação forte para o embate com a matéria. Resultado dessa combinação é que, em sua mão, a palavra não se limita a seu sentido abstrato, ela vira imagem. Assim como a imagem vai além de sua superfície, ela vira coisa, forma manipulável, objeto cheio deLeia Mais
No próximo dia 27 de maio, entra em cartaz a exposição Ver do Meio, um trabalho de Nelson Brissac, que provocou três fotógrafos a apreender uma cidade que “não se dar a ver”. Faço parte desse grupo ao lado de Arnaldo Pappalardo e Mauro Restiffe. São Paulo, com sua trama urbana que não garante precisões, nos levou a uma fotografia que se fez na rua, no embate do corpo com a cidade. Nelson Brissac publica aqui no Icônica  seu texto curatorial acompanhado de algumas imagens que estarão expostas. © Arnaldo Pappalardo   VerLeia Mais
Há a história que construímos e há a história que se inscreve nas coisas. Suas temporalidades são distintas: a primeira tem a ansiedade de agenciar a memória das próximas gerações, a segunda se produz independentemente de haver quem a interprete. Uma se afirma pela grandiloquência dos monumentos, a outra se faz simplesmente disponível no silêncio das ruínas. Uma é a que gostaríamos de deixar como herança, a outra não se permite possuir, porque trata exatamente de desapropriações. Uma fala de conquistas, a outra fala invariavelmente de perdas. Um tanto daLeia Mais

A travessia de Guilherme Maranhão

Ronaldo Entler | 15.mar.2015

Travessia [Texto para o livro e a exposição Travessia, de Guilherme Maranhão] Foi preciso uma longa gestação, cerca de vinte anos, para que uma película virgem se revelasse grávida justamente do tempo. Guilherme Maranhão, que nesses mesmos vinte anos desenvolveu um gosto particular por técnicas impuras, logo percebeu que ali havia uma imagem latente. Não teve pressa em fazê-la aparecer. Mais do que se apropriar, deixou que essa imagem atravessasse sua história. Partiu em busca de lugares que pudessem sediar esse encontro. Com essa película em sua câmera, percorreu estradasLeia Mais
As imagens de Patricia Gouvêa me fizeram voltar no tempo, àquela época da emergência da fotografia, quando ela se apresenta como um dos mais insignificantes e interessantes dispositivos temporais da modernidade. Foi Victor Hugo quem me levou nesse deslocamento de tempo. Abandonava o presente para tentar compartilhar o espanto das viagens de trem do escritor francês. Trilhando sua carta, redigida em 22 de agosto de 1837 (dois anos antes de a fotografia ser apresentada na academia francesa), podia, então, ver através da janela do trem que as flores à margemLeia Mais

Estudo para diversão*

Ronaldo Entler | 25.jun.2013

[* texto para a exposição “Estudo para diversão”, de Flavia Junqueira, na Galeria Baró, em São Paulo, até 20/07/2013. A exposição é composta de duas séries: Cartografia Afetiva, que traz em tamanho ampliado imagens –  originalmente em Polaroid – de carrosséis de Paris; A criança e sua família, que sobrepõe registros de parques de diversões de Paris a fotos de família encontradas em sebos dessa mesma cidade. No centro da galeria, a artista traz numa instalação um carrossel real que gira em sentido inverso.] “aquilo que tem na infância a suaLeia Mais

Imagens animadas pelas sombras*

Ronaldo Entler | 15.abr.2013

Esquecemos o quanto, um dia, a caverna foi acolhedora. Escura, ela era misteriosa e convidativa, assim como a paisagem fora dela que, mesmo iluminada pela luz do dia, não se revelava por completo. Se era preciso percorrer longas distâncias para buscar meios de sobrevivência, era necessário reencontrar a caverna, pelo teto que ela oferecia, mas também pelas paredes: com as imagens que nelas se desenhavam os homens construíam seus rituais e negociavam com a natureza aquilo que sua luz não permitia enxergar. Tanto na claridade quanto na penumbra, pelo ladoLeia Mais

A crueldade que reivindica o fantasma da fotografia*

Cláudia Linhares Sanz | 8.abr.2013

Da série de fatos inexplicáveis que são o universo ou o tempo acrescentaria a fotografia. Uma espécie gabinete mágico, a espera de que algo aconteça para, enfim, revelar-se. Sua sobrevivência histórica é ainda mais enigmática. Hoje? Entre tantas tecnologias inovadoras, entre tantos hibridismos imagéticos: como poderia a fotografia não ter sido totalmente tragada pelas famílias de imagens que não cessam de se multiplicar e fundir-se? Sua persistência é, provavelmente, acontecimento que ninguém poderia pressentir. A despeito dos prognósticos mais acurados de teóricos e pensadores da mais alta qualidade, que avistavamLeia Mais
Imagens Posteriores, de Patricia Gouvêa, é um livro aparentemente simples: há nele uma temática e uma estratégia que se revelam rapidamente e que atravessam todas as suas páginas. Mesmo assim, permanece difícil nomear aquilo que a artista fotografa, e o modo como fotografa. São viagens, paisagens, borrões, elementos bem situados no repertório da fotografia. Ainda assim, o olhar não se acomoda tão facilmente ao conjunto que encontramos. Convidado a discutir esse trabalho, pareceu-me necessário repensar os termos a que recorreria. No final das contas, o que deveria ser apenas umLeia Mais
Num lance de dados, Mallarmé, poeta e esteta do século XIX afirmou que tudo no mundo existe para terminar em livro. Susan Sontag em um dos seus ensaios reforçou essa ideia adiantando que tudo termina em fotografia. Com boa dose de precisão, hoje é possível ampliar ainda mais a ideia e afirmar que tudo terminará num livro de fotografia. O sonho de todo fotógrafo é ver o seu trabalho editado e publicado em livro. Afinal, o livro bem impresso e acabado mostra um momento de maturidade profissional do autor eLeia Mais
É sempre muito difícil escrever sobre o trabalho de uma pessoa muito querida e admirada como Nair Benedicto. Seu nome reina solitário na constelação da fotografia brasileira e está inscrito na história como uma autora engajada na grande aventura humana. Sua fotografia sempre foi politizada e independente, lírica e amorosa, suficientemente forte. Avassaladora. O livro – VI VER, editado por ocasião do FestFotoPOA – é uma oportunidade para a nova geração conhecer melhor sua trajetória, e se surpreender com a edição das imagens que espelha os dilemas centrais da políticaLeia Mais
Esta 30ª edição da Bienal de São Paulo parece ter feito as pazes com o olhar. O espaço dedicado aos artistas é generoso: de cada um deles, o que encontramos não é apenas uma amostra, mas um percurso. Isso nos dá o tempo mínimo para dialogar com suas produções. As informações estão disponíveis, enriquecem esse diálogo, mas não estão lá para compensar com retórica o fracasso da produção de sentido. Há muito o que debater, mas há também muito o que ver em silêncio. Alguns espaços vão além, e colocam emLeia Mais

Entre Morros – excesso de referência e abstração

Rubens Fernandes Junior | 1.out.2012

A cada novo ensaio fotográfico de Claudia Jaguaribe nos deparamos com reinvenções que buscam sintonizar suas inquietações visuais com os desafios da contemporaneidade. Viver hoje exige, antes de tudo, estar antenado diante da multiplicidade das ações simultâneas que nos cercam e do ritmo acelerado imposto pelas tecnologias que nos empurra para um estado de dúvida e indeterminação. Afinal, como sobreviver e como se inserir criativamente nessa situação de permanente incerteza? É com essa perspectiva que podemos avaliar seu livro mais recente, Entre Morros, editado pela Cosac Naify que traz aindaLeia Mais
As casa antigas sempre me intrigaram. Morei dez anos num sobrado cujas portas e janelas, de madeira, não fechavam direito de tão antigas. O teto, também de madeira, ‘ecoava’ tudo que acontecia no andar de cima. De anos em anos, as paredes sujas – as marcas dos pés debaixo da escrivaninha, a disposição dos quadros, o arranhado das costas das cadeiras, o decalque da bola atirada contra a parede, o queimado do sol à direita de meu quarto – eram vestígios substituídos pela pintura branca. A cada sucessiva pintura refaziam-seLeia Mais

Viagens, aparências e aparições

Rubens Fernandes Junior | 7.ago.2012

Nestas últimas décadas, valorizou-se uma fotografia que se destaca tanto pela precariedade técnica quanto pela imagem difusa e irremediavelmente ruidosa. Nada contra essas decisões estéticas. Em contrapartida, alguns artistas fortaleceram a autonomia figurativa da fotografia, assumindo-a por inteiro. Essa segunda variante, que também é uma atitude conceitual da cena contemporânea, além de ampliar o campo de investigação artística, vê a imagem técnica como livre expressão, realista e fecunda, resultado direto da própria natureza do dispositivo. E isso é que vemos na exposição de João Luiz Musa na Galeria Luciana Brito,Leia Mais