Interrupções e continuidades

| terça-feira, 27/12/2011 | Comente!

Nunca houve o compromisso de qualquer alinhamento entre os integrantes deste blog, nem mesmo a pretensão de coerência entre os posts de cada autor. Mas é curioso que, vez ou outra, alguém pergunta “o que o Icônica pensa de tal coisa” ou “quando haverá um workshop do Icônica”. Talvez um pensamento possa ser construído dessa forma, por meio de encontros, de sobreposições, de montagens. É algo que ainda precisamos descobrir, talvez ampliando um exercício que já fizemos algumas vezes: o de abrir mais espaço quando um post pede uma continuidade, ou de criar os devidos links quando descobrimos ao longo da escrita que esses diálogos entre posts simplesmente acontecem.

Faremos uma pausa até o final de janeiro. E aproveitamos para relembrar algumas dessas séries de posts que foram publicadas aqui no Icônica, algumas planejadas, outras nem tanto.

Um ótimo 2012!

Fotografia e seus duplos I, II e III [Mauricio Lissovsky]: o que uma fotografia revela quando se coloca em diálogo com outra imagem. - ”Estou convencido que toda a vez que uma fotografia procura o duplo, coloca perguntas sobre si mesma, sobre os significados que engendra e sobre as relações sociais das quais participa”.

Nascimentos fotográficos: Anjos, Cigarras e Estrelas [Cláudia Linhares Sanz]: estes três posts não são exatamente uma série, mas dialogam entre si e, juntos, constroem uma alegoria sobre o modo como a fotografia se relaciona com o tempo em suas múltiplas direções. – “O que seria necessário para nascerem fotografias? Um anjo, talvez um garçom ou, ainda, um desencontro. Dos garçons às imagens-cigarras, as origens fotográficas foram pensadas como constelações temporais, fagulhas dispersas vindas de direções temporais diferentes”.

Fotografias Deserdadas I e II [Rubens Fernandes Junior]: a experiência da coleção de fotografias anônimas, e a trajetória de autores ou imagens que estiveram próximos do total esquecimento. - ”Entre o homem comum e a história há um abismo, muitas vezes inacessível, incontornável. Sim, isso particularmente me fascina, principalmente quando estou diante das fotografias que venho adquirindo e colecionando há mais de trinta anos. E são exatamente esses retratos – perdidos, esquecidos, abandonados, jogados na lata do lixo da história e deslocados do seu universo de intimidade – que pretendo discutir”.

Manual de primeiros socorros para conceitos mutilados I, II e III [Ronaldo Entler]: pequeno glossário de termos mal compreendidos pelas teorias fotográficas. - ”Depositamos sobre a fotografia uma confiança exagerada. Como resposta, muitas teorias se voltaram contra antigos conceitos que pareciam impedir uma visão mais crítica sobre o meio. Mas, afirmada tal consciência sobre os limites da fotografia, é possível fazer as pazes com um vocabulário que, usado de modo mais preciso, pode nos ser novamente úteis.”

Fotografias Radiantes I e II [Rubens Fernandes Júnior]: discussão sobre imagens que, em meio ao excesso, ainda são capazes de gerar alguma surpresa. - ”Antes imaginava que a história da fotografia era um imenso iceberg do qual conhecíamos quase nada diante da existência de uma produção que estava submersa nas profundezas dos arquivos inacessíveis e nos esquecimentos aterrorizantes. Hoje, sinto que cada fotografia é esse iceberg”.

Cadáveres em disputa I e II [Ronaldo Entler]: reflexão sobre o modo como a imagem da morte é explorada em situações de conflito. - ”Os heróis continuam merecendo suas narrativas míticas, agora, ilustradas com imagens mais explícitas que aquela que era construída pela palavra do poeta. E a “aika”, a humilhação do vencido, incorpora igualmente a fotografia e o vídeo como instrumentos recorrentes, já que rápida compreensão e difusão da imagem se revela um ingrediente poderoso do ultraje.”

Jogo dos sete erros

| segunda-feira, 12/12/2011 | Comente!

Alexander Kluge e Arlindo Machado

Eu procurava na internet informações sobre alguns textos, quando encontrei um blog – sem atualizações e provavelmente não oficial – de divulgação do livro de Arlindo Machado, “O sujeito na tela” (2007). Estranhei o retrato publicado ao lado de sua biografia. Mas a idade faz essas coisas: de um lado, enfraquece nossas lembranças e, de outro, muda a aparência das pessoas. Quase assimilei sua nova fisionomia. Depois, descobri que se tratava do crítico e cineasta alemão Alexander Kluge, que Machado conhece bem e sobre quem já escreveu. Além de alguma semelhança, há entre eles outras afinidades que quase autorizam o intercâmbio de retratos. É uma grande ironia: Arlindo Machado, justo ele que dedicou sua vida à compreensão da imagem, se vê agora traído por ela? Mas, como teórico, Machado tem… » mais »

Fotografias radiantes II

| terça-feira, 6/12/2011 | 3 Comentários

Foam Internacional Photography Magazine

A produção fotográfica atual é quantitativamente alucinante e sua circulação é garantida pelas novas plataformas tecnológicas, mas fica evidente que é quase impossível destacar as singularidades visuais. Será que a fotografia passa por uma crise de aceitação e até mesmo de criação? Haveria uma nova maneira de entender a fotografia como a representação maquínica do nosso tempo?  Diante desse impasse e da dificuldade de redefinir seus parâmetros, é inevitável que apareçam alguns pressupostos que nos convidam a repensar a fotografia. O importante é que a fotografia continua provocando discussão e produzindo incertezas. E é exatamente essa imaginação inquieta que a caracteriza como uma manifestação visual contemporânea. Antes imaginava que a história da fotografia era um imenso iceberg do qual conhecíamos quase nada diante da existência de uma produção que estava… » mais »

Nascimentos fotográficos

| segunda-feira, 28/11/2011 | 6 Comentários

Grande Nebulosa de Andrômeda

Nos dois últimos comentários aqui no Icônica tratei de nascimentos fotográficos. O que seria necessário para nascerem fotografias? Um anjo, talvez um garçom ou, ainda, um desencontro. Dos garçons às imagens-cigarras, as origens fotográficas foram pensadas como constelações temporais, fagulhas dispersas vindas de direções temporais diferentes. Às vezes uma fotografia nasce pela força de futuro, outras vezes pela insistência do presente: existo, existo, existo – resisto. Há, no entanto, fotografias que surgem porque o que já não existe persiste como fantasma, do mesmo modo que a estrela que, separada pelos milhões de anos luz – só encontra sua imagem quando já silenciada. A estrela sobrevive na imagem graças ao impulso de um passado que deseja viver no futuro e que pressiona em direção a ele. Ela, no entanto, só pode… » mais »

Cadáveres em disputa II (ou Taxidermias políticas)

| terça-feira, 22/11/2011 | 1 Comentário

Tancredo Neves (Foto: Gervasio Batista)

Num post anterior, discuti o modo como a imagem de um líder permanece em disputa após à sua morte. A memória representa uma sobrevivência simbólica que joga um papel bastante efetivo no destino do mundo. Mas o poder é pragmático e, às vezes, prefere não aguardar a atuação da memória: antes de descansar em paz, o corpo já inanimado do líder pode ser convocado a demonstrar suas possibilidades de sobrevivência. A fotografia cumpre o papel de uma taxidermia que permite a esse corpo resistir ao apodrecimento para permanecer na batalha. Muitos se lembram dos últimos dias de Tancredo Neves, mas vale repassar alguns fatos. Carismático, ele parecia personificar as condições que permitiriam a transição da ditadura militar à democracia, mesmo sem eleições diretas. Escolhido presidente por um colégio eleitoral, Tancredo… » mais »



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